quinta-feira, 1 de abril de 2010

Propércio 2, 29a

Mais uma tradução do velho Propécio:

Propércio, II, 29

HESTERNA, mea lux, cum potus nocte vagarer,
nec me servorum duceret ulla manus,
obvia nescio quot pueri mihi turba minuta
venerat (hos vetuit me numerare timor);
quorum alii faculas, alii retinere sagittas,
pars etiam visa est vincla parare mihi.
sed nudi fuerant. quorum lascivior unus,
'Arripite hunc,' inquit, 'iam bene nostis eum
hic erat, hunc mulier nobis irata locavit.'
dixit, et in collo iam mihi nodus erat.
. . .
hic alter iubet in medium propellere, at alter,
'Intereat, qui nos non putat esse deos!
haec te non meritum totas exspectat in horas:
at tu nescio quas quaeris, inepte, fores.
quae cum Sidoniae nocturna ligamina mitrae
solverit atque oculos moverit illa gravis,
afflabunt tibi non Arabum de gramine odores,
sed quos ipse suis fecit Amor manibus.
parcite iam, fratres, iam certos spondet amores;
et iam ad mandatam venimus ecce domum.'
atque ita me iniecto dixerunt rursus amictu:
'I nunc et noctes disce manere domi.'

À noite passada, luz minha, quando ébrio vagava
E coorte alguma de servos acompanhava
Turma diminuta – não sei de quantos meninos
Veio ao meu encontro – o temor impede de numerá-los –
Uns deles, pequenas tochas; outros levavam dardos
Uma parte pareceu preparar-me armadilha.
E estavam nus. Um deles era mais lascivo
E disse: “Agarrai-o, já bem o conheceis.”
“Era ele, é ele que a irada mulher nos entregou”
Disse e no meu pescoço um nó já havia.

****
Outro manda que me empurrem para o meio,
Mas outro:“Morra quem não nos crê deuses!”
Ela te espera, imerecedor, por horas:
E tu, inepto, não sei quais outras procuras.
Quando ela tiver soltado os laços noturnos da mitra sidônia
E tiver entreaberto olhos pensos de sono
Odores te chegaram não de ervas arábicas,
Mas os que os o próprio Amor fez com suas mãos.
“Poupai já, irmãos, já promete tudo de amor.”
“Eis já chegamos à casa mandada.”
E restituído meu manto, disseram:
“Vai agora e aprende a ficar em casa às noites!”

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Cursos de Graduação do 1o. Semestre de 2009

Com Início no dia 1o. de Março, ministrarei os seguintes cursos de graduação neste semestre:

1. Literatura Latina: Lírica - às 3as., 10:00h
2. Literatura Latina: Teatro - às 3as., 8:00h
3. Conceitos de Retórica - às 2as., 10:00h
4. Língua Latina V - às 4as, 10:00h

Os temas previstos para o curso de Lírica são:

1. Bases gregas de poesia lírica:
a. Performance e recepção das letras gregas e latinas
b. Extensão do termo lírica e contraste com a aulética e com a citarística
c. Monódica e Coral - Mélica
d. Temática

2. Os gêneros "líricos" de acordo com Menandro, Retor
Generic composition in greek and roman poetry - Francis Cairns
a. associação entre poesia e retórica - o epidítico e o epinício, o hino, etc.
b. Quintiliano Livro dez.
c. Tácito Diálogo dos Oradores, 10...

3. A poesia Lírica de Catulo e de Horácio
a. Contexto Histórico Republicano e os Neóteroi
b. Contexto Histórico do Principado de Augusto (o Mecenato - a "propaganda")

c. Leitura e Análise, Textos dentro desse universo.

Temas do curso de Teatro:

· A questão do coro e sua "voz" como interferência externa na ação trágica.
· A questão da catarse, terror e piedade - efeitos de sentido na audiência trágica.
· A construção retórica das tragédias de Sêneca.
· Sob o aspecto teórico, desenvolver a questão do riso x catarse.
· Riso e argumentação (retórica)
· Os Caracteres de Teofrasto na constituição da comédia nova.


