Espaço dedicado às letras e às artes, especialmente e não exclusivamente do mundo greco-romano antigo. Paulo Martins - IAC/PPGLC/USP
sábado, 24 de julho de 2010
Curso de Pós
Disciplina FLC6093: Poesis Tacens, Pictura Loquens: homologias Discursivas entre o Verbal e o Não-Verbal na Roma Tardo-Republicana e Imperial.
A programação inicial está à disposição em: http://www.usp.br/iac/iac_pm.html
Nova Publicação
é com grande satisfação que informamos que o número 24 da Revista de Estudos Filosóficos e Históricos da Antiguidade - Boletim do Centro doPensamento Antigo Clássico, Helenístico e de sua Posteridade Histórica (julho de 2007 - junho de 2008) está disponível em seu formato digital - http://www.antiguidadeonline.org
Nos próximos dias o número 25 também estará no ar. Notificamos, ainda, que a Revista continuará a ser publicada também em papel, com periodicidade semestral, e que se encontra aberta a novas contribuições.Solicitamos a gentileza de divulgar amplamente essas informações.
Glaydson José da Silva
Diretor do CPA - Unicamp
Nesse Número está publicado meu artigo:
"Imagines e Parataxe"
cujo resumo é:
O presente artigo visa a discutir o conceito de parataxe, que foi largamente utilizado por estudiosos da História da Arte e da Literatura para definir a estrutura dispositiva de certas obras da Antigüidade greco-romana. Porém, o termo, sincronicamente tomado, é estranho ao período, configurando certo anacronismo. Seu uso sistemático, assim, nos leva, erradamente, a crer que a parataxe pertence ao vocabulário teórico da poesia, da pintura, da gramática ou da retórica, o que é inconsistente. Contudo, o mesmo uso seria autorizado, se houvesse entre os modernos consenso sobre o significado, o que não ocorre. Dessa forma, se, de um lado, a teorização antiga – gramatical, poética ou retórica – não nos dá a chave do uso e, de outro, a modernidade não colabora com a precisão de sentido, a aplicação do conceito gera dúvidas na hermenêutica do objeto analisado. Nosso intuito, portanto, é delimitar o conceito modernamente e aplicá-lo na observação de algumas imagens da Antigüidade.
Palavras-Chave:
Iconografia; Retórica; Lingüística, Parataxe, Hipotaxe.
segunda-feira, 28 de junho de 2010
I Colóquio "Visões da Antiguidade"
Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo - Programa de Pós-Graduação em Letras Clássicas
Av. Prof. Luciano Gualberto, 403 - Cidade Universitária - São Paulo - SP
Prédio de Letras, Sala 260
28, 29 e 30 de Julho de 2010 - Das 9:00 às 12:00 e Das 14:00 às 17:00
Informações e-mail: iac@usp.br
Livro de Resumos [PDF]
Dia 28 de julho
Manhã - 9:00 h às 12:00
Paulo Martins (USP/IAC) - Reflexões sobre a observação e a análise de imagines da Antiguidade Clássica
Alexandre Pinheiro Hasegawa (USP/VerVe)- A imagem de Flaco no livro dos Epodos
Melina Rodolpho (USP/IAC)- Écfrase: A construção da imagem verbal
Alexandre Agnolon (UFOP/VerVe) - Práticas fisiognomônicas em epigramas de Marcial
Cecília Gonçalves Lopes (USP/IAC)- Uma leitura metapoética de Amores, 1.15 - o retrato da elegia
Henrique Fiebig (USP/IAC)- Monumenta uerbalia: uma análise do corpus latino da obra "As fontes escritas antigas para uma história das artes plásticas entres os gregos" de Johannes Adolf Overbeck
Lya Grizzo Serignolli (USP/IAC)- Uma figuração do Amor: Militia Amoris
Dia 29 de Julho
Manhã - 9:00 h às 12:00
Henrique Cairus (UFRJ/Proaera)- De uisu hipocrático: o mundo nos olhos
Marly de Bari Matos (DLCV/USP)- A imagem da criança e uma criança destituída de imagem: considerações sobre a infância nas cartas de Plínio o Jovem
Fábio Paiffer Cairolli (VerVe/USP)- A imagem do imperador em Marcial e em moedas de seu tempo
Tarde - 14:00 h às 17:00
Irene Cristina Boschiero (USP/IAC)- As Imagines do poeta em Horácio
Rosângela Santoro de Souza Amato (USP/IAC)- Eikones de Filóstrato, o velho: um método
Cynthia Helena Dibbern (USP/IAC)- O retrato de Aníbal entre dois gêneros historiográficos: reflexões sobre a construção de seu éthos em Nepos e em Tito Lívio
Gdalva Maria da Conceição (USP/IAC)- O retrato de Júlio César por ele mesmo
João Angelo Oliva Neto (USP/VerVe)- Bibliopoemas: a poesia prevista
Roberto Bolzani Filho (DF/USP)- As imagens de Sócrates
Adriano Scatolin (DLCV/USP)- A auctoritas no De Oratore de Cícero
Julieta Alsina (UFRJ/Proaera)- A discreta écfrase dietética: a descrição hipocrática do alimento
Denise de Souza Ablas (USP/IAC)- Entre a carta e a elegia: uma das Heróides de Ovídio
Anna Carolina Barone (USP/IAC/VerVe)- Uma reflexão tradutológica sobre as formas de nomear objetos de arte no De signis de Cícero
Simone Demboski Tonidandel (USP/IAC)- A Imagem de Lívia Drusila/ Júlia Augusta em Tácito
Melina Rodolpho e a Écfrase
Tendo em vista que a dissertação apresentada:
- mostrou uma inusitada disposição de enfrentar um assunto intricado e de difícil percurso terminológico e conceitual;
- Pelo eficiente cotejo, síntese e coerência das definições recolhidas em ampla bibliografia de fontes antigas, resolveu questões que há muito resistiam às abordagens críticas mais capazes;
- Exibiu um esforço notável de análise de exemplos selecionados;
- a Banca Examinadora tem a honra e satisfação de considerar o trabalho aprovado, e insiste em recomendá-lo à publicação.
