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sexta-feira, 15 de abril de 2011

Aguarda Publicação Classica (SBEC-Brasil)

A brief history of Latin Literature’s criticism


Breve história da crítica da Literatura Latina




Paulo Martins – USP




This paper presents an overview of Ancient Latin Poetry’s criticism. It begins with the biographical readings of the nineteenth and first half of the twentieth centuries and proceeds to discuss the radical change in interpretation that followed, starting with Allen (1950) who, based on the poetic architecture that permeates such poems, viewed them as absolute fictional constructions. However, after the radicalism of the anti-biographical criticism, a third possibility is now being studied: if the poet gives his own name or uses the names of historically identifiable characters, this must be considered as an extra element to the poetic iocus – he, the poet, is intentionally blurring the boundaries between res ficta and historical truth. Thus, the last part of the paper will discuss the implications of this new outlook on the poetic and historiographic genres.




Este artigo apresenta um panorama da crítica literária aplicada à poesia latina da Antiguidade. Principia pelas leituras biográficas do século dezenove e primeira metade do vinte e passa a discutir a alteração radical que se seguiu, a partir de Allen (1950) que, com base na arquitetura poética que permeia esses poemas, os via como construções ficcionais absolutas. Entretanto, após o radicalismo dessa crítica anti-biografista, uma terceira possibilidade está sendo estudada atualmente: se o poeta dá seu próprio nome ou utiliza o nome de personagens historicamente identificáveis, isto deve ser considerado como um elemento extra ao iocus poético – ele, o poeta, está intencionalmente tornando as fronteiras entre a res ficta e a verdade histórica indistintas. Assim, a parte final do artigo discutirá as implicações dessa nova visão sobre os gêneros poéticos e historiográficos.

terça-feira, 15 de março de 2011

Aguarda Publicação - Novas Tendências da Filologia Clássica

Catulo 65: um programa poético




Paulo Martins




Esse trabalho visa à leitura do poema 65 de Catulo, a primeira elegia de seu livro. Trata, pois, de uma observação de programa poético, já que ele rascunha os uerba e as res dessa espécie genérica elegíaca e lhe serve de baliza a temas que serão gravados como fundamento do gênero em sua especificidade romana – elegia erótica. O poema, assim, deve ser observado de perto, na luz e muitas vezes, atendendo assim aos requisitos específicos retórico-poéticos em que a filigrana é essencial e cujas prescrições acompanham formulações poético-retóricas helenísticas, assentadas em Roma. Por outro lado, a elegia 65 funciona também como instrumento didático dessa variação genérica romana, pois Catulo arquiteta o estado programático da poesia ao encetar a possibilidade de sua visualização de sua estrutura. O leitor/ouvinte instruído nessas letras, portanto, não só recupera os copia rerum dessa poética inovadora, como também visualiza as marcas poéticas seriadas decalcadas na “fôrma” do dístico: hexâmetro datílico somado ao hexâmetro datílico cataléptico.

domingo, 4 de abril de 2010

Mais um lançamento de março


MARTINS, PAULO. Literatura Latina. Curitiba: IESDE. 2009. ISBN: 978-85-387-0901-5
DVD 1/ISBN: 789-09-980-4989-0
DVD 2/ISBN: 789-09-980-4990-6




Trata o texto de questões gerais e genéricas das Letras Latinas. Um manual de Literatura Latina cuja preocupação cronológica é deixada, parcialmente, de lado, para observar essencialmente gêneros letrados transhistoricamente, sem abrir mão, entretanto, do contexto e, naturalmente, da recepção coetânea aos textos, elementos importantes para o autor na compreensão dessas práticas letradas antigas, devido à distância que existe entre elas e nós, leitores modernos.




O compêndio obverva 11 gêneros literários, sigificativos em Roma, entre o século III a.C. e o século IV d.C., matiza diferenças e assinala semelhanças entre autores, apresentando mais do que informações acerca de autores, os seus próprios textos, comentados e anotados.


Iniciando pelo capítulo que apresenta o contexto dessas práticas letradas, o livro contém informações acerca da: Lírica (Horácio e Catulo), Elegia (Propércio, Ovídio e Tibulo)), Bucólica (Virgílio), Épica (Virgílio), Comédia (Plauto e Terêncio), Tragédia (Sêneca), Historiografia (Salústio, Tito Lívio e Tácito), Retórica (Cícero, A Herênio e Quintiliano), Oratória (Cícero), Poesia didática (Horácio e Ovídio) e Sátira (Horácio, Sêneca, Juvenal e Petrônio.




Acompanha ao livro, 2 DVDs, contendo 12 aulas de Literatura Latina, proferidas pelo Prof. Dr. Paulo Martins, da Universidade de São Paulo.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Propércio 1, 12 - Uma Tradução

1, 12

Por que não paras de me imputar a calúnia da preguiça
Por que Roma, minha cúmplice, me retém?
Ela está a quilômetros longe de meu leito
Como está Hípanis (1) do vêneto Erídano (2)
Cíntia não me nutre amor com abraços de sempre
Nem me fala, doce, ao ouvido.
Outrora eu lhe era grato: naquele tempo, ninguém
teve a sorte de poder amá-la com igual fidelidade.
Fomos motivo de inveja! Um deus me oprimiu ou uma erva
colhida nos montes de Prometeu (3) nos separou?
Não sou o que fora: um longo caminho muda as meninas.
Hoje sozinho sou obrigado, antes, a conhecer
longas noites e a ser funesto aos meus próprios ouvidos!
Feliz aquele que pôde chorar com a menina presente;
o Amor em nada se alegra com lágrimas caídas
ou, se desprezado, pôde mudar as paixões,
Elas também são alegrias, mudado o jugo.
Mas nem fas amar outra nem desejar desistir desta:
Cíntia foi a primeira e o termo será Cíntia.

