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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Avaliação - I Colóquio Visões da Antiguidade

Manhã do Primeiro dia: Alexandre Pinheiro Hasegawa, Paulo Martins e Rosângela Amato
O I Colóquio Visões da Antiguidade (IAC, PROAERA e VerVe) teve ótimos momentos. Muitas questões discutidas, muita advertência e correção de caminhos nas pesquisas, mas, fundamentalmente, a certeza de que devemos realizá-lo todos os anos, a fim de afinar as pesquisas dos grupos e fazê-las interagir.

Ao avaliar o evento a Profa. Marly de Bari Matos disse: "Acredito que um evento tão bem sucedido mereça uma publicação à altura".


Já o Prof. Robson Tadeu Cesila nos informou: "o resultado desse primeiro Colóquio foi extremamente positivo, com alunos e professores apresentando suas pesquisas, independentemente do momento em que elas estão...", ou ainda, "Pareceu-me também que o clima durante as apresentações e posteriormente durante as discussões foi leve, de bate-papo aberto, de debate sem peias, cumprindo o objetivo da organização quanto a esse aspecto".


O Professor Fábio P. Cairolli nos diz: " A alta qualidade do evento também esteve, me parece, relacionada à alta qualidade das relações entre os participantes. É isso que propicia diálogos maduros, discussões construtivas e críticas não-constrangedoras. Felizmente, estas virtudes, incomuns na academia, estão presentes nas Letras Clássicas".



Diz Gdalva Maria da Conceição: "Foi um evento de alto nível e, com certeza, de grande contribuição para os estudos clássicos. Tendo em vista que foi um sucesso, resta esperar que o próximo encontro seja tão bom quanto esse". A Profa. Elaine Sartorelli: "O grande acerto me pareceu o tempo de duração das apresentações: nem tão curto que se exponha pouco conteúdo, nem tão longo que leve a platéia à dispersão".
O Prof. Agnolon da UFOP expressou: "O saldo de tudo é: o evento deve se repetir. Não sei se há uma obrigatoriedade de ser sempre aí. Seja como for, se desejarem fazer o evento aqui em Mariana, podem contar comigo. Acho que o clima aqui tem absolutamente tudo a ver."

sábado, 24 de julho de 2010

Curso de Pós

A partir de Agosto nas manhãs de sexta-feira, ministrarei o curso de Pós-Graduação do PPGLC/FFLCH/USP:

Disciplina FLC6093: Poesis Tacens, Pictura Loquens: homologias Discursivas entre o Verbal e o Não-Verbal na Roma Tardo-Republicana e Imperial.

A programação inicial está à disposição em: http://www.usp.br/iac/iac_pm.html

Nova Publicação

Caros colegas:

é com grande satisfação que informamos que o número 24 da Revista de Estudos Filosóficos e Históricos da Antiguidade - Boletim do Centro doPensamento Antigo Clássico, Helenístico e de sua Posteridade Histórica (julho de 2007 - junho de 2008) está disponível em seu formato digital - http://www.antiguidadeonline.org

Nos próximos dias o número 25 também estará no ar. Notificamos, ainda, que a Revista continuará a ser publicada também em papel, com periodicidade semestral, e que se encontra aberta a novas contribuições.Solicitamos a gentileza de divulgar amplamente essas informações.

Glaydson José da Silva
Diretor do CPA - Unicamp

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Nesse Número está publicado meu artigo:

"Imagines e Parataxe"

cujo resumo é:

O presente artigo visa a discutir o conceito de parataxe, que foi largamente utilizado por estudiosos da História da Arte e da Literatura para definir a estrutura dispositiva de certas obras da Antigüidade greco-romana. Porém, o termo, sincronicamente tomado, é estranho ao período, configurando certo anacronismo. Seu uso sistemático, assim, nos leva, erradamente, a crer que a parataxe pertence ao vocabulário teórico da poesia, da pintura, da gramática ou da retórica, o que é inconsistente. Contudo, o mesmo uso seria autorizado, se houvesse entre os modernos consenso sobre o significado, o que não ocorre. Dessa forma, se, de um lado, a teorização antiga – gramatical, poética ou retórica – não nos dá a chave do uso e, de outro, a modernidade não colabora com a precisão de sentido, a aplicação do conceito gera dúvidas na hermenêutica do objeto analisado. Nosso intuito, portanto, é delimitar o conceito modernamente e aplicá-lo na observação de algumas imagens da Antigüidade.

Palavras-Chave:

Iconografia; Retórica; Lingüística, Parataxe, Hipotaxe.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

I Colóquio "Visões da Antiguidade"

I Colóquio "Visões da Antiguidade"

Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo - Programa de Pós-Graduação em Letras Clássicas
Av. Prof. Luciano Gualberto, 403 - Cidade Universitária - São Paulo - SP
Prédio de Letras, Sala 260
28, 29 e 30 de Julho de 2010 - Das 9:00 às 12:00 e Das 14:00 às 17:00
Informações e-mail: iac@usp.br
Livro de Resumos [PDF]
Programação

Dia 28 de julho
Manhã - 9:00 h às 12:00

Paulo Martins (USP/IAC) - Reflexões sobre a observação e a análise de imagines da Antiguidade Clássica
Alexandre Pinheiro Hasegawa (USP/VerVe)- A imagem de Flaco no livro dos Epodos
Melina Rodolpho (USP/IAC)- Écfrase: A construção da imagem verbal
Tarde - 14:00 h às 17:00

Alexandre Agnolon (UFOP/VerVe) - Práticas fisiognomônicas em epigramas de Marcial
Cecília Gonçalves Lopes (USP/IAC)- Uma leitura metapoética de Amores, 1.15 - o retrato da elegia
Henrique Fiebig (USP/IAC)- Monumenta uerbalia: uma análise do corpus latino da obra "As fontes escritas antigas para uma história das artes plásticas entres os gregos" de Johannes Adolf Overbeck
Lya Grizzo Serignolli (USP/IAC)- Uma figuração do Amor: Militia Amoris

Dia 29 de Julho

Manhã - 9:00 h às 12:00

Henrique Cairus (UFRJ/Proaera)- De uisu hipocrático: o mundo nos olhos
Marly de Bari Matos (DLCV/USP)- A imagem da criança e uma criança destituída de imagem: considerações sobre a infância nas cartas de Plínio o Jovem
Fábio Paiffer Cairolli (VerVe/USP)- A imagem do imperador em Marcial e em moedas de seu tempo

Tarde - 14:00 h às 17:00

Irene Cristina Boschiero (USP/IAC)- As Imagines do poeta em Horácio
Rosângela Santoro de Souza Amato (USP/IAC)- Eikones de Filóstrato, o velho: um método
Cynthia Helena Dibbern (USP/IAC)- O retrato de Aníbal entre dois gêneros historiográficos: reflexões sobre a construção de seu éthos em Nepos e em Tito Lívio
Gdalva Maria da Conceição (USP/IAC)- O retrato de Júlio César por ele mesmo
Dia 30 de Julho
Manhã - 9:00 h às 12:00

João Angelo Oliva Neto (USP/VerVe)- Bibliopoemas: a poesia prevista
Roberto Bolzani Filho (DF/USP)- As imagens de Sócrates
Adriano Scatolin (DLCV/USP)- A auctoritas no De Oratore de Cícero
Tarde - 14:00 h às 17:00

