domingo, 22 de novembro de 2009

Lançamento



Martins, Paulo. Elegia Romana: Construção e efeito. São Paulo: Humanitas. 2009. 196p. ISBN:978-85-7732-116-2.

Em prefácio afirma João Adolfo Hansen: "Neste livro incisivo, Paulo Martins desnaturaliza os critérios expressivistas de interpretação da elegia erótica do poeta latino Propércio correntes na Universidade, onde ainda é lido. Eles são indiferentes à historicidade dos preceitos técnicos de sua invenção como ficção poética. Paulo afirma que, ingênua ou não, a indiferença é uma prática etnocêntrica. Universaliza o modo moderno de definir e consumir poesia como literatura e imagina que as paixões romanas dos poemas são sustos contemporâneos que, ao serem impressos, expressam a subjetividade do autor. A especificação retórica do gênero “elegia erótica” faz os poemas aparecer como formalidade prática irredutível às intenções psicológicas dos intérpretes atribuídas anacronicamente ao homem Propércio. Como gênero poético, a elegia erótica romana é inventada retoricamente como enunciação fictícia de um pronome pessoal, ego. É o “eu” não-substancial de um tipo poético que imita discursos gregos e alexandrinos enquanto recompõe, em cada poema, a dicção que especifica a adequação de seu estilo aos lugares-comuns que o gênero prescreve para inventar e ornar a voz de seu éthos, caráter, movido por páthe, afetos. "

Sobre Paulo Martins:

"Bacharel em Letras Clássicas (Grego e Latim) pela Universidade de São Paulo em 1991, mestre e doutor em Letras Clássicas pela mesma Universidade em 1996 e 2003 respectivamente, Paulo Martins foi professor de língua e Literatura Latina em diversas universidades particulares de São Paulo e da Universidade Estadual Paulista (UNESP) em Assis, além de ter sido professor de Literatura e língua Portuguesa no Ensino Médio em colégios de São Paulo.

Atualmente é professor doutor da Universidade de São Paulo junto ao Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas na graduação e pós-graduação, sendo também coordenador do programa de pós-graduação em Letras Clássicas/USP.

É pesquisador (Membro Associado) junto ao Programa de Altos Estudos em Representações da Antiguidade (PROAREA) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Coordena o projeto de pesquisa "Imagens da Antiguidade Clássica - IAC/USP". Tem experiência nas áreas das Letras Clássicas, com ênfase nos seguintes temas: Elegia Clássica (greco-latina) e Retórica e Poética da Imagem verbal e não-verbal na Antiguidade Clássica. Essa última área constitui Grupo de Pesquisa junto ao CNPq, do qual é líder. Possui dois livros já em preparação em editoras: Imagem e Poder. Edusp/São Paulo e Literatura Latina, ed. IESDE/Curitiba. Pertence ao grupo de pesquisa VerVe - Verbum Vertere."

sábado, 3 de outubro de 2009

Literatura Y Artes Visuales - Daniel Rinaldi

CURSO CONCENTRADO de PÓS-GRADUAÇÃO - Prof. Dr. DANIEL RINALDI (UNAM).
Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários da UNESP-ARARAQUARA
(de 06 a 09/10/09).

Literatura y Artes Visuales
Los Eikones de Filóstrato el Viejo
Prof. Dr. Daniel Rinaldi
Universidad Nacional Autónoma de México

La hermandad de la literatura y las artes visuales no ha estado exenta, en palabras del crítico italiano Mario Praz, de “fraternal rivalidad”. En el presente curso se abordará la relación literatura-artes visuales en los Eikones de Filóstrato el Viejo. Los puntos centrales serán la epideixis y la écfrasis. La écfrasis era, en la Antigüedad, cualquier “discurso descriptivo”; hoy se entiende por écfrasis la descripción literaria de una obra de arte (pictórica, escultórica, de orfebrería, etc.). Esto es, en el mundo antiguo la écfrasis es cualquier descripción; modernamente, sólo “la representación verbal de una representación visual”. Filóstrato el Viejo (Lemnos, 160/170-Atenas, hacia 246), escritor griego de la “Segunda Sofística”, en los Eikones, describe 65 pinturas de una colección de Nápoles. En estas écfrasis, el autor describe las acciones representadas en la pintura de manera narrativa, esto es, hace un discurso de naturaleza narrativo-descriptiva. Así como la representación visual congela la narración, la descripción verbal la descongela, la reinscribe en la narración. La poesía y la plástica griegas y latinas giran, en gran medida, en torno al mito, de ahí que literatura y arte sean importantes fuentes para su conocimiento. En este sentido, afirma Filóstrato que poetas y pintores contribuyen por igual para que “los hechos y aspectos de los héroes” se conozcan. La écfrasis que hace el sofista de los diferentes cuadros invita a los lectores a mirar, a través de ella, las obras antiguas que, sobre esos mismos temas han llegado hasta el presente, e invita también a los artistas plásticos a recrear el cuadro: de la écfrasis del cuadro al cuadro de écfrasis.