Prof. Dr. João Angelo Oliva Neto (VerVe/USP)
Prof. Dr. João Batista Toledo Prado (FCL/UNESP/Araraquara)
Orientador - Prof. Dr. Paulo Martins (IAC/USP)
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A dissertação encontra-se disponível no site: www.usp.br/iac
Veja em produção científica.
Atualizando e fazendo balanço
Em todo caso, digo que esse semestre me foi frutífero, afinal fiz algumas falas bem legais para mim:
1) Buenos Aires - Sociedad Latinoamericana de Retorica - Ius Imaginum.
2) Mariana - História/UFOP/LEIR - Os Romanos, o direito e a Imagem.
3) Rio de Janeiro - Filosofia/UERJ - Aristóteles e As imagens.
4) Rio de Janeiro - Filosofia/UFRJ - Simpósio Ousia - Natura et ars.
Em Mariana, Norberto Guarinelo e Fábio Faversani, não sei se um deles ou os dois, questionaram-me a respeito do ius imaginum quando eu dizia que nos séculos I a.C. e I d.C. esse era um direito patrício. No momento, respondi peremptoriamente que era um direito patrício e não plebeu, tendo por fundamento Políbio e Cícero.
Depois, encontrei este trecho de Propércio que comprova minha tese:
Propércio 2,13, 18-26:
accipe quae serues funeris acta mei.
nec mea tunc longa spatietur imagine pompa,
nec tuba sit fati vana querela mei;
nec mihi tunc fulcro sternatur lectus eburno,
nec sit in Attalico mors mea nixa toro.
desit odoriferis ordo mihi lancibus, adsint
plebei paruae funeris exsequiae.
sat mea, sat magnast, si tres sint pompa libelli,
quos ego Persephonae maxima dona feram.
Seja quando for que a morte me feche meus olhos,
Observa que atos deves encomendar ao meu funeral.
Que, então, o cortejo de imagem não se estenda longo,
Tampouco a tuba não seja vã queixa de meu fado;
Nem meu leito seja posto, lá, em pés de marfim,
Nem meu corpo esteja inclinado em atálico leito,
Que a fileira de bandejas odoríferas me falte,
Mas me venham simples exéquias de um funeral plebeu.
Me é bastante, me é maior, se no meu cortejo houver três livros,
Os quais eu levarei, os maiores presentes à Perséfone.
Acho que respondo às indagações dos colegas.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Mariana, eu te amei!
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Uma crônica
Comecei o dia num ônibus para USP. Lá, dei com os burros n'água, porque a pessoa que iria encontrar não foi ter comigo. Eu fui ter com ela. Ela se esqueceu. Esquecerem de mim não sei que número ... Então, no ônibus, em pé metade do caminho, outra metade sentado, pensava em poemas, na poesia, pensava que veria Alice Ruiz; tudo isso para não ruir, para vencer o ruim do desconfortável do ônibus, o difícil do dia. Não faço drama, não exagero, foi assim que foi. Foi. Fui ...
Na USP, sem a pessoa que encontraria, nem grupo de estudos, com a mochila cheia de ecfrases, descrições de batalhas, de cidades, tomei um café com leite, escuro, sem espuma, amargo. O que salvou foi a conversa fortuita com uma descendente de libaneses muito sorridente, cheia deles, dos dentes, de seus parentes.
Esperei por uma hora, nada. Burros n'água. Parti a caminho da PUC/SP, para ver Alice Ruiz. Tuca Arena. Não é aqui, mudou para ... Fui para o Prédio Novo, 3º andar. O elevador passou reto, não me deixou entrar. Fui a pé, pela rampa. Três andares. Lá: não é aqui, é no 2º andar. Fui lá ... Vi, ouvi, senti Alice Ruiz. Tinha que ser assim, tão difícil? Para chegar à poesia, havia a necessidade desse trajeto? Foi minha dor de dentes, minha nevralgia o dia, até ver e ouvir a poesia de Alice Ruiz. Foi. Fui eu na travessia ... até que a poesia de Alice Ruiz abriu o dia, abriu meu dia de poesia.