Julieta Alsina (UFRJ/Proaera)- A discreta écfrase dietética: a descrição hipocrática do alimento
Denise de Souza Ablas (USP/IAC)- Entre a carta e a elegia: uma das Heróides de Ovídio
Anna Carolina Barone (USP/IAC/VerVe)- Uma reflexão tradutológica sobre as formas de nomear objetos de arte no De signis de Cícero
Simone Demboski Tonidandel (USP/IAC)- A Imagem de Lívia Drusila/ Júlia Augusta em Tácito

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Novo Relevo em Herculano

Ercolano, scoperto un nuovo rilievo marmoreoUn nuovo rilievo marmoreo con scene dionisiache è venuto alla luce a Ercolano il 18 febbraio scorso, durante i lavori di manutenzione ordinaria. Il rilievo è stato trovato in un lussuoso edificio residenziale dell'Insula nord-occidentale, solo in parte oggetto di campagne di scavo, ed era inserito a 2 metri di altezza dal pavimento, nel rivestimento in intonaco dipinto della parete est di una grande sala decorata nel cosiddetto IV stile. Dal 18 marzo al 13 aprile prossimo il rilievo sarà esposto al Museo Archeologico Nazionale di Napoli e sarà parte integrante della mostra "Ercolano-tre secoli di scoperte". Ecco le immagini del bassorilievo [17 marzo 2009]








Rilievo marmoreo con scene dionisiache proveniente da Ercolano, Insula nord-occidentale. Marmo, prima metà del I sec. d.C. Napoli, Museo Archeologico Nazionale. Foto di Giorgio Massimo © Soprintendenza Speciale per i Beni Archeologici di Napoli e Pompei

Matéria extraída de La Repubblica Napoli

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Novo site de Projeto de Pesquisa

Foi ao ar ontem Sítio do Projeto de Pesquisa do Programa de Pós-graduação em Letras Clássicas da USP: "Imagens da Antiguidade Clássica" que corresponde ao grupo de pesquisa homônimo credenciado junto ao CNPq.

Confira: www.fflch.usp.br/dlcv/paulomar/iac.html

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Textos a publicar

Nos últimos meses, preparei dois artigos a fim de serem publicados em revistas especializadas. Transcrevo abaixo o resumo de ambos. Caso exista interesse pelo conteúdo completo, encaminhem um e-mail. São eles:

1. Polignoto, Páuson, Dionísio e Zêuxis – Uma leitura da pintura antiga clássica grega –

O presente trabalho põe à luz reflexão acerca da pintura grega clássica, tendo em vista a homologias estabelecidas por Aristóteles na Poética. Essa discussão é imperiosa, pois que são apresentadas pelo filósofo comparações entre pintura e poesia, como recurso retórico de exemplum ou paradeigma, para explicar a segunda pela primeira arte. Entretanto, a preceptiva pictórica grega clássica que hoje se tem em mãos é insuficiente para que se esclareçam exatamente as categorias analíticas por ele utilizadas. Assim nos ocuparemos em delimitar como Aristóteles observava as pinturas de Polignoto, Páuson, Dionísio e Zêuxis, para, talvez, aferir e inferir conceitos preceptivos desses tipos de pintura e de pintores de maneira coetânea e não-anacrônica, ao contrário do que se pode observar em muitos manuais de História da Arte Clássica.

Palavras-chave: Poética, Retórica, Homologia, História da Arte, Pintura Grega Clássica.

2. Parataxe e Imagines

O presente artigo visa a discutir o conceito de parataxe, que foi largamente utilizado por estudiosos da História da Arte e da Literatura para definir a estrutura dispositiva de certas obras da Antigüidade greco-romana. Porém, o termo, sincronicamente tomado, é estranho ao período, configurando certo anacronismo. Seu uso sistemático, assim, nos leva, erradamente, a crer que a parataxe pertence ao vocabulário teórico da poesia, da pintura, da gramática ou da retórica, o que é inconsistente. Contudo, o mesmo uso seria autorizado, se houvesse entre os modernos consenso sobre o significado, o que não ocorre. Dessa forma, se, de um lado, a teorização antiga – gramatical, poética ou retórica – não nos dá a chave do uso e, de outro, a modernidade não colabora com a precisão de sentido, a aplicação do conceito gera dúvidas na hermenêutica do objeto analisado. Nosso intuito, portanto, é delimitar o conceito modernamente e aplicá-lo na observação de algumas imagens da Antigüidade.

PALAVRAS-CHAVE: Iconografia; Retórica; Lingüística, Parataxe, Hipotaxe.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Assalto Medieval à Loba Capitolina

Texto extraído de La Reppublica, por indicação do Prof. Dr. João Batista Toledo Prado, diretamente da Cidade Eterna





La lupa del Campidoglio è medievalela prova è nel test al carbonio
La scultura era stata variamente attribuita all´arte antica, dagli etruschi ai romani


di Adriano La Regina


Nuove analisi al radiocarbonio eseguite sulla Lupa Capitolina confermano l´attribuzione della scultura all´epoca medievale. Le indagini sono state svolte in uno dei più attrezzati laboratori scientifici italiani per questo genere di attività, il Centro per la datazione e la diagnostica dell´Università del Salento. Accertamenti sulla datazione del celebre bronzo erano stati preannunciati dai responsabili dei Musei Capitolini il 28 febbraio 2007 a Roma, alla Sapienza.

Ma poi non se ne era saputo più nulla. Solamente nell´agosto del 2007 trapelarono le prime notizie sull´effettivo svolgimento delle analisi. Il 31 ottobre, infine, una nota di agenzia fece sapere che le indagini erano state eseguite, ma i risultati non furono divulgati: il Comune di Roma si era riservato il diritto di pubblicarli, ma non lo ha fatto. Le nuove informazioni sull´epoca del bronzo capitolino sono state così sottratte per circa un anno alla conoscenza del pubblico e degli studiosi.

La scultura era stata variamente attribuita all´arte antica: etrusco-italica, magno-greca, romana; secondo l´opinione più diffusa era considerata un oggetto di produzione etrusca dei primi decenni del V secolo avanti Cristo. A riconoscerne la fattura medievale è stata Anna Maria Carruba, la quale per prima aveva accertato che la Lupa era stata fusa a cera persa col metodo diretto in un sol getto, tecnica adottata per i grandi bronzi nel Medio Evo e non in epoca precedente; aveva anche constatato che le superfici della scultura non presentavano i segni caratteristici delle lavorazioni antiche, bensì quelli riscontrabili su tutti i bronzi di epoca medievale. I risultati, insospettati e strabilianti, furono pubblicati dalla Carruba nel dicembre 2006 suscitando attenzione internazionale, specialmente in Germania ove le ricerche sulle antiche tecnologie sono molto avanzate.

In Italia, nel mondo degli studi di storia dell´arte antica, si ebbero reazioni non unanimi con segni di contrarietà tra quegli archeologi del Comune di Roma che avevano sottovalutato e respinto le ripetute segnalazioni di Anna Maria Carruba, impegnata nel restauro della Lupa tra il 1997 e il 2000. Anche contrari sono stati taluni ambienti accademici insofferenti dei successi dovuti alle nuove tecniche di indagine; il lavoro della Carruba ha inoltre infranto definitivamente il vecchio pregiudizio di un rapporto gerarchico tra lo storico che interpreta i fenomeni artistici, e gli altri ricercatori che studiano la materia dell´opera d´arte e le sue trasformazioni.