XXI Simposio Nacional de Estudios Clásicos

XXI SIMPOSIO NACIONAL DE ESTUDIOS CLÁSICOS

θεωρεῖν/ Speculari: La palabra que ordena, interpreta y hace inteligible el mundo.

Organizado por la Facultad de Humanidades y Ciencias de la Universidad Nacional del Litoral
y la Asociación Argentina de Estudios Clásicos

21, 22, 23 y 24 de septiembre de 2010

CIUDAD DE SANTA FE, ARGENTINA

Facultad de Humanidades y Ciencias, Ciudad Universitaria, Paraje “El Pozo”

Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos

Anuncio que a diretoria da SBEC eleita para o biênio de 2010-2011 é composta pelos professores:

Henrique Cairus (UFRJ) - presidente
Paulo Martins (USP) - vice-presidente
Fernando Santoro (UFRJ) - secretário geral
Mary Lafer (USP) - secretária adjunta
Wilson A. Ribeiro Jr. (USP) - tesoureiro geral
Breno B. Sebastiani (USP) - tesoureiro adjunto

Na ocasião de sua eleição, a diretoria eleita agradeceu a confiança de todos e informou que o próximo Congresso Nacional de Estudos Clássicos será sediado na Cidade do Rio de Janeiro
Um abraço a todos,
Henrique

IV Seminário de Pesquisa em Letras Clássicas/USP

IV Semináro de Pesquisa em Letras Clássicas

INSCRIÇÕES: 03/10/2009 - 13/10/2009, pelo e-mail: seminarioletrasclassicas@ gmail.com ou na secretaria de Pós-Graduação do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas (Prédio de Letras), à Av. Prof. Luciano Gualberto, n? 403, sala 09. Horário de atendimento: Das 9h00 às 17h00.

14/10/2009 - 24/10/2009 - Período de organização e distribuição dos textos entre os apresentadores.

30/10/2009 - Divulgação do programa.

30/11/2009 - 02/12/2009 - Realização do IV Semináro de Pesquisa em Letras Clássicas.


PROCEDIMENTO:

O aluno apresentará o estágio atual de sua pesquisa, por 20 (vinte) minutos e outro comentará por 10 (dez) minutos.

Os textos, com aproximadamente 8 (oito) páginas, deverão ser enviados até o dia 30/10/2009.

*OBS.: NÃO SERÁ REALIZADA A INSCRIÇÃO DOS QUE NÃO APRESENTARÃO TRABALHO. A PARTICIPAÇÃO COMO OUVINTE SERÁ PERMITIDA.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Cursos do Semestre Torto

Em Literatura:

Épica é repetição...
Teatro é novidade:


Aula 02 – Preceptiva aristotélica e horaciana da tragédia.
Aula 03 – Agamêmnon de Sêneca
Aula 04 – Agamêmnon de Sêneca
Aula 05 – Agamêmnon de Sêneca
Aula 06 – Fedra de Sêneca
Aula 07 – Fedra de Sêneca.
Aula 08 – Fedra de Sêneca.
Aula 09 – Preceptiva aristotélica e horaciana da comédia.
Aula 10 – Os Adelfos de Terêncio
Aula 11 – Os Adelfos de Terêncio
Aula 12 – Estico de Plauto
Aula 13 – Estico de Plauto

· A questão do coro e sua "voz" como interferência externa na ação trágica.
· A questão da catarse, terror e piedade - efeitos de sentido na audiência trágica.
· A construção retórica das tragédias de Sêneca.
· Sob o aspecto teórico, desenvolver a questão do riso x catarse.
· Riso e argumentação (retórica)
· Os Caracteres de Teofrasto na constituição da comédia nova.

domingo, 26 de julho de 2009

Quintiliano 10, 93 - Uma pequena nota para a Sátira

Tradução de Paulo Martins


Em verdade a sátira é toda nossa na qual o primeiro que conquistou célebre renome foi Lucílio e de tal forma ele teve alguns aficionados devotados que esses não vacilaram preferi-lo não só aos autores de mesmo gênero, mas também a toda sorte de poetas. Eu mesmo dissinto tanto desses quanto de Horácio que julgava Lucílio fluir lamoso[1] e possuir algo que se poderia retirar. Com efeito, nele tanto a erudição quanto a liberdade são extraordinárias donde vêm a sua acidez e a sua mordacidade. Horácio, por seu turno, é muito mais elegante e puro e, o primeiro, a não ser o seu trabalho tem minha afeição. Pérsio granjeou muita e verdadeira fama apesar de ter um só livro.


[1] A idéia de ser lamacento pode significar algo pela forma e algo pelo conteúdo da sátira que Lucílio escreve, assim o termo lamoso, em latim lutulentus é polissêmico. No primeiro caso, o verso seria arrastado, pesado; no segundo, seu verso, por ser satírico, é torpe, é sujo, é lamoso. Segundo João Angelo Oliva Neto a tópica do “rio caudaloso e/ou lamacento” é calimaqueana e diz respeito a gêneros poéticos cujo tema é denso, pesado, grave, ou mesmo, arrastado e se contrapõe às nascentes límpidas, fontes fluidas, leves, suaves que correspondem aos gêneros valorizados por Calímaco de Cirene e todos os poetas romanos de instrução neotérica.

