Espaço dedicado às letras e às artes, especialmente e não exclusivamente do mundo greco-romano antigo. Paulo Martins - IAC/PPGLC/USP
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Veyne Novamente...
Caros Editores,
É com pesar que venho exigir o envio imediato das notas de rodapé do livro "Império Greco-Romano" de Paul Veyne.
Lembro a V.Sas. que consta do livro em questão a seguinte informação: "as notas estão disponíveis no site www.campus.com.br" o que não ocorre.
Isso de acordo com a lei constitui CRIME CONTRA O PATRIMÔNIO: Estelionato, artigo 171 do Código Penal Brasileiro, em que está escrito: "obter para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento."
Por outro lado, vale lembrar que a obra em sua versão original com 878 páginas custa 25 euros, contra 61 euros da versão brasileira editada por V.Sas. com 478 páginas!
Caso não seja atendido prontamente, farei a queixa crime e além de pedir o ressarcimento por danos morais. Além de, naturalmente, divulgar junto à comunidade universitária (público-alvo da obra e de grande parte suas publicações) o ocorrido.
Grato
Prof. Dr. Paulo Martins
da Universidade de São Paulo
Até agora...Nada...
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Engodo Editorial ou Estelionato Acadêmico ou simplesmente uma vergonha
Paul Veyne é o historiador que melhor trata da Antiguidade. Seus textos são deliciosos, sofisticados, sutis, irônicos, saborosos, precisos, enfim, riquíssimos tanto na forma, como no conteúdo. O historiador francês de 79 anos é um dos principais especialistas em Antigüidade e professor emérito do prestigiado Collège de France, onde lecionou de 1975 a 1998, na cadeira de História de Roma.

Esperado por aqueles que se interessam por História Romana com ansiedade, o livro em si, como não poderia deixar de ser, é magnífico. Trata de um mito acadêmico, a separação das cadeiras de Grego e Latim dentro da Universidade Francesa que, natural e obviamente, ab ouo, repercute no Brasil: a distinção e oposição entre Grécia e Roma. Daí, a ficção é desmitificada por Veyne. Vale-se da questão linguistica, das representações e da cultura material que se estendia do Afeganistão à Escócia. Desnuda a dicotomia e, por fim, comprova que Grécia e Roma são verso e obverso da mesma moeda. Assim, o livro vale ser lido.
A questão que se coloca, entretanto, é outra. Não depende da capacidade de Veyne, antes, daqueles que detêm o direito de publicação sobre essa obra no Brasil: a editora Campus, ou melhor, a editora engodo, a editora farsa, ou melhor, bufa, bazófia.
Quando vamos às livrarias, temos a nítida sensação de que estamos sendo ROUBADOS. O livro custa nada menos que R$ 179,00. Mas isso não é nada, afinal estamos diante de um Clássico. Pagamos! O livro é uma brochura com 448 páginas, sendo 20 páginas de "miolo" em papel cuchê leve - leia-se barato-, com imagens monocromáticas (preto e branco). Algo que no máximo valeria R$ 70,00. Mas tudo bem... é Veyne! Após lermos o prólogo elucidativo e um sumário esclarecedor, estamos diante do primeiro capítulo em cujo título há uma nota de pé de página: "As notas de referência desta obra estão disponíveis no site da editora: http://www.campus.com.br/ ". Que loucura! Não estou lendo isso! É engano! Que nada, é verdade!
Vamos, então, ao site da famosa editora francesa Editions du Seuil(http://www.editionsdusueil.fr/) e vemos que a edição francesa tem 878 páginas contra as 448 da nacional/tupiniquim. Mas e o preço!? Que nada, o preço da francesa é 25 euros, contra 61 euros da nacional (supondo o euro a R$ 2,9) com 430 páginas a menos. Contudo o roubo não para aí, as notas que a editora se propõe a dispor, não estão no site. Pobre Veyne! Pobre Brasil! O que fazer?
1) NÃO COMPRAR O LIVRO
2) IR AO PROCON DE SUA CIDADE.
