quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Complementado a lista de pesquisas que irão ser desenvolvidas em 2009 nos Grupos do CNPq, Imagens da Antigüidade Clássica e Elegia Clássica, sob minha orientação, temos:

  1. Melina Rodolpho - "Ékphrasis e Euidentia nas Letras Latinas: doutrina e práxis" - Financiamento CNPq. Dissertação de Mestrado.
  2. Cecília Gonçalves Lopes - "Covenções Literárias nas Elegias de Ovídio" - Financiamento CAPES. Dissertação de Mestrado.
  3. Lya Valéria Grizzo Serignolli - "Imagines Amoris". Iniciação Científica.
  4. Irene Cristina Boschiero - "Imagines poetae". Tese de Doutorado.
  5. Simone Demboski Tonidandel - "A representação feminina e o poder em Roma na Dinastia Júlio- Claudiana". Dissertação de Mestrado.
  6. Denise de Souza Ablas - "Aníbal por Tito-Lívio e a batalha de Cannae". Iniciação Científica.
  7. Henrique Verri Fiebig - "Edição Brasileira da Obra: Die antiken Schriftquellen zur Geschichte der bildenden Künste bei den Griechen de Johannes Adolf Overbeck (1868)". Iniciação Científica.
  8. Cynthia Helena Dibbern - "O éthos de Aníbal em Tito-Lívio: uma imago". Iniciação Científica.
  9. Érica Danzi Lemos - "Remedia Amoris: Tradução, Introdução e Notas". Outra Natureza. (Pré-Projeto de Mestrado)

Confira os Grupos:

Imagens da Antigüidade: http://dgp.cnpq.br/buscaoperacional/detalhegrupo.jsp?grupo=0067802NX9IQZB

Elegia Clássica: http://dgp.cnpq.br/buscaoperacional/detalhegrupo.jsp?grupo=00678023AKW5DM

Confira a descrição dos Projetos de Pesquisa: http://www.fflch.usp.br/dlcv/lc/index_arquivos/Page3283.htm

Balanço de 2008

Entre Dezembro de 2007 e Dezembro de 2008, o blog Letras e Artes foi visitado por:

18.682 pessoas

Dessas temos a seguinte distribuição geográfica por acessos:

1. Brasil: 16.464
2. Portugal: 1.581
3. EUA: 197
4. Espanha: 76
5. Itália: 52
6. França: 37
7. Alemanha: 33
8. Reino Unido: 28
9. Moçambique e Argentina: 21
11. Japão: 15
12. Bélgica: 14
13. Suiça: 9
14. Angola e México: 8
16. Canadá: 7
17. Polônia e Bolívia: 6
19. Israel e Venezuela: 5
21. Porto Rico, Colômbia, Peru e Equador: 4
25. Panamá, Bulgária, Turquia, Irlanda, Costa Rica, Coréia do Sul, Romênia, Holanda, Cabo Verde: 3
34. União Européia, Emirados Árabes, Quênia, Rússia, Suécia, El Salvador, Croácia, Grécia, Áustria, Finlândia, Noruega e Eslovênia: 2
47. Bangladesh, Guatemala, Luxemburgo, Índia, Rep. Tcheca, Tailândia, Dinamarca, Liechtenstein, Namíbia, Cambódia, Argélia, Uruguai, Lituânia, Chipre, Formosa, China, Indonésia e Marrocos: 1

Desde o primeiro dia na rede (Junho de 2007), o Blog já foi visitado por:

30.155 pessoas

domingo, 21 de dezembro de 2008

Os dez + ou - de 2008

Talvez o meu maior defeito seja a impaciência, vislumbrada ou observável principalmente quando sou colocado à prova diante de certas categorizações como: Qual é seu filme ou livro predileto? De zero a dez, qual a nota que você dá para tal espetáculo? Quais são os seus dez restaurantes favoritos? Quem é melhor Machado ou Guimarães? Você acha que Kubrick está entre os grandes cineastas do século XX?