La Lupa è un´opera d´arte possente, raffinata e complessa. Ha sempre esercitato un fascino particolare, ha evocato miti e leggende. Theodor Mommsen (1845) osservò che il bronzo, da lui considerato genericamente antico, benché horridum et incultum lo commuoveva più delle belle sculture presenti nel museo. L´attribuzione all´arte etrusca risaliva però già al Winckelmann (1764), il quale aveva tratto questa convinzione dalla rappresentazione appiattita dei riccioli e delle ciocche del pelame che in ogni successiva trattazione sarebbero rimasti l´oggetto di raffronto stilistico con altre opere d´arte.

La successiva storia degli studi riguardanti la Lupa è stata offuscata da informazioni erronee, superficiali e fuorvianti su restauri mai eseguiti, come quelli relativi alla coda, oppure su danni subiti, che in realtà sono difetti di fusione. Già nella sua Roma antica Famiano Nardini (1704) attribuiva a un fulmine le lesioni alle zampe, identificando così la scultura con la statua di bronzo dorato, raffigurante Romolo allattato dalla lupa, folgorata nel 65 avanti Cristo sul Campidoglio. Gli aspetti iconografici del bronzo capitolino hanno dimostrato solo generiche analogie con l´arte antica. L´analisi stilistica si è per lo più rivolta all´interpretazione dei caratteri non classici, considerati «italici». Soprattutto nella scuola germanica la critica ha insistito anche per la Lupa nella ricerca strutturale (Strukturforschung), teorizzata negli anni Trenta da Guido Kaschnitz von Weinberg, un eminente storico dell´arte antica. Sulla scia teorica di Kaschnitz sono gli studi sulla Lupa di Friedrich Matz (1951), che vi ha riconosciuto un prodotto dell´arte etrusca. Questa posizione interpretativa è stata ancora ribadita da Erika Simon (1966).

Il primo a dubitare dell´antichità della Lupa è stato Emil Braun (1854), segretario dell´Istituto di corrispondenza archeologica di Roma, il quale riconobbe nei danni alle zampe dell´animale un difetto di fusione e non i guasti prodotti da un fulmine. Successivamente Wilhelm Fröhner (1878), conservatore del Louvre, ravvisò nella scultura caratteri stilistici attribuibili all´epoca carolingia; infine Wilhelm Bode (1885), direttore del Museo di Berlino, fu parimenti dell´avviso che si trattasse con tutta probabilità di un´opera d´arte medievale. Queste rapide osservazioni nel corso del Novecento caddero in totale oblio.

La Lupa capitolina resta un´opera problematica, dovuta a una personalità artistica di cui occorrerà definire la posizione e il ruolo nel contesto della produzione scultorea, e in particolare bronzea, del Medio Evo nell´Italia centrale. I dati finora acquisiti consistono nell´accertamento del luogo di produzione, circoscrivibile in base alle terre di fusione nella vallata del Tevere da Roma a Orvieto (G. Lombardi, 2002); nel riconoscimento di una tecnica di fusione adottata in età medievale, documentata a partire dal XII secolo (Carruba, 2006); in una serie di analisi (radiocarbonio, termoluminescenza) più volte eseguite negli ultimi anni, che concorrono a indicare un´epoca di produzione compresa tra il secolo VIII dopo Cristo e il secolo XIV; le ultime, ripetute una ventina di volte l´anno scorso, offrono un´indicazione molto puntuale nell´ambito del XIII secolo.

L´autore è stato soprintendente ai beni culturali di Roma

(09 luglio 2008)

segunda-feira, 30 de junho de 2008

A Cobra Glikon

O misto romano a “Cobra Glikon”, reencarnação de Asclépio[i]. Seu culto, segundo Bandinelli (1988), era praticado na Dácia, em Mésio e na própria Roma à época de Antonino Pio. A lenda de Glikon e seu conseqüente culto adquirem certa força em Roma por ocasião de uma grande epidemia que assolou a cidade no segundo século de nossa era. Quanto à origem dessa representação, parece ter sido criada por um Alexandre, apadrinhado pelo procônsul da Ásia, Rutiliano, que tomara filha daquele como esposa. Este Alexandre serviu-se de uma cobra domesticada e lhe cedeu uma cabeça de humana e crina de cavalo. Tal representação assemelha-se à hipóstase de Kun, deus criador da mitologia egípcia tardia, cuja representação é a de uma serpente com cabeça de leão.

[i] Herói da Ilíada, conhecido por suas habilidades médicas, mais tarde elevado à condição de deus da medicina.

sábado, 28 de junho de 2008

João Angelo em Lendo Imagens


No dia 2 de julho, o Prof. Dr. João Angelo Oliva Neto (DLCV/FFLCH/USP) irá proferir palestra sobre a Figuração de Priapo em texto e imagens, aos alunos do Curso de Pós-graduação em Letras Clássicas na Disciplina Lendo Imagens (FLC5967), de minha responsabilidade. A palestra insere-se no programa da disciplina que se ocupa das imagines verbais e visuais da República e do Império. No caso específico, a figuração do pequeno-grande deus nos interessa pela versatilidade de sua representação em chave elevada (é deus) e baixa (é fescenino).

Tendo o curso, em suas primeiras 12 semanas, observado os processos de composição e circulação das imagens públicas e privadas, repuplicanas e imperiais, parece eficiente analisar esse tipo de figuração dupla e, essencialmente, diversa daquelas estudadas. Assim, Priapo, como divindade, poderia sintetizar o discurso epíditico em suas duas vertentes, além de ser, salvo engano, um tipo de representação que transborda dos limites da vila, do domus, da horta e dos jardins e, portanto, de caráter privado, repercutindo hiperbolicamente nos portos e nos grafitos, espaços públicos.

Por que achas que meninas querem vara, mesmo
de madeira, e me beijam bem no meio?
Nem áugure é preciso: "em mim", disse uma delas,
"vai ter uso perfeito a tosca vara".
A oportuna palestra de João Angelo lembrou-me de publicar duas resenhas veiculadas pela Folha de São Paulo, distantes 10 anos entre si. A primeira de minha autoria quando foi publicado "O Livro de Catulo" em 1996 (premiado pela APCA em 1997 como melhor tradução - hoje esgotado), contudo a ser reeditado, completamente revisto e ampliado. A segunda de autoria de Flávio Ribeiro de Oliveira (professor de grego da UNICAMP) por ocasião do já famoso "Falo no Jardim - Priapéia Grega, Priapéia Latina", que constou entre os 10 indicados ao prêmio Jabuti de 2007. Além dessas, ao fim, publico o verbete "João Angelo Oliva Neto" no Dicionário de Tradutores Literários no Brasil.

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Um Mestre Clássico da Métrica


Paulo Martins
ESPECIAL PARA FOLHA
25/08/1996

O Brasil, apesar de tentativas es­parsas na divulgação da literatura clássica antiga por meio de tradu­ções, ainda está muito distante da produção do dito Primeiro Mun­do. O desenvolvimento dessa ati­vidade atingiu tal ponto nestes países que hoje já se tem diacroni­camente uma tradição da tradu­ção.

A Edusp vem, mesmo que timi­damente e sem um projeto mais abrangente, incentivando a divul­gação de traduções e ensaios nessa área. Dessa forma, lança nesse semestre um texto inédito em língua portuguesa: a tradução da obra completa de Catulo, que foi objeto da dissertação de mestrado de João Angelo Oliva Neto, professor da USP.

Por si, tal fato já representaria um dado de suma importância pa­ra os estudos literários no Brasil, dada a representatividade e im­portância de Catulo que, segundo Ezra Pound no “ABC da Literatu­ra", seria o único autor a emular com Safo de Lesbos quanto à mé­trica, além de ser superior a poeti­sa grega arcaica no que se refere à economia das palavras.