I, XII

Quid mihi desidiae non cessas fingere crimen,
quod faciat nobis Cynthia, Roma, moram?
tam multa illa meo divisast milia lecto,
quantum Hypanis Veneto dissidet Eridano;
nec mihi consuetos amplexu nutrit amores
Cynthia, nec nostra dulcis in aure sonat.
olim gratus eram: non ullo tempore cuiquam
contigit ut (4) simili posset amare fide.
invidiae fuimus: num me deus obruit? an quae
lecta Prometheis dividit herba iugis?
non sum ego qui fueram: mutat via longa puellas.
quantus in exiguo tempore fugit amor!
nunc primum longas solus cognoscere noctes
cogor et ipse meis auribus esse gravis.
felix, qui potuit praesenti flere puellae
(non nihil aspersus gaudet Amor lacrimis),
aut, si despectus, potuit mutare calores
(sunt quoque translato gaudia servitio).
mi neque amare aliam neque ab hac desistere fas est:
Cynthia prima fuit, Cynthia finis erit.


Notas:

(1 )Rio que deságua no Mar Negro na Samartia.
(2) Rio Pó.
(3) O Cáucaso na Cólquida. Cf. elegias i, 1, 24 e i, 5, 6.
(4) contingo + ut = acontece que, ter a sorte de.

domingo, 21 de setembro de 2008

Recusa à épica - Horácio 1,6

Scriberis Vario fortis et hostium
victor Maeonii carminis alite,
quam rem cumque ferox navibus aut equis
miles te duce gessent.


nos, Agrippa, neque haec dicere nec gravem (-5)
Pelidae stomachum cedere nescii
nec cursus duplicis per mare Vlexei

nec saevam Pelopis domum

conamur, tenues grandia, dum pudor
imbellisque lyrae Musa potens vetat (-10)
laudes egregii Caesaris et tuas
culpa deterere ingeni.

quis Martem tunica tectum Adamantina
digne scripserit aut pulvere Troico
nigrum Merionen aut ope Palladis (-15)
Tydiden superis parem?

nos convivia, nos proelia virginum
sectis in iuvenes unguibus acrium
cantamus, vacui, sive quid urimur,

non praeter solitum leves. (-20)


Tradução - Paulo Martins


Tu, forte e vitorioso sobre inimigos,
serás cantado por Vário, ave do canto meônio,
e o que o soldado feroz, tu comandando,
com cavalo ou com navios, tiver gerido.

Eu não ensaio, Agripa, cantar tais temas,
nem a grave cólera de Aquiles que desconhece ceder,
nem, pelos mares, os caminhos do ardiloso Ulisses,
nem a violenta casa de Pélops.

Eu, suave, não ensaio sublimes poemas,
pois reserva e Musa, senhora de minha lira de paz,
vetam desviar louvores a César egrégio e
aos teus feitos, por culpa do meu engenho.

Quem dignamente descreverá Marte coberto
com túnica indomável, ou o negro Meríones
nas areias de Tróia ou o justo
Tidida com ajuda de Palas?

Eu canto os simpósios, eu, os combates
das ferozes virgens com unhas afiadas contra os jovens,
eu canto seja livre do que sou inflamado
seja suave diante do que é habitual.


Notas:
Versos
(2) - Maeonii carminis alite = Ave do canto Meônio - o cisne.
(5) - Nec haec dicere nec grauem - Note-se que o anafórico haec diz respeito a toda estrofe anterior em que o poeta recusa-se a cantar as guerras marítimas e terrestres.
(6 e 7) - Referência à Ilíada e à Odisséia.
(9-12) - A musa e o pudor (reserva) impedem que cante o canto elevado pelo fato de o engenho (ingenium) do poeta não ser afeito a esses temas.

domingo, 3 de agosto de 2008

Elegia Latina - FLC0257 - FFLCH/USP

Literatura Latina: Elegia - Programação da Disciplina FLC0257
Docente Responsável: Paulo Martins
3a Feira - Matutino e Noturno

Aula 01 – Apresentação do Curso
Aula 02 – Esquema Métrico e Prosódia e Concepções do Gênero: Moderna e Contemporânea
Aula 03 – Fontes primárias 1
Aula 04 – Fontes primárias 2
Aula 05 – Fontes Primárias 3
Aula 06 – Antecedentes Gregos
Aula 07 – Catulo: Os neotéricos e a poética alexandrina
Aula 08 – Cornélio Galo e Antecessores: Calímaco, Euforião. Elegia, Bucólica e Epílio
Aula 09 – Propércio 1
Aula 10 – Propércio 2 – Poética, ética, moral e Augusto
Aula 11 – Ovídio 1 – Metaliguagem
Aula 12 – Ovídio 2 – Epístola e Elegia
Aula 13 – Ovídio 3 – O gênero e o feminino
Aula 14 – Tibulo – Elegia e Idílio
Aula 15 – Tradição Moderna e Contemporânea – Camões, John Donne, Goethe, Drummond e Vinícius