Parece-me que a sistemática e contínua necessidade dos outros - mormente do meu filho de 12 anos - em saber qual é a minha opinião, tira-me o prumo, torna-me avesso à crítica, faz-me perder a razão. Enfim me irrita. Talvez a minha falta de memória, talvez a minha incompetência, talvez o receio de não poder mudar de idéia sejam os responáveis por não querer entrar na onda do top ten.
Nesse fim de ano, entretanto, fiz um balanço do que gostei e não-gostei, peço, apenas, que não me cobrem essas posições depois de amanhã. Vamos lá, Paulinho, vou dar minha lista:


1. Cinema

Sem sombra de dúvidas, a sétima arte nos brindou com uma animação genial: Wall-E é uma pérola. Enredo bem sacado, personagens perfeitamente construídos, quase inexistência de diálogos verbais que cede espaço à ação e à sensibilidade são alguns aspectos que devem ser observados nessa obra fantástica da Pixar, que talvez só possa ter como êmulo a imbatível A Era do Gelo (2002) da Blue Sky, com o seu inesquecível e impecável Scrat, um exemplo de conduta humana, ops...


2. Museu

Quando pensamos num Museu, invariavelmente, pensamos em algo estático e unilateral. Isto é, um espaço de fruição em que nós passivamente somos colocados diante das peças, admiramos os detalhes e guardamos as informações. O acervo, portanto, independe de nós. Somos pólos passivos da arte, da história, enfim, da informação.

O Museu do Futebol, inaugurado no segundo semestre 2008 no Estádio Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu, em São Paulo, quebra essa lógica. Lá os espectadores são parte do acervo. Cada um, por e com seus próprios motivos, é contemplado no acervo e dele frui. Os espectadores, assim, deixam de lado a tristeza de uma única possibilidade, a passividade e ativamente também gozam do ludismo das "armadilhas" e das "artemanhas" dessa nova concepção de museológica. Dou dois exemplos:

A sala dos "Anjos Barrocos" solapa a razão. Eleva-nos e nos torna partícipes do mundo sublime e divino de nossos deuses ludopédicos. Esses flutuam num "mar sombrio e etéreo de sombras vivas" lá e em nós; só a eles é dado o direito à luz que, curiosamente, também nos basta. Os seres divinos brilham como brilharam. Como se Píndaro tivesse tradução visual. Afinal, um dia ele disse: "O homem é a sombra de um sonho."

A sala das "Torcidas" é antítese da dos "Anjos". Lá falavam os deuses, cá os homens falam. Naquela a mudez divina, nesta a eloqüência coletiva. Lá o sonho, cá a realidade. O ambiente etéreo cede espaço ao tectônico, pois, efetivamente, nós estamos encurralados entre as fundações do estádio e o avesso das arquibancadas, somos postos à prova das emoções que nós construímos.

3. Retrô


Acho que em 1976, quando tinha apenas 14 anos, fui ao cinema assistir a um filme, que para muitos à época foi considerado medíocre e cuja única qualidade era ser o palco de uma nova técnica fotográfica no cinema - longas cenas à luz de velas - e cujo principal defeito era ser interminável: Barry Lyndon. Já naquela época, eu discordava dessa crítica. Tanto é que assisti ao filme duas vezes seguidas, o que me fez ficar no cinema mais de seis horas. Algo me atraía no filme, porém não sabia dizer o porquê. Nesse ano revi atentamente essa obra de Kubrick e continuo discordando da crítica. O filme rompe com a idéia de gênero épico no cinema pelo simples fato de não ser épico, é histórico é uma "bíos", uma "uita". Sua unidade não está no enredo, está no personagem. Uma recolha de ações que caracterizam a vida de um anti-herói irlandês no final do século XVIII.


4. Televisão


Capitu. Esse é o nome da minisérie exibida pela Globo em dezembro. Sob a direção de Luiz Fernando Carvalho, a minisérie descortina Dom Casmurro de Machado de Assis. Com uma linguagem diferenciada, mas já conhecida do público, Luiz Fernando traduz a linguagem verbal de Machado em linguagem televisiva com ares de sofisticação massificada, como que um Gerald Thomas global. É uma pena. Machado não carece de explicação, basta lê-lo. A sugestão da língua literária e a produção de seus efeitos de sentido jamais deveriam estar sujeitas a esse tipo de tradução. É melhor para todos: para Machado, para o diretor e, principalmente, para nós. Ao fim e ao cabo, a conclusão a que se chega é: Machado é genial. Que novidade!