O Livro de Catulo, poeta vero­nense que viveu em Roma entre 87 e 57 a.C., não é volumoso, contudo plural, abrangendo um espectro genérico que vai da sátira aguda ao hino, perpassando a poesia amo­rosa, circunstancial e a invectiva com a mesma excelência técnica comentada por Pound. O curioso nessa obra é o sentido de unidade dentro da diversidade, porquanto, apesar de apresentar distintos gê­neros, sedimenta-se em torno de um padrão compositivo, que na Roma Antiga diferenciava um grupo de poetas chamado poetas novos (poetae noui ou neóteroi), que divulgava a poética alexandri­na, assentada em Calímaco de Cirene.

Tal padrão técnico estava centra­do na economia das palavras, na sutileza, na leveza, na rapidez, na escrita e no livro, fato esse que tor­na-se evidente em Catulo ao ob­servarmos o primeiro poema de seu livro, quando denomina sua obra de lepidus nouus libellus (no­vo e gracioso livrinho) e seus tex­tos de nugas (versos ligeiros, ni­nharias).

Talvez a aparente simplicidade da poética de Catulo tenha sido um dos principais fatores para a disseminação de seus poemas entre nós, leitores modernos de poesia antiga. Contudo sempre estivemos sujeitos às traduções esporádicas que não contemplavam a magni­tude e riqueza métrica de seus tex­tos e tampouco davam valor a seus saborosos textos fesceninos por conta de um pudor que não deve­ria e não deve cercear o prazer do texto literário.

Estes dois dados traduzem re­dutoramente, o trabalho de Oliva Neto que, num brilhante em­preendimento de tradução para um ótimo português, não só pro­pôs soluções técnicas competentes à variedade métrica e à habilidade no uso das palavras, como, dada à natureza do trabalho, não se dei­xou levar por certo moralismo que encontramos em tradutores que se deparam com os textos mais pi­cantes do poeta de Verona.

Ademais, João Angelo Oliva Ne­to não se limita às traduções e nos contempla com riquíssimas notas,o que é fundamental para intelec­ção dos textos, tendo em vista os leitores não habituados à leitura dos clássicos, e com uma bem cui­dada e esclarecedora introdução que resgata o que há de mais atual na produção acadêmica.

Digna de ressalva também é a pertinência na escolha das ilustrações do livro. As imagens imediati­zam uma associação entre duas linguagens que se completam, tor­nando mais prazerosa a leitura do livro. Por outro lado, vale dizer que muitas dessas iconografias também são inéditas no mercado editorial brasileiro, tão escasso de publicações desse matiz. Assim, para o leitor de língua portuguesa, essa edição, que já valeria pelo iné­dito de Catulo, é duas vezes bem-vinda.




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O deus das pequenas coisas"Falo no Jardim" reúne os poemas gregos e latinos dedicados a Priapo, divindade obscena e zombeteira


ESPECIAL PARA A FOLHA
17 de setembro de 2006

"Priapéia" é uma coletânea de breves e jocosos poemas anônimos, compostos em latim entre os séculos 1º a.C. e 1º, cujo tema é Priapo, deus da fertilidade, burlesco e itifálico (representado normalmente em estado de ereção).

O culto de Priapo surgiu na Ásia Menor por volta do século 4º a.C., de onde se difundiu pelo mundo grego e, mais tarde, pelo romano.

Priapo era um deus menor, disforme e desprovido da imponência e da beleza severa dos olímpicos. Mas, por isso mesmo, era popular entre as classes mais humildes da população que, além de considerá-lo protetor da fertilidade animal e vegetal, se valia de seu caráter apotropaico: Priapo seria capaz de afastar malefícios e maus-olhados que pudessem prejudicar a virilidade dos homens e a fertilidade do solo.

Os poemas da "Priapéia" têm, pela própria natureza do deus, um caráter zombeteiro e francamente obsceno -o que perturba sensibilidades mais delicadas. São, até hoje, pouco conhecidos, pouco estudados e pouco traduzidos. "Falo no Jardim", livro de João Ângelo Oliva Neto, nos oferece não só o texto latino completo e traduções impecáveis de todos os poemas da "Priapéia" mas também todos os poemas da chamada "Priapéia Grega" (coletânea dos poemas priapeus gregos que faziam parte da "Antologia Palatina"), também em edição bilíngüe.

Três capítulos iniciais situam e analisam minuciosamente o fenômeno do culto de Priapo no mundo antigo e suas manifestações literárias; os cinco capítulos finais trazem, respectivamente, poemas latinos de autoria conhecida (Catulo, Horácio etc.) cujo tema é Priapo, mas que não faziam parte da "Priapéia" (texto original e tradução); excertos de poemas que, sem ter tema priapeu, mencionam Priapo (texto original e tradução); os poucos poemas priapeus compostos em língua portuguesa; as raras traduções de poemas da "Priapéia" em língua portuguesa anteriores às de Oliva e, por fim, o texto e a tradução de "Er Padre de li Santi", poema priapeu de Belli, escrito em dialeto romanesco no século 19.

Linguagem franca


Fecha o volume um aparato de grande utilidade para o leitor -esquemas métricos, relação dos epítetos de Priapo, glossário, bibliografia e índices. Além disso, o livro traz rico material iconográfico. As seções teóricas, de extremo rigor analítico e sólida fundamentação bibliográfica, são de grande interesse acadêmico para o especialista e, agora mesmo, os leitores desta resenha devem estar pensando: "Ah, mais um livro erudito da academia, destinado a meia dúzia de gatos-pingados da academia...". Nada disso. Oliva tem o raríssimo mérito de, sem abrir mão da profundidade que um estudo crítico do tema requer, ser perfeitamente acessível a qualquer leitor inteligente. Seu texto, escrito em linguagem clara e, eventualmente, bem-humorada, nunca apela para jargões acadêmicos abstrusos.

Ao longo dos séculos, a "Priapéia" e os temas priapeus têm provocado indignação pudibunda entre os tartufos e os ilibados defensores da moral e dos bons costumes, desde os pais da igreja até os editores alemães que censuraram a palavra "Priapia" (entre outras) em diversas edições de "Frühlings Erwachen" [Despertar da Primavera], de Frank Wedekind (1864-1918).

Ainda hoje, muitas traduções de obras clássicas de caráter erótico empregam eufemismos ou termos científicos para traduzir palavras que, em grego ou latim, pertencem ao registro chulo da linguagem. As traduções de Oliva, de grande valor e invenção poética, são rigorosamente fiéis à obscenidade burlesca, à graça provocadora e ao bom humor debochado dos originais. Nelas, a mêntula não é chamada de membro viril ou pipi.

*FLÁVIO RIBEIRO DE OLIVEIRA é professor de língua e literatura gregas na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

FALO NO JARDIM - PRIAPÉIA GREGA, PRIAPÉIA LATINA
Organização e tradução: João Angelo Oliva Neto
Editora: Unicamp/Ateliê (tel. 0/ xx/11/4612-9666)
Quanto: R$ 90 (428 págs.)