Eduardo Sinkevisque
28/04/10
domingo, 4 de abril de 2010
Mais um lançamento de março

MARTINS, PAULO. Literatura Latina. Curitiba: IESDE. 2009. ISBN: 978-85-387-0901-5
DVD 1/ISBN: 789-09-980-4989-0
DVD 2/ISBN: 789-09-980-4990-6
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Buenos Aires - 2010
Paulo Martins
Minha comunicação tratava da questão do ius imaginum, o direito de imagens que era concedido aos patrícios como forma de reverenciar seus antepassados. Essas imagens eram de "consumo" privado, não só porque eram feitas a partir do molde de cera modelado logo que o homem insigne morria, mas também por ser colocada no columbarium em pequenos nixos juntos aos Lares e Manes de uma gens. Ocorre, entretanto, que no dia das pompa gentilicia, essa imagem era retirada da casa e era levada ao forum para que lá, junto aos rostros, fosse feito um discurso em honra ao morto. Tal migração da imagem pode ser considerada uma transgressão de sua função elocutiva, já que o forum é um local público. Discuti fundamentalmente esse rito tendo como base Políbio VI,53.
Marcos Martinho dos Santos
Por outro lado, Buenos Aires nos brindou com alguns lugares excepcionais sob o ponto de vista gastronômico, cultural e livresco, aqui vão algumas dicas.
Arcadia/Libros
Marcelo T. Avelar, 1548 - aecadialibros@fibertel.com.ar
Pequena Livraria com grande acervo em ciências humanas, incluindo os grecos e os latinos.
El Ateneo - SantaFé

Vale dizer que tivemos sorte, pois durante o período havia uma exposição da Arte da vanguarda cubana do início do século XX.
MNBA - Museo Nacional de Belas Artes de Buenos Aires
MNBA
O Museu nos traz surpresas. A primeira delas é ter uma coleção vastíssima da arte produzida desde o século XII até o século XX, com obras efetivamente significativas. Para se ter uma pequena ideia o próprio Rodin ofereceu ao Museu a obra original de "O beijo".

O Beijo de Rodin - Original, doação do autor
Praça do Congresso Nacional
http://www.grupoplazamayor.com/
La Biela
Fica em frente à praça central da Recoleta, com mesinhas na calçada. Boas bebidas, drinks e doces. Muito Bom! Do outro lado da plaza: requiescant in pace!
Caminito
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Propércio 2, 29a
HESTERNA, mea lux, cum potus nocte vagarer,
nec me servorum duceret ulla manus,
obvia nescio quot pueri mihi turba minuta
venerat (hos vetuit me numerare timor);
quorum alii faculas, alii retinere sagittas,
pars etiam visa est vincla parare mihi.
sed nudi fuerant. quorum lascivior unus,
'Arripite hunc,' inquit, 'iam bene nostis eum
hic erat, hunc mulier nobis irata locavit.'
dixit, et in collo iam mihi nodus erat.
. . .
hic alter iubet in medium propellere, at alter,
'Intereat, qui nos non putat esse deos!
haec te non meritum totas exspectat in horas:
at tu nescio quas quaeris, inepte, fores.
quae cum Sidoniae nocturna ligamina mitrae
solverit atque oculos moverit illa gravis,
afflabunt tibi non Arabum de gramine odores,
sed quos ipse suis fecit Amor manibus.
parcite iam, fratres, iam certos spondet amores;
et iam ad mandatam venimus ecce domum.'
atque ita me iniecto dixerunt rursus amictu:
'I nunc et noctes disce manere domi.'
À noite passada, luz minha, quando ébrio vagava
E coorte alguma de servos acompanhava
Turma diminuta – não sei de quantos meninos
Veio ao meu encontro – o temor impede de numerá-los –
Uns deles, pequenas tochas; outros levavam dardos
Uma parte pareceu preparar-me armadilha.
E estavam nus. Um deles era mais lascivo
E disse: “Agarrai-o, já bem o conheceis.”
“Era ele, é ele que a irada mulher nos entregou”
Disse e no meu pescoço um nó já havia.
****
Mas outro:“Morra quem não nos crê deuses!”
Ela te espera, imerecedor, por horas:
E tu, inepto, não sei quais outras procuras.
Quando ela tiver soltado os laços noturnos da mitra sidônia
E tiver entreaberto olhos pensos de sono
Odores te chegaram não de ervas arábicas,
Mas os que os o próprio Amor fez com suas mãos.
“Poupai já, irmãos, já promete tudo de amor.”
“Eis já chegamos à casa mandada.”
E restituído meu manto, disseram:
“Vai agora e aprende a ficar em casa às noites!”