5. Restaurante



O Maní na Joaquim Antunes, 210 no Jd. Paulistano em São Paulo é um sonho bom. Sob o comando dos chefs Daniel Redondo e Helena Rizzo é um lugar que deve ser visitado. O ambiente é extremamente agradável, o atendimento é cordial e, principalmente, o cardápio é instigante e saboroso. Vale conferir o Bobó de camarão, montado sobre um o purê de mandioquinha, com cogumelos. Delicado, o prato dá saudades antes de acabar. O cosmopolitan é delicioso e diferente. Os pirulitos de parmezão são inusitados. Os pãezinhos do couvert, chocantes, e as sobremesas, de outro mundo. Para o almoço, vá cedo ou reserve. Lota.


6. Latinhas da Brahma


Sou um bebedor de cerveja. Todos sabem. Não vivo sem. Encantou-me a série "bemorativa" de latinhas da Cervejaria mais famosa do Brasil: A Brahma. Só ontem consegui a última das doze.


7. Boteco

Há anos leio que o Frangó na Freguesia do Ó em São Paulo tem as melhores coxinhas de galinha de São Paulo. Confirmado, não há nada parecido. Afora, a coleção de Cervejas. Sensacional! Há que se dizer que a localização - Largo da Matriz da Nossa Senhora do Ó - faz diferença. Primeiro é completamente fora "do circuito" (Jardins, Moema, V. Madalena, V. Olímpia). Segundo: imprime certo ar reverencial e religioso que combina com o bem beber e o bem comer.
8. Sorvete

Não gosto muito de doces. Não sou fã de chocolate. Sorvetes: até esse ano somente o Häagen-Dazs de Doce de Leite e de Morango. Cedendo a pressões amorosas, experimentei o Stupendo de Eduardo Guedes. Digo hoje: Não vivo sem o sorvete de bem-casado.

9. RC/SPFC/Muricy e SFC

Adoro futebol. E isso sempre mo foi fácil, sou santista. Afinal, não me faltam craques, tampouco glórias para reverenciar e para cultivar na Memória com os auspícios de Mnemosyne - redundância! Mas, muito sofri em 2008! Motivos abumdaram. Um time fraco e que jogou feio são os primeiros da lista interminável de defeitos. Pobre Glorioso Santos!
Agora algo há no ludopédico que não suporto mais: Muricy, associado a Rogério Ceni e a São Paulo Futebol Clube. Que coisa chata! Dor-de-cotovelo? Simmmmmmm! Tenho-a. Talvez já tenha chegado a hora da reviravolta...Esperemos...

10. Programação Esportiva na TV

Os canais ESPN são demais. Um show. Bate-Bola 1 e 2, Sportcenter, É rapidinho e o imperdível Linha de Passe fazem diferença. Todos os dias. Juca, Trajano, Palomino, Calazans, Márcio Guedes, PVC, João Carlos, Mauro Cezar, Calçade, Soninha, Amigão, Antero Greco, entre tantos, tornam certamente nossas vidas mais felizes.

sábado, 13 de dezembro de 2008

London Roman Art Seminar - 2009

12 January
Dr Antony Eastmond (Courtauld Institute)
Consular Diptychs: Paradoxes and Problems

26 January
Dr Caroline Vout (Cambridge)
Sculpture and Epic

9 February
Lisa Shekede (Independent)
A Nabataean Wall Painting at Siq al-Barid, Petra: Context and Conservation

23 February
Jason Mander (Oxford)
The Iconography of the Roman Family: Interpreting Portraits of Children in Funerary Contexts

9 March
Ben Russell (Oxford)
The Good Shepherd Sarcophagus from Salona and the Stone Trade

11 May
Amanda Claridge (Royal Holloway)
Reading Trajan's Column


Dr Peter Stewart
Senior Lecturer in Classical Art and its Heritage
The Courtauld Institute of Art
Somerset House, Strand, London WC2R 0RN
Tel: +44 (0)20 7848 2163

Email: peter.stewart@courtauld.ac.uk
www.courtauld.ac.uk

All seminars held on Mondays at 5.30pm in Seminar Room 1, The Courtauld Institute of Art, Somerset House, Strand, London. For further info contact A.Claridge@rhul.ac.uk or peter.stewart@courtauld.ac.uk