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João Angelo Oliva Neto

Há muitos tipos de tradutores. Há muitos tipos de escritores. Existem pessoas que fazem da tradução a sua maneira de escrever. Para estas, traduzir é uma maneira legítima de fazer literatura, pois concebem a tradução como algo que contém a escrita em si. Entre os tradutoes literários brasileiros que se debruçam sobre a Antigüidade clássica, João Angelo Oliva Neto destaca-se por apresentar esse tipo de concepção da prática tradutória. Em desacordo com o ideário que subvaloriza a tradução perante outros empreendimentos de um literato, sua trajetória demonstra que traduzindo se pode alcançar um nível de excelência na composição literária.
Oliva Neto iniciou-se no estudo de letras em 1978, quando ingressou no bacharelado de inglês e português, pela USP. Quatro anos após, assim que concluíra esse curso, começou o de latim e grego. Ao final de seu segundo bacharelado, motivado pela grande quantidade de textos latinos em prosa e verso sem tradução em português, lançou-se ao ofício da tradução. Ainda na USP, obteve os títulos de mestre e doutor. Junto à sua dissertação de mestrado, apresentou a tradução de toda a obra poética de Catulo, que intitulou O livro de Catulo. Durante o doutorado, ocupou-se com a tradução de um conjunto de poemas anônimos gregos e latinos, cuja figura central é Priapo, deus fálico, protetor da fecundidade e da fertilidade. Estas duas traduções vieram a ser publicadas e são reconhecidas como seus principais trabalhos. Em 1996, O livro de Catulo recebeu o prêmio de melhor tradução, conferido pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte).

A dedicação de João Angelo Oliva Neto à tradução de literatura clássica grega e latina aparentemente deve-se a duas grandes afeições que possui. A primeira - fácil de se inferir - é por essa literatura, inerente ao chamado período clássico. A segunda é pela língua portuguesa e toda a sua literatura. Pelo rigor que se observa em suas traduções, Oliva Neto concebe a transposição da literatura da Antigüidade clássica para a língua portuguesa como um exercício de grande valor artístico. Para ele a literatura traduzida deve ter seu lugar na literatura de uma língua. Sua prática é fundamentada em critérios que transparecem no próprio texto traduzido.

Em paratextos às traduções e em artigos publicados paralelamente, Oliva Neto declara preferência por uma tradução que explicite seus critérios teóricos. Isto é, a tradução deve pressupor e esclarecer os fins que pretende atingir e, portanto, o público que pretende alcançar. Na poesia, ele se preocupa com a métrica original e demais características formais, como as figuras de estilo.

Atualmente, é professor da graduação na área de Língua e Literatura Latina da Faculdade Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, onde atua desde 1989. Nessa mesma faculdade, também atua no programa de Pós-graduação em Letras Clássicas. Como tradutor, Oliva Neto almeja colaborar para uma história da tradução poética no Brasil ou ao menos para uma história da tradução de textos clássicos no Brasil. Entre seus projetos está o de traduzir os poemas de Calímaco de Cirene, um poeta grego do século III a.C., por quem nutre grande admiração.

Verbete publicado em 28 de setembro de 2005
por: Luiz Henrique Milani Queriquelli
Mauri Furlan

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Exposição sobre Adriano - The British Museum


The British Museum
Hadrian: Empire and Conflit


http://www.britishmuseum.org/whats_on/future_exhibitions/hadrian.aspx


Opens 24 July



Explore the life, love and legacy of Rome's most enigmatic emperor, Hadrian (reigned AD 117–138). This unprecedented exhibition will provide fresh insight into the sharp contradictions of Hadrian's character and challenges faced during his reign. Objects from 28 museums worldwide and finds from recent excavations will be shown together for the first time to reassess his legacy, which remains strikingly relevant today.

Hadrian: Exhibition overview



This special exhibition will explore the life, love and legacyof Rome’s most enigmatic emperor, Hadrian (reignedAD 117–138).
Ruling an empire that comprised much of Europe, northern Africa and the Middle East, Hadrian was a capable and, at times, ruthless military leader. He realigned borders and quashed revolt, stabilising a territory critically overstretched by his predecessor, Trajan.
Hadrian had a great passion for architecture and Greek culture. His extensive building programme included the Pantheon in Rome, his villa in Tivoli and the city of Antinoopolis, which he founded and named after his male lover Antinous.
This unprecedented exhibition will provide fresh insight into the sharp contradictions of Hadrian’s character and challenges faced during his reign.
Objects from 28 museums worldwide and finds from recent excavations will be shown together for the first time to reassess his legacy, which remains strikingly relevant today.

Hadrian: Empire and Conflict catalogue by Thorsten Opper. This book is a great companion to the exhibition. £40 hardback, £25 paperback.


Hadrian (r. AD 117-138) is known for his restless and ambitious nature, his interest in architecture and his passion for Greece and Greek culture. This book and exhibition move beyond this image to give a new appraisal of this Emperor,Individual chapters of the book look at Hadrian the man as an individual; Hadrian the military leader and strategist; Hadrian the amateur architect who created magnificent buildings such as his villa at Tivoli; Hadrian the lover who defied his malefavourite Antinous after his mysterious death in the Nile; and Hadrian the traveller who tirelessly roamed his empire and its boundaries. The book will conclude with the legacy of Hadrian, including a discussion of the genesis of MargueriteYourcenar's famous Memoirs of Hadrian, about to be turned into a major Hollywood film.This important book is richly illustrated throughout with key works of art -both celebrated and less well-known sculptures, bronzes, coins and medals, drawings and watercolours.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Biquíni Antigo


É corrente atribuir a criação do primeiro biquíni ao estilista francês Louis Réard que o batizou com o nome do pequeno atol de Bikini, no Pacífico, onde os americanos haviam realizado uma série de testes atômicos. Mais do que isso "a famosa editora de moda Diana Vreeland (1903-1989) disse uma vez que o biquíni 'é a invenção mais importante deste século (20), depois da bomba atômica'. O lançamento do primeiro biquíni foi em 26 de junho de 1946 e causou o efeito de uma verdadeira bomba." (http://almanaque.folha.uol.com.br/biquini.htm)




Micheline Bernardini - 1946 no "primeiro" Biquíni

Entretanto, observando os mosaicos da Villa Armerina na Sicília, encontramos, talvez, os primeiros "biquínis" ocidentais, datados não da década de quarenta do século XX, mas do final do século III d.C.:



Talvez, a presença dessas imagens no final do século III ou início do IV d.C venha a produzir alguma reflexão acerca da liberalidade em relação ao corpo no mundo antigo greco-romano.

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No sítio oficial do sítio arqueológico tem-se o seguinte texto:

Presentazione di Iside Castagnola

"Ci sono luoghi per la storia, dove il tempo ha segnato la sua voce, la verità il suo enigma, nel cuore del mediterraneo, a Piazza Armerina nella dolce valle del casale, maestranze, ispirate scrissero, con la pietra, il testamento di tutta l'umanità classica mentre il vento del tempo, seppelliva le sue spoglie, apparì sulle tessere dei mosaici un racconto musivo, che aveva cucito l'eco di infiniti giorni per comporre le sembianze di memoria e cantare ai posteri il cunto, di Ulisse, di Ambrosia, il cunto della caccia e della vendemmia, il cunto dei giganti e quello dell'impero senza dimenticare mai il destino, umano, che nelle sue opere più significative rimane un mistero...."

La Villa Romana del Casale fu costruita tra la fine del sec. III e l'inizio del sec. IV d.C., nell'ambito di un sistema di latifondi appartenenti a potenti famiglie romane, che vi si recavano a caccia o in vacanza. Alcuni studiosi suppongono che la villa fosse appartenuta ad una personalità altolocata della gerarchia dell'Impero Romano (un Console), mentre altri sostengono che la villa sia appartenuta all'Imperatore M. Valerio Massimiano, detto Herculeos Victor.