Temas do curso de Conceitos de Retórica:

Origem e a doutrina diacronicamente observada
Questões de Retórica Grega
Retórica, sofística, dialética e filosofia
i. Platão
1. Fedro
2. Górgias
3. Sofista
4. Protágoras
Retórica e Ética
i. Aristóteles
1. Retórica
2. Ética a Nicômaco
Retórica x oratória x eloqüência
Objeto e finalidade - Quintiliano.
Partes do discurso
i. Exordium/proemium
ii. Narratio
iii. Argumentatio
iv. Confirmatio/Refutatio
v. Peroratio
Sistema retórico
i. Inuentio/Invenção
ii. Dispositio/Disposição
iii. Elocutio/Elocução
iv. Memória
v. Actio/Ação
A doutrina de Hermágoras.
O orador
O orador e a audiência: o contexto dos discursos.
O éthos do orador e fides/credibilidade.
O páthos - Cícero e Quintiliano.
Humor - Cícero e Quintiliano.
Virtudes da elocução (uirtutes elocutionis)
Decoro/Aptum/Pršpon
Perspicuitas
Latinitas
Ornatus
Gêneros do Discurso
Delimitação do termo genus, generis
Epidítico
Judicial
Deliberativo
Práxis e Doutrina
Performance
Apropriação (o discurso na historiografia, na épica)
Poesia e Retórica
i. Pseudo Longino – Sobre o sublime.
ii. Menandro: Dois tratados de Retórica Epidítica

Quintiliano, Livro 10

Dissertação de Mestrado

Na sexta-feira, 19 de fevereiro, Cecília Gonçalves Lopes, apresentou sua dissertação de mestrado junto ao PPG em Letras Clássicas da USP. A Banca composta por Paulo Sérgio de Vasconcellos do IEL da Unicamp e por mim e Adriano Scatolin do DLCV/USP APROVAMOS O EXCELENTE TRABALHO cujo título é Confluência Genérica na Elegia Erótica de Ovídio ou A Elegia Erótica em Elevação.

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Segue o Resumo do trabalho e o texto que Cecília apresentou à assistência.

LOPES, Cecilia Gonçalves. Confluência genérica na Elegia Erótica de Ovídio ou a elegia Erótica em elevação. 2009. 161f. Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2009.



No final do século I a.C., a Elegia Erótica Romana desafiou os gregos e as convenções poéticas apresentando um poeta-amante que cantava suas aventuras amorosas em primeira pessoa. Como se isso não bastasse, esse eu-elegíaco se dedicava à puella como se tal tarefa fosse uma militia, um seruitium amoris, e que exigia tempo integral. Galo, Propércio e Tibulo nos apresentaram suas dominas e se negaram a servir à pátria.
Ovídio foi além: seguiu seus predecessores mas fez com que seus leitores aprendessem a entender o papel de cada uma das normas na construção desse gênero. Escreveu seu primeiro livro, Amores, e , a partir daí, começou a traçar um caminho ascendente: queria sua Elegia elevada, não apenas média.
Para isso, produziu recusationes, elegias programáticas e, o mais importante, confluiu gêneros. Fez uso da Epistolografia, da Retórica, da Didática e de personas e exempla míticos para compor Heroides, Ars amatoria e Remedia amoris.Nesta dissertação, mostra-se a trajetória do poeta na elevação da Elegia Erótica de Ovídio.

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Confluência genérica na Elegia Erótica de Ovídio
ou a Elegia Erótica em elevação
Defesa de Mestrado - Cecília Gonçalves Lopes
Roma: em um espaço restrito da cidade, os Fóruns, parece concentrar-se toda sua vida: trabalho, lazer, políticos e poetas, malandros, punguistas, soldados e lenas. O Palatino e as insulae: Roma é barulho durante o dia e à noite.
A cidade que preserva sua memória em monumentos arquitetônicos e literários é o lugar onde se encontram pessoas vindas de todas as partes do mundo, e sob Augusto Roma se modifica bastante. Nas letras, agora há quem cante o ócio. A guerra civil acabou e alguns poetas, os elegíacos, falam sobre o amor em versos desiguais, os dísticos. Roma é, afinal de contas, um anagrama desse sentimento capaz de escravizar, de tornar doentes aqueles que são sadios. Ovídio conseguiu, assim como Catulo, Propércio e Tibulo antes dele, perceber tal sutileza e fez, a partir do tema e do gênero, poemas deliciosos. Fez do amor, nas letras, o objetivo de viver.
Por cerca de cinqüenta anos, ao final do século I a.C., os elegíacos falaram, em primeira pessoa, sobre suas aventuras amorosas com as puellas, mulheres que não queriam casamento e tampouco ver-se imortalizadas em versos. Queriam presentes e dinheiro. Quem eram elas? Prostitutas, casadas, solteiras? Reais ou imaginárias? E o que dizer dos próprios amantes? Por que tornar-se escravos de mulheres tão caprichosas? Por que falar de um tema médio, em métrica tampouco elevada? Por que dedicar-se à militia amorosa quando mais nobre era participar de guerras, defender a pátria?
Muitas são as perguntas que persistem quando falamos da Elegia Erótica Romana. Mas felizmente inúmeros são os versos que chegaram até nós e, ainda que não consigamos dirimir todas as dúvidas, podemos ao menos reconhecer algumas características próprias do gênero.
E assim, com a ideia de tentar organizar, para mim, o que era a Elegia Erótica, cheguei a Ovídio. Não era ele apenas um elegíaco, um amante sofrendo por sua Corina, mas também, e principalmente, um poeta preocupado em mostrar convenções das letras latinas e, assim, transformar seu público, torná-lo apto a uma leitura mais aprofundada.