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Complementado a lista de pesquisas que irão ser desenvolvidas em 2009 nos Grupos do CNPq, Imagens da Antigüidade Clássica e Elegia Clássica, sob minha orientação, temos:
- Melina Rodolpho - "Ékphrasis e Euidentia nas Letras Latinas: doutrina e práxis" - Financiamento CNPq. Dissertação de Mestrado.
- Cecília Gonçalves Lopes - "Covenções Literárias nas Elegias de Ovídio" - Financiamento CAPES. Dissertação de Mestrado.
- Lya Valéria Grizzo Serignolli - "Imagines Amoris". Iniciação Científica.
- Irene Cristina Boschiero - "Imagines poetae". Tese de Doutorado.
- Simone Demboski Tonidandel - "A representação feminina e o poder em Roma na Dinastia Júlio- Claudiana". Dissertação de Mestrado.
- Denise de Souza Ablas - "Aníbal por Tito-Lívio e a batalha de Cannae". Iniciação Científica.
- Henrique Verri Fiebig - "Edição Brasileira da Obra: Die antiken Schriftquellen zur Geschichte der bildenden Künste bei den Griechen de Johannes Adolf Overbeck (1868)". Iniciação Científica.
- Cynthia Helena Dibbern - "O éthos de Aníbal em Tito-Lívio: uma imago". Iniciação Científica.
- Érica Danzi Lemos - "Remedia Amoris: Tradução, Introdução e Notas". Outra Natureza. (Pré-Projeto de Mestrado)
Confira os Grupos:
Imagens da Antigüidade: http://dgp.cnpq.br/buscaoperacional/detalhegrupo.jsp?grupo=0067802NX9IQZB
Elegia Clássica: http://dgp.cnpq.br/buscaoperacional/detalhegrupo.jsp?grupo=00678023AKW5DM
Confira a descrição dos Projetos de Pesquisa: http://www.fflch.usp.br/dlcv/lc/index_arquivos/Page3283.htm
Balanço de 2008
18.682 pessoas
Dessas temos a seguinte distribuição geográfica por acessos:
1. Brasil: 16.464
2. Portugal: 1.581
3. EUA: 197
4. Espanha: 76
5. Itália: 52
6. França: 37
7. Alemanha: 33
8. Reino Unido: 28
9. Moçambique e Argentina: 21
11. Japão: 15
12. Bélgica: 14
13. Suiça: 9
14. Angola e México: 8
16. Canadá: 7
17. Polônia e Bolívia: 6
19. Israel e Venezuela: 5
21. Porto Rico, Colômbia, Peru e Equador: 4
25. Panamá, Bulgária, Turquia, Irlanda, Costa Rica, Coréia do Sul, Romênia, Holanda, Cabo Verde: 3
34. União Européia, Emirados Árabes, Quênia, Rússia, Suécia, El Salvador, Croácia, Grécia, Áustria, Finlândia, Noruega e Eslovênia: 2
47. Bangladesh, Guatemala, Luxemburgo, Índia, Rep. Tcheca, Tailândia, Dinamarca, Liechtenstein, Namíbia, Cambódia, Argélia, Uruguai, Lituânia, Chipre, Formosa, China, Indonésia e Marrocos: 1
Desde o primeiro dia na rede (Junho de 2007), o Blog já foi visitado por:
30.155 pessoas
domingo, 21 de dezembro de 2008
Os dez + ou - de 2008

Quando pensamos num Museu, invariavelmente, pensamos em algo estático e unilateral. Isto é, um espaço de fruição em que nós passivamente somos colocados diante das peças, admiramos os detalhes e guardamos as informações. O acervo, portanto, independe de nós. Somos pólos passivos da arte, da história, enfim, da informação.
O Museu do Futebol, inaugurado no segundo semestre 2008 no Estádio Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu, em São Paulo, quebra essa lógica. Lá os espectadores são parte do acervo. Cada um, por e com seus próprios motivos, é contemplado no acervo e dele frui. Os espectadores, assim, deixam de lado a tristeza de uma única possibilidade, a passividade e ativamente também gozam do ludismo das "armadilhas" e das "artemanhas" dessa nova concepção de museológica. Dou dois exemplos:
A sala dos "Anjos Barrocos" solapa a razão. Eleva-nos e nos torna partícipes do mundo sublime e divino de nossos deuses ludopédicos. Esses flutuam num "mar sombrio e etéreo de sombras vivas" lá e em nós; só a eles é dado o direito à luz que, curiosamente, também nos basta. Os seres divinos brilham como brilharam. Como se Píndaro tivesse tradução visual. Afinal, um dia ele disse: "O homem é a sombra de um sonho."