Abitata anche in eta' araba, la villa fu parzialmente distrutta dai normanni, in seguito, una valanga di fango, provenienti dal monte Mangone, che la sovrasta, la coprì quasi totalmente.

Le prime campagne di scavo a livello scientifico, promosse dal Comune di Piazza Armerina, furono eseguite nell'anno 1881. Gli scavi furono ripresi nel 1935 fino al 1939, ed infine, con l'intervento della Regione Siciliana negli anni 50, fu portato completamente alla luce l'intero complesso, grazie all'opera dell'archeologo Vinicio Gentili.

La morfologia del terreno ha determinato la planimetria molto articolata della villa: vi si possono distinguere una parte residenziale intorno al grande peristilio centrale su cui si affaccia anche la basilica, una zona di rappresentanza con il peristilio ellittico (Xistus) e la grande sala trilobata (Triclinio), il complesso delle terme dal movimentato impianto planimetrico. Il cortile-porticato d'ingresso, a pianta irregolare, funge da cerniera tra queste tre parti. I mosaici furono realizzati da diversi gruppi di maestranze nordafricane che mediavano eredità alessandrine e tendenze siriache.

Ciò che più piacerà ai visitatori, senza dubbio, sono i magnifici mosaici del pavimento, in tutte le sale, che sono di una ricchezza e di una varietà tale che non ci sono paragoni nel mondo.Sebbene niente possa dare un'idea compiuta della mirabile decorazione musiva di questa fantastica, singolare, misteriosa villa, consapevoli che non si può rendere con parole ciò che può essere gioia solo attraverso gli occhi, vogliamo tuttavia offrire al visitatore la descrizione e una chiave di comprensione dell'immenso tappeto di mosaici pavimentali che ne fanno una gemma inestimabile nella storia dell'arte.

(http://www.villaromanadelcasale.it/)


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Alguma Bibliografia

Luciano Catullo and Gail Mitchell. The Ancient Roman Villa of Casale at Piazza Armerina: Past and Present. 2000.

R. J. A. Wilson: Piazza Armerina, Granada Verlag: London 1983.

A. Carandini - A. Ricci - M. de Vos, Filosofiana, The villa of Piazza Armerina. The image of a Roman aristocrat at the time of Constantine, Palermo 1982.

S. Settis, "Per l'interpretazione di Piazza Armerina", in Mélanges de l'Ecole Française de Rome. Antiquité 87, 1975, 2, pp. 873-994.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Vt Pictura Poesis II

Diz-se freqüentemente que um escritor "carregou nas tintas" ou que "desenhou bem uma característica de uma personagem", ou ainda, que "pintou bem os costumes de um tempo". É comum, pois, se tomar termos emprestados à pintura para qualificar uma determinada situação ou pessoa numa obra literária.

Por outro lado, o atento crítico literário pode também vislumbrar em sua exegese os contornos de um texto, os comparando com uma técnica pictórica. Não é de outra maneira, por exemplo, que Haroldo de Campos em sua introdução às Memórias Sentimentais de João Miramar de Oswald de Andrade nos informa: "É bem possível que a influencia primordial na prosa de Oswald – um visual por excelência – seja ainda, para além da assimilação da teoria e da prática futurista, a transposição imediata de suas descobertas pictóricas nas exposições de Paris Como explicar, de outra forma, o cubo-futurismo de tantos trechos do Miramar”.

Destarte, pode-se afirmar que a pintura não só auxilia na qualificação de um determinado texto pelo crítico, mas, também, pode engendrar uma escritura, com a aplicação de suas técnicas específicas pelo autor. Assim a relação entre a pintura e o texto está determinada por uma "dupla-mão", uma que nasce da observação da pintura pelo crítico que a aplica em sua análise Literária e outra que vem da observação da pintura pelo autor e que o leva a transformá-la em texto.

Seria uma tolice, por outro lado, se pensar que essa indene ligação fosse um fenômeno da belle époque, ou de um modernismo radical naquele texto representado tanto pela critica de HC como pelo citado romance de Oswald de Andrade, como poderia inferir o leitor mais incauto.

A especulação acerca dessa complementaridade ou homologia, pintura-textos, remonta à época de Semônides na Grécia arcaica e percorreu toda Antigüidade Clássica, estando em todos os tempos presente nas palavras dos poetas e dos retores nas preceptivas.

Um bom exemplo clássico da operação com o retrato literário é a obra historiográfica de Salústio, A Conjuração de Catilina, pois lá se observam pelo menos quatro imagens que seguem a proposta retórica da enargia. Entretanto, seria impossível expor tais visões do retrato em Salústio, sem antes, se fazer uma breve exposição do quadro geral da preceptiva retórica, pois que esclarecesse principalmente as questões concernentes ao gênero e sua respectiva invenção.

Como foi dito, daquilo que se pode chamar retrato, qual seja, uma descrição precisa dos caracteres físicos, morais e éticos de uma personagem, nas monografias de Salústio, pode-se encontrar pelo menos quatro significativos: O retrato de Catilina, o de Semprônia, esposa de D. Júnio Bruto, e o de Júlio César e de Catão de Útica.

Tais descrições, retoricamente, se enquadram, quanto ao gênero do discurso, no epidítico, pois, como transmite a norma aristotélica, esse gênero é aquele que sempre trabalha uma situação pressuposta como res certa no presente, atribuindo-lhe vitupérios ou elogios. Esse ato de se encontrar pensamentos (res) adequados (aptum) conforme o interesse do partido representado dá-se o nome de inuentio. Tais pensamentos, porém, devem ser entendidos como instrumentos intelectuais e afetivos que se concretizam pelas palavras para que se obtenha êxito na argumentação.

Assim, Salústio, seguindo a preceptiva do gênero demonstrativo, atribuiu às personagens vitupérios ou elogios quando tais categorias se lhe pareciam oportunas dentro da propositura de monografia. A Retórica a Herênio nos informa a respeito de tal procedimento, ao propor a invenção nesse genus: "Quoniam haec causa diuitur in laudem et uituperationem, quibus ex rebus laudem constituerimus, ex contrariis rebus erit uituperatio comparata. Laus igitur esse rerum externarum, corporis, animi. Rerum externarum sunt ea. quae casu aut fortuna secunda aut aduersa accidere possunt: genus, educatio, diuitiae, potestates, gloriae, ciuitas, amicitia, et quae huiusmodi sunt et qua his contraria. Corporis sunt.ea quae natura corpori attribuit commoda aut incommoda: uelocitas, uires, dignitas, ualetudo, et quae contraria sunt. Animi sunt ea. quae consilio et cogitatione nostra constant: prudentia, iustitia, fortitudo, modestia, et quae contraria sunt."

Convém lembrar que a crítica de estudos clássicos, em sua maior parte, afirma que tais retratos primam pela riqueza dos caracteres psicológicos pintados pelo autor, contudo, parece que tal afirmação soa um tanto anacrônica uma vez que as categorias psicológicas, ao tempo de Salústio, ainda não haviam sido formuladas, ou seja, a psicologia, a época de César, não existia, enquanto disciplina capaz de fornecer algum subsidio de análise. Desse modo, seria mais conveniente dizer que a riqueza de tal procedimento retórico, na verdade, está no estabelecimento do "éthos" das personagens e não de sua "psique", freudianamente falando.

