domingo, 6 de janeiro de 2008

Ainda o Tempo...

Denário de Bronze
Anverso: DIVA FAVSTINA
Reverso: AETERNITAS - SC

Breves sunt dies hominis... sola Aeternitas longa


Se, de um lado, o tempus é segmento e é limitado, como vimos, e tão propenso à efusão lírica já que essa é a poesia do agora e do aqui; de outro lado, a aetas (idade), outra abstração humana, palavra cognata do advérbio aei grego, cujo significado é "sempre", dá conta de uma outra modalidade ou dimensão do tempo e esse é ilimitado, incontável, infinito, daí a palavra aeternitas (eternidade). Ela, aetas, nas Letras Clássicas é o tempo do mito, do herói, do deus e, por isso, filia-se aos gêneros literários cujos objetos da imitação são os homens superiores e não os homens como nós (com toda licença de Aristóteles).
Dessa maneira, enquanto a efemeridade da vida tem guarida no tempus, a perenidade da obra possui estreita relação com a aetas. Portanto, o nosso tempo e o tempo dos deuses são absolutamente distintos.

Um comentário:

Fabio Cairolli disse...

Paulo,
Adorei a leitura. Embora ainda tão recente, já sinto saudades do curso de imagens - mudou a forma como eu entendia o poder!
Feliz 2008 para você, repleto de letras e artes. E, breve, os Espetáculos.
Abraços
Fabio