A sala das "Torcidas" é antítese da dos "Anjos". Lá falavam os deuses, cá os homens falam. Naquela a mudez divina, nesta a eloqüência coletiva. Lá o sonho, cá a realidade. O ambiente etéreo cede espaço ao tectônico, pois, efetivamente, nós estamos encurralados entre as fundações do estádio e o avesso das arquibancadas, somos postos à prova das emoções que nós construímos.
3. Retrô
sábado, 13 de dezembro de 2008
London Roman Art Seminar - 2009
Dr Antony Eastmond (Courtauld Institute)
Consular Diptychs: Paradoxes and Problems
26 January
Dr Caroline Vout (Cambridge)
Sculpture and Epic
9 February
Lisa Shekede (Independent)
A Nabataean Wall Painting at Siq al-Barid, Petra: Context and Conservation
23 February
Jason Mander (Oxford)
The Iconography of the Roman Family: Interpreting Portraits of Children in Funerary Contexts
9 March
Ben Russell (Oxford)
The Good Shepherd Sarcophagus from Salona and the Stone Trade
11 May
Amanda Claridge (Royal Holloway)
Reading Trajan's Column
Dr Peter Stewart
Senior Lecturer in Classical Art and its Heritage
The Courtauld Institute of Art
Somerset House, Strand, London WC2R 0RN
Tel: +44 (0)20 7848 2163
Email: peter.stewart@courtauld.ac.uk
www.courtauld.ac.uk
All seminars held on Mondays at 5.30pm in Seminar Room 1, The Courtauld Institute of Art, Somerset House, Strand, London. For further info contact A.Claridge@rhul.ac.uk or peter.stewart@courtauld.ac.uk
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Ovídio – Tristia, 2,515-556 - Uma Tradução
materiae minor est debita poena meae.
an genus hoc scripti faciunt sua pulpita tutum,
quodque licet, mimis scaena licere dedit?
et mea sunt populo saltata poemata saepe,
saepe oculos etiam detinuere tuos. -520
scilicet in domibus vestris ut prisca virorum
artificis fulgent corpora picta manu,
sic quae concubitus varios Venerisque figuras
exprimat, est aliquo parva tabella loco.
utque sedet vultu fassus[1] Telamonius iram, -525
inque oculis facinus barbara mater habet,
sic madidos siccat digitis Venus uda capillos,
et modo maternis tecta videtur aquis.
bella sonant alii telis instructa cruentis,
parsque tui generis, pars tua facta canunt. -530
invida me spatio natura coercuit arto,
ingenio vires exiguasque dedit.
et tamen ille tuae felix Aeneidos auctor
contulit in Tyrios arma virumque toros,
nec legitur pars ulla magis de corpore toto, -535
quam non legitimo foedere iunctus amor.
Phyllidis hic idem teneraeque Amaryllidis ignes
bucolicis iuvenis luserat ante modis.
nos quoque iam pridem scripto peccavimus isto:
supplicium patitur non nova culpa novum; -540
carminaque edideram, cum te delicta notantem
praeterii totiens rite citatus eques.
ergo quae iuvenis mihi non nocitura putavi
scripta parum prudens, nunc nocuere seni.
sera redundavit veteris vindicta libelli, -545
distat et a meriti tempore poena sui.
ne tamen omne meum credas opus esse remissum,
saepe dedi nostrae grandia vela rati.
sex ego Fastorum scripsi totidemque libellos,
cumque suo finem mense volumen habet, -550
idque tuo nuper scriptum sub nomine, Caesar,
et tibi sacratum sors mea rupit opus;
et dedimus tragicis sceptrum regale tyrannis,
quaeque gravis debet verba cothurnus habet;
dictaque sunt nobis, quamvis manus ultima coeptis -555
defuit, in facies corpora versa novas.