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Ovídio – Tristia, 2,515-556 - Uma Tradução

scribere si fas est imitantes turpia mimos, -515
materiae minor est debita poena meae.
an genus hoc scripti faciunt sua pulpita tutum,
quodque licet, mimis scaena licere dedit?
et mea sunt populo saltata poemata saepe,
saepe oculos etiam detinuere tuos. -520
scilicet in domibus vestris ut prisca virorum
artificis fulgent corpora picta manu,
sic quae concubitus varios Venerisque figuras
exprimat, est aliquo parva tabella loco.
utque sedet vultu fassus
[1] Telamonius iram, -525
inque oculis facinus barbara mater habet,
sic madidos siccat digitis Venus uda capillos,
et modo maternis tecta videtur aquis.
bella sonant alii telis instructa cruentis,
parsque tui generis, pars tua facta canunt. -530
invida me spatio natura coercuit arto,
ingenio vires exiguasque dedit.
et tamen ille tuae felix Aeneidos auctor
contulit in Tyrios arma virumque toros,
nec legitur pars ulla magis de corpore toto, -535
quam non legitimo foedere iunctus amor.
Phyllidis hic idem teneraeque Amaryllidis ignes
bucolicis iuvenis luserat ante modis.
nos quoque iam pridem scripto peccavimus isto:
supplicium patitur non nova culpa novum; -540
carminaque edideram, cum te delicta notantem
praeterii totiens rite citatus eques.
ergo quae iuvenis mihi non nocitura putavi
scripta parum prudens, nunc nocuere seni.
sera redundavit veteris vindicta libelli, -545
distat et a meriti tempore poena sui.
ne tamen omne meum credas opus esse remissum,
saepe dedi nostrae grandia vela rati.
sex ego Fastorum scripsi totidemque libellos,
cumque suo finem mense volumen habet, -550
idque tuo nuper scriptum sub nomine, Caesar,
et tibi sacratum sors mea rupit opus;
et dedimus tragicis sceptrum regale tyrannis,
quaeque gravis debet verba cothurnus habet;
dictaque sunt nobis, quamvis manus ultima coeptis -555
defuit, in facies corpora versa novas.


[1] Fassus – fateor. Como partcípio passado do depoente, traduzo ativamente.

Se é direito escrever algo torpe, que imitam os mimos,
pena menor é devida à minha matéria.
Acaso seus tablados tornam este gênero de escrita seguro,
Algo lícito, ou a cena deu aos mimos ser lícito?
Amiúde meus poemas são apresentados ao povo
Amiúde até mesmo têm ocupado os teus próprios olhos.
É lógico, em tua casa, assim como fulgem as antigas imagens
De varões, também há corpos pintados com as mãos do artista,
Assim há também, em algum lugar, um pequeno quadro que
Exprime figuras de Vênus e variadas fodas.
E como Telamônio
[1], indicando ira na face, está pendurado,
E a mãe bárbara reflete crime nos olhos,
Assim Vênus úmida seca com os dedos os cabelos molhados,
E é vista coberta apenas pelas águas maternas.
Outros soam guerras erigidas com dardos cruentos,
Uns cantaram tua estirpe, outros, teus feitos.
A ínvida natureza me refreou com estreito espaço,
Deu exíguas forças a meu engenho.
Contudo, aquele feliz autor de tua Eneida
Reuniu armas e varões em leitos tírios
[2]
Nenhuma parte de todo corpo é mais lida do que
O amor jungido por uma união não legítima.
Aquele mesmo, ainda rapaz, cantara os ardores de Fílis
e da tenra Amarílis, em versos bucólicos.
Nós também já erramos há tempos com este escrito:
Um erro antigo sofre um novo suplício;
Eu publicara carmes, quando, cavaleiro ligeiro
[3], tanta vez,
Passei diante de ti que comentava exatamente os meus delitos.
Logo estes escritos de juventude não julguei, pouco prudente,
Que seriam nocivos, já agora são nocivos ao velho.
A punição do velho livrinho redundou tardia
E a pena dista no tempo de seu mérito.
Não creias, entretanto, que toda minha obra seja frouxa
[4],
Sempre dei grandes velas aos nossos remos.
Já escrevi seis livros e tantos outros de Fastos,
E com o teu mês dou fim ao volume,
E, ainda há pouco, a minha sorte interrompeu esta obra,
Escrita e consagrada a ti, sob teu nome, César;
E dediquei o cetro real ao trágico tirano,
O grave coturno possui as palavras que deve ter;
Cantadas por mim, ainda que a última demão falta à empresa
Em novas faces estão os corpos transformados.