***

Minha pesquisa começou apenas com Heroides. O intuito era estudar, na Elegia, traços de gêneros diversos nessas epístolas escritas por personagens mitológicas – e por Safo. Retórica, Elegia e Epistolografia eram itens básicos, mas que acabaram se mostrando, apenas no estudo desse livro, enfadonhos.
Foi então que, buscando mais informações, encontrei algo que me pareceu extremamente interessante: Ovídio dedicava-se, sim, à poikilia, e não apenas nas Heroides. Seu plano parecia maior: a partir de Amores, obra média, sua intenção era ascender genericamente, produzir textos mais elevados valendo-se da mistura de convenções de diferentes gêneros. Seu objetivo era confluir gêneros, transgredi-los, desafiá-los.
A poikilia, portanto, aparecia em Amores, Heroides, n’A Arte de Amar e em Remédios – pra ficar com os livros estudados nesta dissertação -, e não estavam lá apenas por capricho ou para demonstrar o ingenium do poeta, mas para levá-lo a outras obras, como dissemos, mais elevadas. O caminho traçado desde o começo por ele existia realmente e poderia ser encontrado?
Acreditava que poderia, não sabia se por mim. Ovídio, desde os primeiros versos dos Amores, brinca. O poeta-amante é mais experiente, seja nas letras ou no amor. Ele já aparece como um magister, tentando tornar claras as convenções usadas por aqueles que se diziam sinceros e que passavam por sofrimentos e torturas, pela recusa da amada e pela rigidez de suas portas.
A todo o momento, ainda, Ovídio escreve sobre o escrever. A todo o momento ele tenta nos abrir os olhos, mostrar a Elegia, composta em dísticos, a partir de um ponto de vista não somente elegíaco, mas mais amplo. Estão ali em seus poemas as normas do gênero, passíveis de identificação, mas com ironia, com uma piscadela - para fazer uso da expressão de Paul Veyne.
Assim, ainda que nos Amores sofra o amante, sua situação é diferente daquela retratada por Tibulo ou Propércio. O apaixonado de Ovídio gosta também da escrava de Corina e de alguma outra mulher que lhe aprecie os poemas. Ele ama o jogo elegíaco mais do que qualquer outra coisa. O poeta gosta mais de escrever sobre o amor do que o amante, de amar.
Com Heroides, o sofrimento é feminino, não mais masculino. Há a ausência, a queixa. A querela. A remetente da epístola, além disso, nos é superior, pois personagem mitológica. Conhece, assim como o outro autor, as regras das letras. Preocupa-se com o escrever, é escritora. Safo é escritora, se diz autora no terceiro verso de sua epístola. E tomamos contato com a Retórica e a Epistolografia na ascensão genérica. O amor permanece tema majoritário, e continua causando dor.
Com a Ars Amatoria, manual de conquista amorosa, Ovídio utiliza principalmente a Didática. A Elegia e a Tragédia já haviam brigado por ele em Amores, e ele tinha dito que ainda iria se dedicar a eles por mais um tempo – e assim o faz, seguindo aquilo que havia falado ao marido de sua puella: o ludus há que existir. Mas não pode ser muito fácil nem entregar todo seu regulamento. Quando isso acontece, ele parte para nova empreitada.
Não nos esqueçamos que, com a Arte, interessa-nos perceber que se separam de vez os dois papéis: o de amante e o de magister. Este se vale da experiência daquele e, assim, está apto a dar conselhos. A mitologia é usada para dar-lhe mais autoridade.
Com os Remedia, finalmente, acaba o amor. O que havia começado com Corina vai esmorecendo. Se com a Ars Ovídio queria ensinar, nas letras, a arte da conquista e de sua manutenção, com os Remédios ele chega a um marco de sua obra ascendente. Acaba seu jogo. Está preparado para voos mais altos. A Didática permanece, mas agora o tema é levado à exaustão.
Mas, novamente, trata-se de Ovídio. Seu jogo acabou? Uma das leituras que se pode fazer é que, mais uma vez, ele ironicamente desafia os limites: o poema didático que pretende acabar com o amor, que quer ensinar algo não passível de ser esquematizado, que parece desdizer a Ars é, na verdade, uma volta a ele, o sentimento. Um exemplo, presente nos versos 757 a 766:

Que eu seja obrigado a falar: não toque os poetas eróticos! / Eu mesmo, ímpio, afasto meus dotes. / Evita Calímaco: ele não é inimigo do Amor: / e como Calímaco, tu também, Filetas, fazes mal. / Safo, certamente, me tornou melhor para minha amiga, / e a Musa de Teos não me deu rígidos costumes. / Quem poderia ter lido, sem medo, os poemas de Tibulo? / ou os teus, em cuja obra Cíntia foi única? / Quem, tendo lido Galo, poderia, insensível, partir? / E sei que meus poemas ressoam como tal.


Em dísticos elegíacos, Ovídio elenca poetas que não devem ser lidos porque falam de amor. Ele quer ou não que os leiamos? Quer, e quer ainda que voltemos aos Amores. O Amor, afinal de contas vence tudo e todos. Em gênero baixo, médio ou elevado.
De qualquer forma, ainda que com essa volta aos seus primeiros versos, Ovídio parece conseguir atingir seu objetivo: desafiando limites, fazendo da Elegia um supergênero, escrevendo na fronteira entre gêneros, sua poesia ascende. O amor vivido como aventura em Amores é sentido por personae mitológicas e se torna tema a ser ensinado na Ars. O que torna tudo mais engenhoso é a forma como o poeta produz, como brinca, ironicamente, enquanto nos ensina a lê-lo.

***

Roma é a cidade dos monumentos, do Palatino, do Capitólio. De Cícero, de Plauto, de Virgílio. Suas múltiplas vozes, construídas e reconstruídas em mármore em versos, ainda aparecem vivas, estejam elas falando de guerras ou de amores. Mas quando fala de Amor, fala de si mesma e de Vênus. Especificamente com Ovídio, somos levados por caminhos diversos, e às vezes não sabemos aonde vamos chegar – nem como. O que ficou para mim, entretanto, é que não importa o quanto releia seus poemas: por causa de seu engenho, de suas artimanhas e de sua ironia, ele conseguiu o que queria. Continuo apaixonada. Pelas suas palavras e pelo amor.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Poesia e Eloquência

Muita discussão existe em torno das possíveis relações entre poesia e retórica na Antiguidade Clássica. Há quem julgue que uma e outra arte são inseparáveis, assim as categorias retóricas seriam aplicáveis à poesia e as categorias poéticas, à eloquência. Assim o fez Francis Cairns em Generic composition in greek and latin poetry*, quando, no final dos anos 70, tomando como base elementos característicos dos tratados acerca do discurso epidítico de Menandro, o retor, aplicou tais procedimentos à invenção poética.


Este pequeno trecho de Tácito, em Diálogo dos Oradores, parece-me que esclarece àqueles que são incrédulos à tese da indissociabilidade entre as artes:

"ego vero omnem eloquentiam omnisque eius partis sacras et venerabilis puto, nec solum cothurnum vestrum aut heroici carminis sonum, sed lyricorum quoque iucunditatem et elegorum lascivias et [10.4.5.] iamborum amaritudinem epigrammatum lusus et quamcumque aliam speciem eloquentia habeat, anteponendam [10.5.1] ceteris aliarum artium studiis credo."

"Eu mesmo, na verdade, considero a eloquência toda e todas as suas partes sagradas e dignas de veneração, não apenas o som de vossos coturnos ou de carmes heróicos, mas também encantos de poemas líricos, atrevimentos elegíacos, amargores iâmbicos, gracejos epigramáticos e qualquer que seja o gênero que eloquência possua, eu acredito que ela deva ser anteposta a outras práticas de outras artes."