Propércio 2,26A

Tradução Paulo Martins



Em sonhos eu te vi, vida minha, tendo a nau naufragado,
Que nadavas já com as mãos cansadas no Mar Jônio
E que confessavas que tinhas mentido a mim tudo aquilo.
E já não mais podias levantar os cabelos pesados d’água,
Como a agitada Hele por ondas púrpuras,
Ela que carregou o áureo carneiro no suave colo.
Como temi que o forte mar tivesse teu nome,
E o nauta te chorasse, deslizando por tuas águas!
Quais votos fiz, então, a Netuno; quais , então, com seu irmão Cástor,
Quais a ti, agora deusa, Leocótoe.
Mas tu, a custo, erguendo da profundeza as pontas das mãos,
Amiúde meu nome agora chamas a morrer.
Se, pois, Glauco visse teus olhinhos, por acaso,
A menina tu te tornarias do Mar Jônio.
E as Nereidas iriam te censurar por causa da inveja,
A alva Neseia e a cerúlea Cimotóe.
Mas vi um golfinho correr à tua ajuda,
Ele que, acredito, levara antes a lira de Árion.
E agora eu mesmo me preparava para me lançar do penhasco,
Quando o medo dissipou tais visões.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Codex

Temos a grata satisfação de anunciar a estréia da

Codex - Revista discente de Estudos Clássicos,
dedicada a publciação de trabalhos de mestrandos e graduandos das áreas relacionadas aos Estudos Clássicos

http://www.letras. ufrj.br/proaera/ revistas

A Revista Codex, é uma revista eletrônica criada no sistema SEER (Ibict-CNPq) por discentes (mestrandos e graduandos) em Estudos Clássicos de várias instituições públicas.
A revista só aceita a submissão de textos de mestrandos e graduandos em Iniciação Científica.

Tais textos podem ser: artigos, traduções, boletins de pesquisa, nas áreas de Línguas e Literaturas Clássicas, História Antiga, Filosofia Antiga e Arqueologia.

Os textos devem ser cadastrados no site da Revista, no link: http://www.letras. ufrj.br/proaera/ revistas/ index.php/ codex/informatio n/authors

Atenciosamente,

Paulo Martins (USP) e Henrique Cairus (UFRJ), pela Comissão Editorial

sábado, 13 de junho de 2009

A crise na USP

Nos próximos dias, deixarei de publicar questões concernentes ao assunto específico desse Blog e passarei a veicular textos atinentes à crise institucional em que se vê enredada a Universidade de São Paulo.

Deixo claro, ainda, que minha posição é de apoio irrestrito ao diálogo democrático e de absoluto repúdio ao uso de força militar para que se dirimam questões internas da universidade, sejam elas trabalhistas, econômicas ou educacionais.

Nesse sentido, sinto-me contemplado pelas decisões da Assembléia dos professores de quarta-feira (10/06/2009) que propôs a seguinte manifestação:


DECLARAÇÃO DA ASSEMBLÉIA DA ADUSP DE 10/06/2009


A Universidade de São Paulo tem desrespeitado, há anos, no seu cotidiano e nas suas instâncias de decisão, o Artigo 206 da Constituição Federal que define o princípio da gestão democrática do ensino público. O desrespeito fica evidenciado pela ausência de diálogo sempre que deliberações de Conselhos de Departamentos, Congregações e do Conselho Universitário acontecem sem a devida participação de alunos, docentes e funcionários. Nos últimos meses testemunhamos algumas dessas deliberações que, no lugar do diálogo, impõem de maneira autoritária suas decisões, gerando conflitos e desgastes desnecessários entre as partes envolvidas: demissão política de um dirigente sindical, o ingresso da USP na Univesp, a reforma estatutária da carreira, as mudanças no exame vestibular, entre outras. As três últimas, aliás, foram tomadas sem razões acadêmicas que as sustentem.

A crise atual vivenciada pela USP, originada pela negociação de data-base, como vem acontecendo nas negociações dos últimos anos, a ausência de diálogo exacerbada pela ruptura por parte do Cruesp da continuidade da negociação, culminou com a solicitação, por parte da reitoria da USP, da presença da Polícia Militar, provocando a violenta repressão que vivenciamos na tarde de ontem no campus Butantã da USP.

Em função dessa sucessão de acontecimentos:

“Os professores da Universidade de São Paulo, reunidos em Assembléia no dia 10 de junho de 2009, em face dos graves acontecimentos envolvendo a ação violenta da Polícia Militar no campus Butantã, vêm a público exigir:

1. a renúncia imediata da professora Suely Vilela como reitora da Universidade de São Paulo;

2. a retirada imediata da Polícia Militar do campus;

3. que a nova administração adote uma medida firme para impedir que as chefias e direções assediem moralmente os funcionários que exercem o direito de greve, de modo a criar condições objetivas para que os funcionários possam suspender os piquetes;

4. que se inicie também imediatamente um processo estatuinte democrático.

São Paulo, 10 de junho de 2009.