[1] Ájax.
[2] Cartagineses.
[3] Citatus – rápido, ligeiro. Na retórica, vivo.
[4] Remissus – de remittere. Em sentido estilístico: frouxo, doce, mole, suave.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Orientações em Curso

O ano de 2009 promete bons frutos:

Algumas orientações que realizo ou irei realizar:

  1. Melina Rodolpho - "Ékphrasis e Euidentia nas Letras Latinas: doutrina e práxis" - Financiamento CNPq. Dissertação de Mestrado.
  2. Cecília Gonçalves Lopes - "Covenções Literárias nas Elegias de Ovídio" - Financiamento CAPES. Dissertação de Mestrado.
  3. Lya Valéria Grizzo Serignolli - "Imagines Amoris". Iniciação Científica.
  4. Irene Cristina Boschiero - "Imagines poetae". Tese de Doutorado.
  5. Simone Demboski Tonidandel - "A representação feminina e o poder em Roma na Dinastia Júlio- Claudiana". Dissertação de Mestrado.
  6. Denise Ablas - "Aníbal por Tito-Lívio e a batalha de Cannae". Iniciação Científica.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Conferência Internacional

O Programa de Pós-Graduação em Letras Clássicas da Universidade de São Paulo convida a todos para a conferência de David Bouvier, membro do Centre Louis Gernet, Paris dia 01/12/08 às 10:00h, no Prédio de Letras, FFLCH, USP:

"Peut-on traduire une émotion érotique?
L'éxemple de la poésie de Sappho (fr. 31 Voigt)"

Ovídio, Epistulae Ex Ponto 4, 16 - Uma Tradução

Inuide, quid laceras Nasonis carmina rapti?
Non solet ingeniis summa nocere dies
famaque post cineres maior uenit et mihi nomen
tum quoque, cum uiuis adnumerarer, erat,
cumque foret Marsus magnique Rabirius oris
Iliacusque Macer sidereusque Pedo
et qui Iunonem laesisset in Hercule, Carus,
Iunonis si iam non gener ille foret,
quique dedit Latio carmen regale, Seuerus
et cum subtili Priscus uterque Numa,
quique uel inparibus numeris, Montane, uel aequis
sufficis et gemino carmine nomen habes,
et qui Penelopae rescribere iussit Vlixem
errantem saeuo per duo lustra mari,
quique suam Troezena inperfectumque dierum
deseruit celeri morte Sabinus opus,
ingeniique sui dictus cognomine Largus,
Gallica qui Phrygium duxit in arua senem,
quique canit domito Camerinus ab Hectore Troiam,
quique sua nomen Phyllide Tuscus habet,
ueliuolique maris uates, cui credere posses
carmina caeruleos composuisse deos,
quique acies Libycas Romanaque proelia dixit,
et scriptor Marius dexter in omne genus,
Trinacriusque suae Perseidos auctor et auctor
Tantalidae reducis Tyndaridosque Lupus,
et qui Maeoniam Phaeacida uertit, et, une
Pindaricae fidicen, tu quoque, Rufe, lyrae,
Musaque Turrani tragicis innixa coturnis
et tua cum socco Musa, Melisse, leui;
cum Varius Graccusque darent fera dicta tyrannis,
Callimachi Proculus molle teneret iter,
Tityron antiquas Passerque rediret ad herbas
aptaque uenanti Grattius arma daret,
Naidas a satyris caneret Fontanus amatas,
clauderet inparibus uerba Capella modis,
cumque forent alii, quorum mihi cuncta referre
nomina longa mora est, carmina uulgus habet,
essent et iuuenes, quorum quod inedita cura est,
adpellandorum nil mihi iuris adest.
Te tamen in turba non ausim, Cotta, silere,
Pieridum lumen praesidiumque fori,
maternos Cottas cui Messalasque paternos,
Maxime, nobilitas ingeminata dedit.
Dicere si fas est, claro mea nomine Musa
atque inter tantos quae legeretur erat.
Ergo submotum patria proscindere, Liuor,
desine neu cineres sparge, cruente, meos!
Omnia perdidimus, tantummodo uita relicta est,
praebeat ut sensum materiamque mali.