[1] Fassus – fateor. Como partcípio passado do depoente, traduzo ativamente.
Se é direito escrever algo torpe, que imitam os mimos,
pena menor é devida à minha matéria.
Acaso seus tablados tornam este gênero de escrita seguro,
Algo lícito, ou a cena deu aos mimos ser lícito?
Amiúde meus poemas são apresentados ao povo
Amiúde até mesmo têm ocupado os teus próprios olhos.
É lógico, em tua casa, assim como fulgem as antigas imagens
De varões, também há corpos pintados com as mãos do artista,
Assim há também, em algum lugar, um pequeno quadro que
Exprime figuras de Vênus e variadas fodas.
E como Telamônio[1], indicando ira na face, está pendurado,
E a mãe bárbara reflete crime nos olhos,
Assim Vênus úmida seca com os dedos os cabelos molhados,
E é vista coberta apenas pelas águas maternas.
Outros soam guerras erigidas com dardos cruentos,
Uns cantaram tua estirpe, outros, teus feitos.
A ínvida natureza me refreou com estreito espaço,
Deu exíguas forças a meu engenho.
Contudo, aquele feliz autor de tua Eneida
Reuniu armas e varões em leitos tírios[2]
Nenhuma parte de todo corpo é mais lida do que
O amor jungido por uma união não legítima.
Aquele mesmo, ainda rapaz, cantara os ardores de Fílis
e da tenra Amarílis, em versos bucólicos.
Nós também já erramos há tempos com este escrito:
Um erro antigo sofre um novo suplício;
Eu publicara carmes, quando, cavaleiro ligeiro[3], tanta vez,
Passei diante de ti que comentava exatamente os meus delitos.
Logo estes escritos de juventude não julguei, pouco prudente,
Que seriam nocivos, já agora são nocivos ao velho.
A punição do velho livrinho redundou tardia
E a pena dista no tempo de seu mérito.
Não creias, entretanto, que toda minha obra seja frouxa[4],
Sempre dei grandes velas aos nossos remos.
Já escrevi seis livros e tantos outros de Fastos,
E com o teu mês dou fim ao volume,
E, ainda há pouco, a minha sorte interrompeu esta obra,
Escrita e consagrada a ti, sob teu nome, César;
E dediquei o cetro real ao trágico tirano,
O grave coturno possui as palavras que deve ter;
Cantadas por mim, ainda que a última demão falta à empresa
Em novas faces estão os corpos transformados.
[1] Ájax.
[2] Cartagineses.
[3] Citatus – rápido, ligeiro. Na retórica, vivo.
[4] Remissus – de remittere. Em sentido estilístico: frouxo, doce, mole, suave.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Orientações em Curso
Algumas orientações que realizo ou irei realizar:
- Melina Rodolpho - "Ékphrasis e Euidentia nas Letras Latinas: doutrina e práxis" - Financiamento CNPq. Dissertação de Mestrado.
- Cecília Gonçalves Lopes - "Covenções Literárias nas Elegias de Ovídio" - Financiamento CAPES. Dissertação de Mestrado.
- Lya Valéria Grizzo Serignolli - "Imagines Amoris". Iniciação Científica.
- Irene Cristina Boschiero - "Imagines poetae". Tese de Doutorado.
- Simone Demboski Tonidandel - "A representação feminina e o poder em Roma na Dinastia Júlio- Claudiana". Dissertação de Mestrado.
- Denise Ablas - "Aníbal por Tito-Lívio e a batalha de Cannae". Iniciação Científica.