Quintiliano, por sua vez, nos esclarece que as qualidades que devem ser louvadas ou vituperadas no discurso demonstrativo são as do espirito, do corpo e as dos bens da fortuna, sendo que as últimas, em todos os casos, são as menos importantes. Quanto as qualidades do espírito, afirma que são sempre verdadeiras e o orador, ao tratá-las, deve seguir uma cronologia partindo, inicialmente, da tenra infância, falando da índole e mais tarde, as aplicações dessa naquilo que o elogiado faz ou obra, naquilo que diz ou pensa, exaltando, então, as virtudes da temperança, da justiça e da fortaleza e suas ações correspondentes.

Das ações que se devem exaltar, Quintiliano propõe: atos que o homem faz por si, naqueles em que foi o primeiro, em que houve poucos que o seguissem, aqueles que excederam a esperança, os que foram imprevistos e, por fim, os que foram em utilidade dos outros do que em utilidade própria. Isso que os retores latinos estabelecem como decoroso acerca da invenção no gênero epidítico, Salústio segue. A Retórica a Herênio indica que são três as categorias, como foi visto, que o orador deve tratar em seu discurso aquilo que é relativo à alma, ao corpo e às coisas externas.

Salústio inicia o retrato de Catilina: nobre quanto ao nascimento (coisas externas), forsa de alma (alma) e, por fim, força de corpo (corpo). Por outro lado, Quintiliano esclarece: "quodque ante eos fuit quoque ipsi uixerunt qui fat;o sunt functi etiam quod est insectum." Por sua vez, o pintor afirma quanto ao protagonista da Conjuração: "Huic ab aduiescentia bella intestina, caedes, rapinae, discordia ciuile grat;a fuere, ibique iuuentutem suam exercitauit."

Poder-se-ia pensar que o historiador, por construir o discurso do retrato, epidítico por excelência, sob o viés do vitupério, poderia, pois, estar construindo uma sátira uma vez que tal gênero ''literário'', muita vez, adere a esse procedimento, estabelecendo assim uma crítica moral, ética ou mesmo, religiosa.

Um prefácio de um estudo sobre a sátira barroca daquele a quern chamamos Gregório de Matos Guerra, adverte que: "São cinco as divisões do livro, da retórica as partes são cinco. Cuida o livro da Sátira, logo, do vitupério." Tal comentário de Leon Kossovich para o livro de J. A. Hansen poderia engendrar um pensamento, qual seja, de que tudo quanto vitupério fosse, retoricamente, sátira seria. Isso não é verdadeiro, pelo menos, no discurso demonstrativo de Salústio. Os vitupérios são cortantes e indicam um éthos negativo no que concerne à imagem ética do protagonista que atinge aquilo que Quintiliano propugna como mais verdadeiro; contudo, o autor não poupa elogios relativos ao corpo e às coisas externas, essa última, segundo a norma, a menos importante das "res" a serem louvadas.

Catilina, apesar de vituperado, vítima de um invectivador, certamente menos mordaz que Cícero, também não escapa dos inúmeros elogios de Salústio: sua origem patrícia, sua força de alma e de corpo, capaz de suportar fome, frio e insônia e, por último, muito eloqüente. Então, apesar dos vitupérios, em quantidade e qualidade, superarem aos elogios, esses, ainda assim não são poucos tal desenho poderia determinar uma certa imparcialidade de Salústio no que tange a figura histórica de Catilina, porém, o pincelar nebuloso do retrato erigido torna pouco determinável a intenção do autor.

domingo, 4 de maio de 2008

Homologia entre a poesia e a pintura - Algumas questões

Desde muito tempo, filosófos e poetas ocupam-se da aproximação entre essas duas artes. Exemplos abumbam:

Simônides de Céos (556-486 a.C.), poeta grego arcaico, segundo Plutarco (45-120 d.C.) teria dito:

  • "a poesia é pintura que fala e a pintura a poesia muda".
Algum tempo depois, Horácio (65 - 8 a.C.) , poeta romano, na sua Epístola aos Pisões (A Arte Poética), formulou:
  • "Como a pintura, a poesia" (Vt pictura poesis)

Entre os filósofos, talvez, Aristóteles (384-322 a.C.) seja aquele que mais incisivamente perseguiu a homologia entre o discurso verbal e visual. Na Arte Poética, temos algumas passagens interessantes:

  • 1448a - "Mas, como os imitadores imitam homens que praticam alguma ação, e estes, necessariamente, são indivíduos de elevada ou de baixa índole (porque a variedade dos caracteres só se encontra nestas diferenças [e, quanto a caráter, todos os homens se distinguem pelo vício ou pela virtude), necessaria­mente também sucederá que os poetas imitam homens melhores, piores ou iguais a nós, como o fazem os pinto­res: Polignoto representava os homens superiores; Páuson, inferiores; Dioní­sio representava-os semelhantes a nós. Ora, é claro que cada uma das imitações referidas contém estas mesmas, diferenças, e que cada uma delas há de variar, na imitação de coisas diversas, desta maneira."

ou

  • 1450a - "Sem ação não poderia haver tragédia, mas poderia havê-Ia sem caracteres. As tragédias da maior parte dos modernos não têm caracteres, e, em geral, há muitos poetas desta espé­cie. Também, entre os pintores, assim é Zêuxis comparado com Polignoto, porque Polignoto é excelente pintor de caracteres e a pintura de Zêuxis não apresenta caráter nenhum."

ou

  • 1461b - “Com efeito, na poesia é de preferir o impossível que persuade ao pos­sível que não persuade. Talvez seja impossível existirem homens quais Zêuxis os pintou; esses porém correspondem ao melhor, e o paradigma deve ser superado. E depois, a opinião comum também justifica o irracional, além de que às vezes irracional parece o que o não é, pois verossimilmente acontecem coisas que inverossímeis parecem. Expressões aparentemente contraditórias, importa examiná-las como nas refutações dialéticas; verifi­car se do mesmo se trata, na mesma relação e no mesmo sentido; e analo­gamente, se o poeta cai em contradição com o que ele próprio diz, ou com o que, sobre o que ele diz, pensa uma mente sã.

ou na Política:

  • 1340a - "Contudo, posto que nem todas as pinturas traduzem de igual forma estes aspectos, os jovens devem evitar contemplar as de Páuson, mas não as de Polignoto assim como as dos restantes pintores ou escultores de caráter nobre.

Já Cícero (106-46 a.C.), orador e rétor romano, no início do segundo livro de uma de suas primeiras obras, o tratado Sobre a invenção, compara o seu tratado à pintura de Zêuxis, afirmando:

  • "Como escrevesse uma arte retórica, isto também aconteceu com minha intenção. Não propus um único exemplo do qual, por mim, todas as partes devessem ser extraídas, qualquer que fosse a espécie, quando parecesse que isto fosse necessário. Ao contrário, num único local, de todos escritores reunidos, tomei aquilo que cada um parecesse prescrever vantajosamente. E escolhi de vários engenhos e recolhi as melhores partes. Desses, pois, aqueles que são dignos do nome e da memória, nenhum me parecia dizer tudo de bom nem só coisas excelentes. Pelo que pareceu tolice ou afastar-me de algo bom de alguém que inventa, se por ele fui tocado no seu vício, ou, também, me aproximar do vício de quem fui conduzido por algum bom preceito."