Quid iuuat extinctos ferrum demittere in artus?
Non habet in nobis iam noua plaga locum.

Episatulae Ex Ponto - 4,16 - Tradução: Paulo Martins

Invejoso, por que rasgas os carmes do exilado Ovídio?
O último dia não costuma prejudicar os engenhos
e a fama depois das cinzas vem maior.
Assim também eu tinha um nome,
quando eu era contado entre os vivos.
Quando estavam entre nós, Marso[1]
e o Rabírio[2] grandiloqüente e o troiano Macro[3]
e o celeste Pedão[4] e aquele Caro[5]
que ultrajou Juno em seu Hércules,
como se agora este não fosse genro de Juno.
E aquele Severo[6] que deu ao Lácio um carme real.
E com o preciso Numa[7] e juntamente com cada Prisco[8].
E tu, Montano[9], que te sustentas,
seja nos versos desiguais, seja nos iguais
e tens renome por carme geminado.
E aquele que fez Ulisses, errante no sevo mar
por dois lustros[10], escrever à Penélope.
E aquele Sabino[11] que desertou sua Trezena[12]
à rápida morte, trabalho inacabado de dias.
E Largo[13], reconhecido pela alcunha de seu engenho,
que conduziu o velho frígio[14] na seara gaulesa.
E aquele Camerino[15] que canta Tróia de Heitor contido.
E aquele Tusco[16] que tem o nome de sua Fílis,
poetas do velivolente mar, para quem tu podes acreditar
que os deuses cerúleos compuseram os carmes.
Ele que cantou as armas líbias e as batalhas romanas.
E o escritor Mário[17], destro em qualquer gênero.
E o trinácrio
[18], autor da Perseida
e Lobo[19], autor da volta da Tindárida[20] com o Tantálida[21].
E aquele que traduziu a Feácia meônia

e tu também, Rufo, músico da lira de Píndaro.
E a Musa apoiada nos coturnos trágicos de Turrânio

e tua Musa, Melisso[22], com socos leves.
Enquanto Vário[23] e Graco[24] derem feros ditos aos tiranos;
Próculo[25] tiver suave caminho de Calímaco
e o Pásser[26] retornar a Títiro[27] junto as antigos prados
e Grácio[28] der armas aptas a quem caça;
enquanto Fontano[29] cantar as Ninfas, amadas pelos sátiros;
enquanto Capela[30] mancar as palavras em versos desiguais;
e existirem outros, cujos nomes me são longos
e demorados para referir, o vulgo terá poemas.
E quanto aos jovens, dos quais são inéditos os poemas,
nenhum juízo meu devo dirigir.
Embora não ousarei, em meio a turba,
silenciar-me sobre ti, Cota, lume das piérides
e patrono do fórum, a quem a nobreza geminada
deu precisamente de mãe os Cota e de pai os Messala.
Se fas é dizer, Musa de meu nome preclaro,
entre tantos que houve, ela haverá de ser lida.
Portanto, Inveja, pára de dilacerar o exilado da pátria,

nem, cruenta, esparge minhas cinzas!
Perdi tudo, somente a vida me resta;

que ela me ofereça sensibilidade e matéria do mal.
De que vale enviar o ferro ao extinto corpo?
Agora uma nova ferida não tem lugar em mim.