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Conferência Internacional
Ovídio, Epistulae Ex Ponto 4, 16 - Uma Tradução
Non solet ingeniis summa nocere dies
famaque post cineres maior uenit et mihi nomen
tum quoque, cum uiuis adnumerarer, erat,
cumque foret Marsus magnique Rabirius oris
Iliacusque Macer sidereusque Pedo
et qui Iunonem laesisset in Hercule, Carus,
Iunonis si iam non gener ille foret,
quique dedit Latio carmen regale, Seuerus
et cum subtili Priscus uterque Numa,
quique uel inparibus numeris, Montane, uel aequis
sufficis et gemino carmine nomen habes,
et qui Penelopae rescribere iussit Vlixem
errantem saeuo per duo lustra mari,
quique suam Troezena inperfectumque dierum
deseruit celeri morte Sabinus opus,
ingeniique sui dictus cognomine Largus,
Gallica qui Phrygium duxit in arua senem,
quique canit domito Camerinus ab Hectore Troiam,
quique sua nomen Phyllide Tuscus habet,
ueliuolique maris uates, cui credere posses
carmina caeruleos composuisse deos,
quique acies Libycas Romanaque proelia dixit,
et scriptor Marius dexter in omne genus,
Trinacriusque suae Perseidos auctor et auctor
Tantalidae reducis Tyndaridosque Lupus,
et qui Maeoniam Phaeacida uertit, et, une
Pindaricae fidicen, tu quoque, Rufe, lyrae,
Musaque Turrani tragicis innixa coturnis
et tua cum socco Musa, Melisse, leui;
cum Varius Graccusque darent fera dicta tyrannis,
Callimachi Proculus molle teneret iter,
Tityron antiquas Passerque rediret ad herbas
aptaque uenanti Grattius arma daret,
Naidas a satyris caneret Fontanus amatas,
clauderet inparibus uerba Capella modis,
cumque forent alii, quorum mihi cuncta referre
nomina longa mora est, carmina uulgus habet,
essent et iuuenes, quorum quod inedita cura est,
adpellandorum nil mihi iuris adest.
Te tamen in turba non ausim, Cotta, silere,
Pieridum lumen praesidiumque fori,
maternos Cottas cui Messalasque paternos,
Maxime, nobilitas ingeminata dedit.
Dicere si fas est, claro mea nomine Musa
atque inter tantos quae legeretur erat.
Ergo submotum patria proscindere, Liuor,
desine neu cineres sparge, cruente, meos!
Omnia perdidimus, tantummodo uita relicta est,
praebeat ut sensum materiamque mali.
Quid iuuat extinctos ferrum demittere in artus?
Non habet in nobis iam noua plaga locum.
Episatulae Ex Ponto - 4,16 - Tradução: Paulo Martins
Invejoso, por que rasgas os carmes do exilado Ovídio?
O último dia não costuma prejudicar os engenhos
e a fama depois das cinzas vem maior.
Assim também eu tinha um nome,
quando eu era contado entre os vivos.
Quando estavam entre nós, Marso[1]
e o Rabírio[2] grandiloqüente e o troiano Macro[3]
e o celeste Pedão[4] e aquele Caro[5]
que ultrajou Juno em seu Hércules,
como se agora este não fosse genro de Juno.
E aquele Severo[6] que deu ao Lácio um carme real.
E com o preciso Numa[7] e juntamente com cada Prisco[8].
E tu, Montano[9], que te sustentas,
seja nos versos desiguais, seja nos iguais
e tens renome por carme geminado.
E aquele que fez Ulisses, errante no sevo mar
por dois lustros[10], escrever à Penélope.
E aquele Sabino[11] que desertou sua Trezena[12]
à rápida morte, trabalho inacabado de dias.
E Largo[13], reconhecido pela alcunha de seu engenho,
que conduziu o velho frígio[14] na seara gaulesa.
E aquele Camerino[15] que canta Tróia de Heitor contido.
E aquele Tusco[16] que tem o nome de sua Fílis,
poetas do velivolente mar, para quem tu podes acreditar
que os deuses cerúleos compuseram os carmes.
Ele que cantou as armas líbias e as batalhas romanas.
E o escritor Mário[17], destro em qualquer gênero.
E o trinácrio[18], autor da Perseida
e Lobo[19], autor da volta da Tindárida[20] com o Tantálida[21].
E aquele que traduziu a Feácia meônia
e tu também, Rufo, músico da lira de Píndaro.
E a Musa apoiada nos coturnos trágicos de Turrânio
e tua Musa, Melisso[22], com socos leves.