Tradução de Paulo Martins

*Cairns, Francis. Generic composition in Greek and Roman poetry. rev.ed. . Ann Harbor: Michigan Classical Press. 2007. 336 pages.





domingo, 22 de novembro de 2009

Lançamento



Martins, Paulo. Elegia Romana: Construção e efeito. São Paulo: Humanitas. 2009. 196p. ISBN:978-85-7732-116-2.

Em prefácio afirma João Adolfo Hansen: "Neste livro incisivo, Paulo Martins desnaturaliza os critérios expressivistas de interpretação da elegia erótica do poeta latino Propércio correntes na Universidade, onde ainda é lido. Eles são indiferentes à historicidade dos preceitos técnicos de sua invenção como ficção poética. Paulo afirma que, ingênua ou não, a indiferença é uma prática etnocêntrica. Universaliza o modo moderno de definir e consumir poesia como literatura e imagina que as paixões romanas dos poemas são sustos contemporâneos que, ao serem impressos, expressam a subjetividade do autor. A especificação retórica do gênero “elegia erótica” faz os poemas aparecer como formalidade prática irredutível às intenções psicológicas dos intérpretes atribuídas anacronicamente ao homem Propércio. Como gênero poético, a elegia erótica romana é inventada retoricamente como enunciação fictícia de um pronome pessoal, ego. É o “eu” não-substancial de um tipo poético que imita discursos gregos e alexandrinos enquanto recompõe, em cada poema, a dicção que especifica a adequação de seu estilo aos lugares-comuns que o gênero prescreve para inventar e ornar a voz de seu éthos, caráter, movido por páthe, afetos. "

Sobre Paulo Martins:

"Bacharel em Letras Clássicas (Grego e Latim) pela Universidade de São Paulo em 1991, mestre e doutor em Letras Clássicas pela mesma Universidade em 1996 e 2003 respectivamente, Paulo Martins foi professor de língua e Literatura Latina em diversas universidades particulares de São Paulo e da Universidade Estadual Paulista (UNESP) em Assis, além de ter sido professor de Literatura e língua Portuguesa no Ensino Médio em colégios de São Paulo.

Atualmente é professor doutor da Universidade de São Paulo junto ao Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas na graduação e pós-graduação, sendo também coordenador do programa de pós-graduação em Letras Clássicas/USP.

É pesquisador (Membro Associado) junto ao Programa de Altos Estudos em Representações da Antiguidade (PROAREA) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Coordena o projeto de pesquisa "Imagens da Antiguidade Clássica - IAC/USP". Tem experiência nas áreas das Letras Clássicas, com ênfase nos seguintes temas: Elegia Clássica (greco-latina) e Retórica e Poética da Imagem verbal e não-verbal na Antiguidade Clássica. Essa última área constitui Grupo de Pesquisa junto ao CNPq, do qual é líder. Possui dois livros já em preparação em editoras: Imagem e Poder. Edusp/São Paulo e Literatura Latina, ed. IESDE/Curitiba. Pertence ao grupo de pesquisa VerVe - Verbum Vertere."

sábado, 3 de outubro de 2009

Literatura Y Artes Visuales - Daniel Rinaldi

CURSO CONCENTRADO de PÓS-GRADUAÇÃO - Prof. Dr. DANIEL RINALDI (UNAM).
Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários da UNESP-ARARAQUARA
(de 06 a 09/10/09).

Literatura y Artes Visuales
Los Eikones de Filóstrato el Viejo
Prof. Dr. Daniel Rinaldi
Universidad Nacional Autónoma de México

La hermandad de la literatura y las artes visuales no ha estado exenta, en palabras del crítico italiano Mario Praz, de “fraternal rivalidad”. En el presente curso se abordará la relación literatura-artes visuales en los Eikones de Filóstrato el Viejo. Los puntos centrales serán la epideixis y la écfrasis. La écfrasis era, en la Antigüedad, cualquier “discurso descriptivo”; hoy se entiende por écfrasis la descripción literaria de una obra de arte (pictórica, escultórica, de orfebrería, etc.). Esto es, en el mundo antiguo la écfrasis es cualquier descripción; modernamente, sólo “la representación verbal de una representación visual”. Filóstrato el Viejo (Lemnos, 160/170-Atenas, hacia 246), escritor griego de la “Segunda Sofística”, en los Eikones, describe 65 pinturas de una colección de Nápoles. En estas écfrasis, el autor describe las acciones representadas en la pintura de manera narrativa, esto es, hace un discurso de naturaleza narrativo-descriptiva. Así como la representación visual congela la narración, la descripción verbal la descongela, la reinscribe en la narración. La poesía y la plástica griegas y latinas giran, en gran medida, en torno al mito, de ahí que literatura y arte sean importantes fuentes para su conocimiento. En este sentido, afirma Filóstrato que poetas y pintores contribuyen por igual para que “los hechos y aspectos de los héroes” se conozcan. La écfrasis que hace el sofista de los diferentes cuadros invita a los lectores a mirar, a través de ella, las obras antiguas que, sobre esos mismos temas han llegado hasta el presente, e invita también a los artistas plásticos a recrear el cuadro: de la écfrasis del cuadro al cuadro de écfrasis.