Notas

[1] Domício Marso, poeta do século de Augusto, conhecido por seus epigramas. Escreveu um epitáfio sobre Tibulo e um poema épico sobre as amazonas.
[2] Poeta contemporâneo de Virgílio. Escreveu uma épica sobre os fados de Marco Antônio.
[3] Emílio Macro, poeta épico latino que escreveu sobre Tróia e que viajou com Ovídio para a Sicília.
[4] Provavelmente, Pedão Albidovano, poeta do século de Augusto, que serviu como soldado com Germânico na Germânia. Escreveu epigramas.
[5] Caro é um poeta da época de Augusto. Amigo de Ovídio que cuidou da educação dos filhos de Germânico, Nero e Druso.
[6] Cornélio Severo, poeta épico que escreveu sobre as guerras na Sicília entre Otávio e Pompeu entre (38-36 a.C.). Ele era membro do grupo de Messala, mencionado por Quintiliano e Sêneca.
[7] Poeta da época de Augusto.
[8] Dois poetas da época de Augusto: um é, provavelmente, Clutório Prisco, que escreveu um lamento sobre a morte de Germânico e o outro é desconhecido.
[9] Júlio Montano é um amigo de Tibério. Sêneca o considera um ótimo poeta.
[10] Lustro é o período de cinco anos.
[11] Poeta épico e elegiac da época de Augusto. Escreveu respostas àlgumas Heroides de Ovídio, um poema sobre o calendário e talvez um Tróia.
[12] Cidade do Peloponeso.
[13] Poeta épico que escreveu sobre as andaças de Antenor (fundador de Pádua), algumas vezes identificado como Valério Largo, acusador de Cornélio Galo.
[14] Antenor.
[15] Poeta épico da época de Augusto.
[16] Poeta da época de Augusto que escreveu Fílis. Cf. Propércio 2,22.
[17] Poeta da época de Augusto.
[18] Da Sicília.
[19] Poeta da época de Augusto que escreveu sobre o retorno de Helena e Menelau.
[20] Helena.
[21] Menelau.
[22] Gaio Melisso, um colaborador de Mecenas, gramático, poeta e bibliotecário. Ele escreveu Trabeatae, comédias romanas de costumes sobre a ordem equestre, desenvolvendo, pois, uma forma augustana da antiga Togatae. Protegido de Mecenas, ele organizou a biblioteca no pórtico de Otávia.
[23] Lúcio Vário Rufo, poeta augustano, reconhecido por suas tragédias e épicas.
[24] Provavelmente Tito Semprônio Graco, escritor de tragédias e descendente do grande Graco.
[25] Poeta augustano erótico que emulava Calímaco.
[26] Poeta augustano.
[27] Pastor símbolo da poesia pastoral.
[28] Poeta da época de Augusto que compôs poema sobre a caça Cinergética e bucólicas.
[29] Poeta bucólico da época de Augusto.
[30] Poeta desconhecido da época de Augusto que escreveu elegias.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Shining de Kubrick, uma bela leitura

Caros Leitores: o texto que segue é um trabalho de dois meninos de 12 anos, publicado no site cineplayers.com: o primeiro, é meu filho como o nome denuncia. Espero que gostem. Vale lembrar que esste é o segundo texto dele que publico. O outro é sobre Pulp Fiction do Tarantino.

por Paulo Martins Filho e Luiz Fernando Coutinho.

Kubrick era um diretor introspectivo, não dava entrevistas e não tinha costume de sair em público. Mas sua carreira no cinema foi brilhante. Muitos acreditam que ele era extremamente perfeccionista, há boatos de que ele chegou a "enlouquecer" a atriz Shelley Duvall, fazendo-a regravar mais de 100 vezes a famosa cena do banheiro.

Produziu filmes como o polêmico Laranja Mecânica, o inovador 2001: Uma Odisséia no Espaço, o engraçado Dr. Fantástico e o assustador O Iluminado. É desse último que irei comentar agora.

Jack Torrance é um homem comum, desempregado e que precisa de sossego para escrever um livro. Para isso, consegue um emprego de zelador no Hotel Overlook, localizado longe da civilização. Vai morar lá com sua mulher Wendy e seu filho Danny, de 5 anos, durante uma temporada de seis meses. Sozinhos. Porém, o Overlook não é um hotel comum. O tempo esqueceu de enterrar velhos ódios, de cicatrizar velhas feridas. É uma chaga aberta de ressentimento e desejo de vingança. O Overlook é o que podemos chamar de uma sentença de morte.

Há um tempo atrás, um pai foi com sua mulher e suas filhas, gêmeas, para o hotel com o mesmo objetivo de Jack, ter sossego. Depois de alguns meses passados, ele enlouqueceu, matou as duas filhas e a mulher com um machado, cortando-as em pedaçinhos. Depois, suicidou-se no sombrio quarto 217, considerado assombrado.O mesmo acontece com Jack, que também enlouquece e tenta matar seu filho e sua mulher.