Enquanto Vário[23] e Graco[24] derem feros ditos aos tiranos;
Próculo[25] tiver suave caminho de Calímaco
e o Pásser[26] retornar a Títiro[27] junto as antigos prados
e Grácio[28] der armas aptas a quem caça;
enquanto Fontano[29] cantar as Ninfas, amadas pelos sátiros;
enquanto Capela[30] mancar as palavras em versos desiguais;
e existirem outros, cujos nomes me são longos
e demorados para referir, o vulgo terá poemas.
E quanto aos jovens, dos quais são inéditos os poemas,
nenhum juízo meu devo dirigir.
Embora não ousarei, em meio a turba,
silenciar-me sobre ti, Cota, lume das piérides
e patrono do fórum, a quem a nobreza geminada
deu precisamente de mãe os Cota e de pai os Messala.
Se fas é dizer, Musa de meu nome preclaro,
entre tantos que houve, ela haverá de ser lida.
Portanto, Inveja, pára de dilacerar o exilado da pátria,
nem, cruenta, esparge minhas cinzas!
Perdi tudo, somente a vida me resta;
que ela me ofereça sensibilidade e matéria do mal.
De que vale enviar o ferro ao extinto corpo?
Agora uma nova ferida não tem lugar em mim.
[1] Domício Marso, poeta do século de Augusto, conhecido por seus epigramas. Escreveu um epitáfio sobre Tibulo e um poema épico sobre as amazonas.
[2] Poeta contemporâneo de Virgílio. Escreveu uma épica sobre os fados de Marco Antônio.
[3] Emílio Macro, poeta épico latino que escreveu sobre Tróia e que viajou com Ovídio para a Sicília.
[4] Provavelmente, Pedão Albidovano, poeta do século de Augusto, que serviu como soldado com Germânico na Germânia. Escreveu epigramas.
[5] Caro é um poeta da época de Augusto. Amigo de Ovídio que cuidou da educação dos filhos de Germânico, Nero e Druso.
[6] Cornélio Severo, poeta épico que escreveu sobre as guerras na Sicília entre Otávio e Pompeu entre (38-36 a.C.). Ele era membro do grupo de Messala, mencionado por Quintiliano e Sêneca.
[7] Poeta da época de Augusto.
[8] Dois poetas da época de Augusto: um é, provavelmente, Clutório Prisco, que escreveu um lamento sobre a morte de Germânico e o outro é desconhecido.
[9] Júlio Montano é um amigo de Tibério. Sêneca o considera um ótimo poeta.
[10] Lustro é o período de cinco anos.
[11] Poeta épico e elegiac da época de Augusto. Escreveu respostas àlgumas Heroides de Ovídio, um poema sobre o calendário e talvez um Tróia.
[12] Cidade do Peloponeso.
[13] Poeta épico que escreveu sobre as andaças de Antenor (fundador de Pádua), algumas vezes identificado como Valério Largo, acusador de Cornélio Galo.
[14] Antenor.
[15] Poeta épico da época de Augusto.
[16] Poeta da época de Augusto que escreveu Fílis. Cf. Propércio 2,22.
[17] Poeta da época de Augusto.
[18] Da Sicília.
[19] Poeta da época de Augusto que escreveu sobre o retorno de Helena e Menelau.
[20] Helena.
[21] Menelau.
[22] Gaio Melisso, um colaborador de Mecenas, gramático, poeta e bibliotecário. Ele escreveu Trabeatae, comédias romanas de costumes sobre a ordem equestre, desenvolvendo, pois, uma forma augustana da antiga Togatae. Protegido de Mecenas, ele organizou a biblioteca no pórtico de Otávia.
[23] Lúcio Vário Rufo, poeta augustano, reconhecido por suas tragédias e épicas.
[24] Provavelmente Tito Semprônio Graco, escritor de tragédias e descendente do grande Graco.
[25] Poeta augustano erótico que emulava Calímaco.
[26] Poeta augustano.
[27] Pastor símbolo da poesia pastoral.
[28] Poeta da época de Augusto que compôs poema sobre a caça Cinergética e bucólicas.
[29] Poeta bucólico da época de Augusto.
[30] Poeta desconhecido da época de Augusto que escreveu elegias.







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