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quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Textos a publicar

Nos últimos meses, preparei dois artigos a fim de serem publicados em revistas especializadas. Transcrevo abaixo o resumo de ambos. Caso exista interesse pelo conteúdo completo, encaminhem um e-mail. São eles:

1. Polignoto, Páuson, Dionísio e Zêuxis – Uma leitura da pintura antiga clássica grega –

O presente trabalho põe à luz reflexão acerca da pintura grega clássica, tendo em vista a homologias estabelecidas por Aristóteles na Poética. Essa discussão é imperiosa, pois que são apresentadas pelo filósofo comparações entre pintura e poesia, como recurso retórico de exemplum ou paradeigma, para explicar a segunda pela primeira arte. Entretanto, a preceptiva pictórica grega clássica que hoje se tem em mãos é insuficiente para que se esclareçam exatamente as categorias analíticas por ele utilizadas. Assim nos ocuparemos em delimitar como Aristóteles observava as pinturas de Polignoto, Páuson, Dionísio e Zêuxis, para, talvez, aferir e inferir conceitos preceptivos desses tipos de pintura e de pintores de maneira coetânea e não-anacrônica, ao contrário do que se pode observar em muitos manuais de História da Arte Clássica.

Palavras-chave: Poética, Retórica, Homologia, História da Arte, Pintura Grega Clássica.

2. Parataxe e Imagines

O presente artigo visa a discutir o conceito de parataxe, que foi largamente utilizado por estudiosos da História da Arte e da Literatura para definir a estrutura dispositiva de certas obras da Antigüidade greco-romana. Porém, o termo, sincronicamente tomado, é estranho ao período, configurando certo anacronismo. Seu uso sistemático, assim, nos leva, erradamente, a crer que a parataxe pertence ao vocabulário teórico da poesia, da pintura, da gramática ou da retórica, o que é inconsistente. Contudo, o mesmo uso seria autorizado, se houvesse entre os modernos consenso sobre o significado, o que não ocorre. Dessa forma, se, de um lado, a teorização antiga – gramatical, poética ou retórica – não nos dá a chave do uso e, de outro, a modernidade não colabora com a precisão de sentido, a aplicação do conceito gera dúvidas na hermenêutica do objeto analisado. Nosso intuito, portanto, é delimitar o conceito modernamente e aplicá-lo na observação de algumas imagens da Antigüidade.

PALAVRAS-CHAVE: Iconografia; Retórica; Lingüística, Parataxe, Hipotaxe.

sábado, 19 de julho de 2008

Metapintura e Intertextualidade

Hoje no acervo do MET de Nova Iorque, esta cratera, conhecida como cratera do grupo de Boston 00.348, parece-me bem interessante, por três motivos:

1) Representa aristotelicamente homens como nós, isto é, apesar de o deus Héracles, em escultura, estar sendo retocado e estar figurado no vaso, a atividade comum do artífice é central na pintura vascular.

2) Parece-me também que tal pintura é um caso típico de autoreferência, constituindo, pois, uma linguagem cuja função é metalingüística.

3) Apresenta um dialogismo com outra arte, a escultura. Porém não uma qualquer e, sim, uma específica, ou pelo menos, um escultor Policleto ou Policleito, como pode ser observado, principalmente pela posição das pernas, do torso e braços que imprimem, no final do século 5 e início do 4, mais movimento as formas e será canônica em Praxíteles, Lisipo e Míron:



Column-krater with artist painting a marble statue of Herakles, ca. 350–320 B.C.; Red-figure Greek, South Italian, Apulian. Attributed to the Group of Boston 00.348. Terracotta; H. 20 1/4 in. (51.51 cm). Rogers Fund, 1950 (50.11.4) - MET, Nova Iorque



Doríforo de Policleto - Museus do Vaticano


Apoxyomene de Lisipo - Museus do Vaticano



Hermes com o jovem dionísio de Praxíteles

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Sirenes e Sereias

No imaginário contemporâneo, temos as sereias como seres mistos (mulher/peixe), cuja principal característica é a capacidade de encantamento por meio da voz. Assim, no mito, elas assaltavam os navegantes, encantando-os com seu belo canto, faziam-nos bater contra os penhascos nas proximidades da ilha de Capri no Tirreno. Há, porém, que se lembrar de que suas primeiras figurações, longe de indicarem a píscia forma, antes as propõem com forma de pássaro:


Hic tamen indicio poenam linguaque videri
commeruisse potest; vobis, Acheloides, unde
pluma pedesque avium, cum virginis ora geratis?
an quia, cum legeret vernos Proserpina flores,
in comitum numero, doctae Sirenes, eratis?
quam postquam toto frustra quaesistis in orbe,
protinus, et vestram sentirent aequora curam,
posse super fluctus alarum insistere remis
optastis facilesque deos habuistis et artus
vidistis vestros subitis flavescere pennis.
ne tamen ille canor mulcendas natus ad aures
tantaque dos oris linguae deperderet usum,
virginei vultus et vox humana remansit
.
Ovídio - Metamorfoses, V, 551-63


Sirene de Canosa - Museu Arqueológico de Madri

Sirene do Museu Arqueológico Nacional de Atenas


Vaso de Figuras Vermelhas - Com a figuração da Sereia e a tripulação de Ulisses - British Museum - BM440



Sirene - Vaso de figuras negras - Louvre

sábado, 12 de janeiro de 2008

Imagines Amoris

No dia 11 de dezembro de 2007, fiz uma postagem com a tradução da elegia 2,12 de Propércio - uma ékphrasis cujo texto em latim é:


XII
QVICVMQVE ille fuit, puerum qui pinxit Amorem,
nonne putas miras hunc habuisse manus?
is primum vidit sine sensu vivere amantis,
et levibus curis magna perire bona.
idem non frustra ventosas addidit alas,
fecit et humano corde volare deum:
scilicet alterna quoniam iactamur in unda,
nostraque non ullis permanet aura locis.
et merito hamatis manus est armata sagittis,
et pharetra ex umero Cnosia utroque iacet:
ante ferit quoniam, tuti quam cernimus hostem,
nec quisquam ex illo vulnere sanus abit.
in me tela manent, manet et puerilis imago:
sed certe pennas perdidit ille suas;
evolat heu nostro quoniam de pectore nusquam,
assiduusque meo sanguine bella gerit.
quid tibi iucundum est siccis habitare medullis?
si pudor est, alio traice tela una!
intactos isto satius temptare veneno:
non ego, sed tenuis vapulat umbra mea.
quam si perdideris, quis erit qui talia cantet,
(haec mea Musa levis gloria magna tua est),
qui caput et digitos et lumina nigra puellae,
et canat ut soleant molliter ire pedes?



Hoje apresento algumas imagens não-verbais cujo cerne seja Cupido/Eros/Amor:


Pelike Seated Eros holding phiale - Museum of Fine Arts, Boston - 76.56


O Amor Punido, Nápoles

Pair of silver scyphi (cups) with relief decoration, Metropolitan Museum of Arts, New York - late 1st century B.C.–early 1st century A.D.; Early Imperial, Augustan Roman - 1994.43.1, .2

Fragmento de uma estátua de Eros - Museum of Fine Arts, Boston - 72.732 - Greek, Hellenistic or Greco-Roman Period




Estátua de Bronze de Eros Dormindo - Metropolitam Museum of Arts (MET), New York - 43.11.4 - 3rd century B.C.–early 1st century A.D.; Hellenistic or Augustan period


Statua di Eros che incorda l'arco da un originale di Lisippo, Museo Capitolino, Roma - MC0410

Eros e o Centauro - Museu do Louvre, Paris