XXI Simposio Nacional de Estudios Clásicos

XXI SIMPOSIO NACIONAL DE ESTUDIOS CLÁSICOS

θεωρεῖν/ Speculari: La palabra que ordena, interpreta y hace inteligible el mundo.

Organizado por la Facultad de Humanidades y Ciencias de la Universidad Nacional del Litoral
y la Asociación Argentina de Estudios Clásicos

21, 22, 23 y 24 de septiembre de 2010

CIUDAD DE SANTA FE, ARGENTINA

Facultad de Humanidades y Ciencias, Ciudad Universitaria, Paraje “El Pozo”

Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos

Anuncio que a diretoria da SBEC eleita para o biênio de 2010-2011 é composta pelos professores:

Henrique Cairus (UFRJ) - presidente
Paulo Martins (USP) - vice-presidente
Fernando Santoro (UFRJ) - secretário geral
Mary Lafer (USP) - secretária adjunta
Wilson A. Ribeiro Jr. (USP) - tesoureiro geral
Breno B. Sebastiani (USP) - tesoureiro adjunto

Na ocasião de sua eleição, a diretoria eleita agradeceu a confiança de todos e informou que o próximo Congresso Nacional de Estudos Clássicos será sediado na Cidade do Rio de Janeiro
Um abraço a todos,
Henrique

IV Seminário de Pesquisa em Letras Clássicas/USP

IV Semináro de Pesquisa em Letras Clássicas

INSCRIÇÕES: 03/10/2009 - 13/10/2009, pelo e-mail: seminarioletrasclassicas@ gmail.com ou na secretaria de Pós-Graduação do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas (Prédio de Letras), à Av. Prof. Luciano Gualberto, n? 403, sala 09. Horário de atendimento: Das 9h00 às 17h00.

14/10/2009 - 24/10/2009 - Período de organização e distribuição dos textos entre os apresentadores.

30/10/2009 - Divulgação do programa.

30/11/2009 - 02/12/2009 - Realização do IV Semináro de Pesquisa em Letras Clássicas.


PROCEDIMENTO:

O aluno apresentará o estágio atual de sua pesquisa, por 20 (vinte) minutos e outro comentará por 10 (dez) minutos.

Os textos, com aproximadamente 8 (oito) páginas, deverão ser enviados até o dia 30/10/2009.

*OBS.: NÃO SERÁ REALIZADA A INSCRIÇÃO DOS QUE NÃO APRESENTARÃO TRABALHO. A PARTICIPAÇÃO COMO OUVINTE SERÁ PERMITIDA.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Cursos do Semestre Torto

Em Literatura:

Épica é repetição...
Teatro é novidade:


Aula 02 – Preceptiva aristotélica e horaciana da tragédia.
Aula 03 – Agamêmnon de Sêneca
Aula 04 – Agamêmnon de Sêneca
Aula 05 – Agamêmnon de Sêneca
Aula 06 – Fedra de Sêneca
Aula 07 – Fedra de Sêneca.
Aula 08 – Fedra de Sêneca.
Aula 09 – Preceptiva aristotélica e horaciana da comédia.
Aula 10 – Os Adelfos de Terêncio
Aula 11 – Os Adelfos de Terêncio
Aula 12 – Estico de Plauto
Aula 13 – Estico de Plauto

· A questão do coro e sua "voz" como interferência externa na ação trágica.
· A questão da catarse, terror e piedade - efeitos de sentido na audiência trágica.
· A construção retórica das tragédias de Sêneca.
· Sob o aspecto teórico, desenvolver a questão do riso x catarse.
· Riso e argumentação (retórica)
· Os Caracteres de Teofrasto na constituição da comédia nova.