Tradução Paulo Martins
Em sonhos eu te vi, vida minha, tendo a nau naufragado,
Que nadavas já com as mãos cansadas no Mar Jônio
E que confessavas que tinhas mentido a mim tudo aquilo.
E já não mais podias levantar os cabelos pesados d’água,
Como a agitada Hele por ondas púrpuras,
Ela que carregou o áureo carneiro no suave colo.
Como temi que o forte mar tivesse teu nome,
E o nauta te chorasse, deslizando por tuas águas!
Quais votos fiz, então, a Netuno; quais , então, com seu irmão Cástor,
Quais a ti, agora deusa, Leocótoe.
Mas tu, a custo, erguendo da profundeza as pontas das mãos,
Amiúde meu nome agora chamas a morrer.
Se, pois, Glauco visse teus olhinhos, por acaso,
A menina tu te tornarias do Mar Jônio.
E as Nereidas iriam te censurar por causa da inveja,
A alva Neseia e a cerúlea Cimotóe.
Mas vi um golfinho correr à tua ajuda,
Ele que, acredito, levara antes a lira de Árion.
E agora eu mesmo me preparava para me lançar do penhasco,
Quando o medo dissipou tais visões.