Muitas pessoas que não assistiram ao filme acham que o Iluminado é Jack, mas na verdade, o verdadeiro "Shining" é Danny, seu filho. O garoto é capaz de ouvir pensamentos. E pode tranportar-se no tempo e olhar o passado e o futuro. Maldição ou bênção? A resposta está guardada na imponência assustadora do hotel Overlook. Danny diz que dentro de sua boca há um menino chamado Johnny que fala coisas ao garoto sobre seu dom, obrigando-o a não contar a ninguém, nem mesmo seus pais. Logo no começo, o dono do hotel se revela ao menino, se intitulando Iluminado também.



Cheio de cenas antológicas, como a de Danny andando de triciclo nos sombrios corredores do hotel, a de Jack falando que "Johnny está aqui", isso mesmo, o mesmo citado acima, e o rio de sangue saindo do elevador do hotel. Além de ser um marco na história cinematográfica do terror, O Iluminado é constantemente "copiado" de alguns filmes sem o menor brilho, o mais atual é "O Filho de Chucky", comédia de humor negro. Outra cena memorável é também perturbante, na qual Wendy lê o que Jack escreveu durante o tempo que estiveram lá. SPOILER: não era uma história.



Jack Nicholson é Jack Torrance. Sua interpretação se encaixa perfeitamente no estado e na loucura de sua personagem. Pessoalmente, não considero a interpretação de Shelley Duvall boa como a de Nicholson. Até o menino Danny Lloyd, de 7 anos, consegue ter mais carisma do espectador que a atriz. Tendo um papel muito complicado, interpretando um garoto com sérios problemas psicológicos, a atuação de Lloyd impressiona. Pena que depois de um tempo, como vários outros atores mirins, Danny Lloyd caiu no ostracismo, não fazendo nenhum outro papel em filmes. Scatman Crothers, apesar de ter uma pequena ponta como o dono do hotel, faz um trabalho razoável.



Apesar da trilha sonora ser regular o que se destaca é o inquietante, até mesmo irritante zombido que é posto no filme quando Danny tem seus surtos e convulsões. A fotografia é regular e o manuseio da câmera é inovador. Tem algumas cena que sentimos ser o próprio Danny. A roupa dos personagens é simples e perfeita. O som é ótimo.

O filme é baseado no homônimo livro de Stephen King, "Shining", "O Iluminado", aqui no Brasil. King é o escritor com mais adaptações feitas na história do cinema. Dentre elas estão ótimos filmes como Um Sonho de Liberdade e À Espera de Um Milagre, ambos do diretor Frank Darabont. No Brasil é distribuído pela Editora Objetiva.

O Iluminado é um terror psicológico que inovou uma geração, devido aos seus recursos modernos para a época. A sinopse do site diz: "Considerado por muitos o mais fraco dos filmes de Kubrick."


Porém, considero um dos melhores terrores de todos os tempos e também um dos melhores do gênio.
Um pequeno trecho:

sábado, 15 de novembro de 2008

Bucólicas de Virgílio - Odorico Mendes


BucólicasVirgílio
ISBN: 978-85-7480-394-4
As Bucólicas de Virgílio, com sua densa musicalidade e seus pastores-poetas que, em meio à paisagem amena do campo, celebram seus amores e disputam entre si a primazia no canto, são recriadas em português por Manuel Odorico Mendes, um dos mais hábeis e interessantes tradutores de poesia que o Brasil já teve. Esta edição – bilíngüe e ricamente anotada e comentada pelo Grupo de Trabalho Odorico Mendes, sediado no Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp –, além do esclarecimento do vocabulário e da sintaxe, traz para cada poema um comentário minucioso, em que se apontam, para o leitor que deseja penetrar nesse laboratório brilhante de recriação poética, os modos vários como Odorico Mendes recria em português os sons, ritmos, efeitos de sintaxe e a ordem expressiva das palavras do original latino. Nos 150 anos de sua primeira publicação no livro Virgílio Brasileiro, a Ateliê Editorial e a Editora da Unicamp, com apoio da Fapesp, reeditam esta obra do grande poeta latino em uma de suas traduções mais bem cuidadas e instigantes.
Medidas: 18 x 27 cm