Além da clara possibilidade de podermos aplicar os conceitos teóricos da pintura na poesia e vice-versa, algumas considerações devem ser feitas e pensadas, principalmente, a partir de Aristóteles e Cícero:

  1. Se, segundo o objeto da imitação, existem pintores e poetas que imitam seres superiores, inferiores e iguais a nós, como essa idéia de gêneros elevado, médio e baixo seria aplicada à pintura e à escultura? Como imaginarmos na pintura, algo análogo a um poema épico ou trágico? A uma sátira ou a um iambo? A uma ode ou a um epinício?
  2. O que seria uma tragédia sem caracteres (éthe - personagens) e o que seria homologamente uma pintura sem caracteres?
  3. Por que a pintura de Páuson deve ser evitada pelos jovens e não a de Polignoto? Deveria ser evitada, pois, a comédia e a sátira?
  4. Se Zêuxis pintou seres impossíveis de existir na realidade, ele praticou mimesis? Seria o fato de não existirem que determinaria que ele produzisse pinturas sem caráter, sem éthos?
  5. A poesia engendra, sistematicamente, as phantasiai, disposição anímica que nos faz ver na mente. A pintura de Zeuxis seria o resultado visual das phantasiai, operando o caminho inverso da poesia?
  6. Chamar a pintura de Zêuxis de idealizante seria um equívoco, uma vez que se é pintura deve ser fruída pela visão, não participando, pois, do mundo das idéias, e sim do sensível?

Tais questões em breve serão discutidas com mais atenção em artigo que está em fase de redação.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Curso de Pós-graduação na FFLCH/USP - 1o. Semestre de 2008

No primeiro semestre de 2008, a partir do dia 2 de abril, será oferecida a Disciplina de pós-graduação no programa de Letras Clássicas da FFLCH/USP: "Lendo imagens: a representação pública romana na República e no Império" (FLC5967).

Início: 2 de abril de 2008
Término: 25 de junho de 2008
Dia da semana: Quarta-feira
Horário: das 8:30 às 12:30
Local: Prédio das Ciências Sociais/Filosofia - FFLCH/USP
Docente: Prof. Dr. Paulo Martins


Inscrições

Alunos Especiais: 1 - 11 de Janeiro de 2008 (encerrada).
Alunos Regulares já matriculados anteriormente (http://www.fenix.usp.br/): 21 de Janeiro - 1 de Fevereiro de 2008.
Alunos Regulares Ingressantes: 11 - 15 de Fevereiro de 2008 no serviço de Pós-graduação da FFLCH, no prédio da Administração da Faculdade.


Mais informações no serviço de Pós-graduação da FFLCH/USP.

Observação


Caso exista interesse em assistir ao curso como aluno-ouvinte, enviar e-mail para pamar62@yahoo.com.br, indicando qual é o interesse no curso.

Segue abaixo a apresentação do curso:


FLC5967 - Lendo Imagens - A Representação Pública Romana na República e no Império


I. Objetivos

O curso visa a considerar as práticas imagéticas e textuais como representações de personagens da história romana nos séculos I a.C. e I d.C.. Para tanto, parte da constituição de procedimentos retóricos e poéticos para o discurso verbal e da preceptiva pictórica e escultórica na Roma Republicana e Imperial para aferição do discurso não-verbal. Dada a escassez desta última, resgatar-se-á certa forma mentis romana a partir da consideração de um vocabulário imagético, que, como consuetudo e ius, delimita a recepção apta para esse tipo de linguagem, e daí, explorar-se o efeito produzido por essas representações, isto é, a recuperação das afecções da recepção e as finalidades dessas linguagens dentro do poder público constituído no período.


II. Justificativa
Como a interseção entre linguagens é hoje alvo de vários estudos nas mais diversas épocas e sociedades, é necessário que, num programa de pós-graduação em Letras Clássicas, se forme este tipo de reflexão interdisciplinar que atente para práticas artísticas dentro de uma visão mais eclética e geral, observando-se pontos comuns e divergentes dentro da perspectiva do uso das linguagens na sociedade clássica, mais especificamente, romana. Mais do que a simples aferição de procedimentos técnicos, é fundamental a recuperação das afecções que caracterizam a fruição das obras imagéticas e textuais, pois essa delimita certo tipo de público para o qual eram produzidos os textos imagéticos e verbais.


III. Conteúdo

1. Questões Metodológicas I: História literária e historia da arte. As marcas da descontinuidade das representações. A impossibilidade de existência de “o Clássico”:

a. Plínio, o velho – História Natural, Livros XXXIV, XXXV e XXXVI
b. Marcas da elocutio nas representações arcaica, clássica e helenística:
i. O geométrico




ii. As kórai e os kouroi



iii. O movimento clássico




iv. O cânone de Policleito



2. Questões Metodológicas II: Homologia entre o discurso verbal e visual: Uma doutrina.

a. Aristóteles: Arte Poética, Arte Retórica, Política

b. Platão: A República, O Sofista

c. Cícero: O Orador, Sobre o orador, Sobre a invenção
d. Horácio: “Vt pictura Poesis
e. Quintiliano: Instituições Oratórias, Livro XII.
f. Epicuristas, Estóicos e a segunda sofistica:
i. Lucrécio
ii. Marco Aurélio
iii. Hermógenes, o rétor


3. Realismo e Idealismo. Público e privado. Marcas da elocutio. Virtus e uitium:

a. A tradição itálica – Identidade entre modelo e representação


b. A tradição helênica – Ausência de modelo




4. A historiografia das “vidas”: Suetônio e Plutarco. A retórica epídititica:

a. Anônimo, Retórica a Herênio
b. Menandro, o retor, Dois Tratados de Retórica Epidítica


5. Éthos e páthos: Afecções. Disposição anímica: Phantasiai:






a. Aristóteles: Sobre a alma, Livro III.

b. A dicotomia entre alma e corpo. A fisionomia como reflexo da alma. Os tratados de Fisiognomonia.


6. A moeda como instrumento de propaganda política: a circulação do poder:




a. O meio circulante.

b. As oficinas e a cunhagem
c. Possibilidades de representação:

7. O passado como memória. O poder privado das máscaras mortuárias e o rito dos antepassados:



a. Políbio - História, Livro VI

b. A extensão do poder público ao domus. Os retratos de Fayoum.


c. Exempla como Argumentatio

8. O presente como poder. “Certa microfísica” do poder. Monumento e Documento.


a. Res Gestae Divi Augusti




b. A coluna de Trajano.


c. Colossum de Constantino.




9. O futuro como perpetuação das imagines: Ars longa. A representação dos Deuses:


a. Hinos Homéricos – Apolo e Zeus

b. Poesia Lírica - Afrodite

c. Elegíaca – Eros/Cupido/Amor

d. Priapéia Grega e Latina – Priapo


10. A divinização dos imperadores: Vita breuis. O deus como imperador e o imperador como deus. O Sublime.



a. Augusto/Júpiter do Hermitage




b. Augusto/Netuno do Museum of Fine Arts, Boston




c. Augusto/Apolo do Museu Arqueológico de Tessalônica e do Museu do Teatro Romano de Arles


d. Augusto em:
i. Propércio
ii. Horácio
iii. Virgílio – A Eneida, Canto, VI
iv. Ovídio



11. A parataxe e a hipotaxe na representação. Sintaxe das representações.


a. A táxis das tessarae nos mosaicos



b. A táxis dos mistos: A cobra Glikon. O Hermes-Thot. A Esfinge.
As Sereias.



c. Homologia entre o Império Romano e Carolíngio. A sintaxe da “Cruz de Lotário”



i. Dispositio/táxis como argumentatio.


12. Euidentia e ekphrasisDescriptio e narratio: Descritividade e narratividade

a. Homero - Ilíada

b. Virgílio - Eneida

c. Salústio – Conjuração de Catilina