segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Shining de Kubrick, uma bela leitura

Caros Leitores: o texto que segue é um trabalho de dois meninos de 12 anos, publicado no site cineplayers.com: o primeiro, é meu filho como o nome denuncia. Espero que gostem. Vale lembrar que esste é o segundo texto dele que publico. O outro é sobre Pulp Fiction do Tarantino.

por Paulo Martins Filho e Luiz Fernando Coutinho.

Kubrick era um diretor introspectivo, não dava entrevistas e não tinha costume de sair em público. Mas sua carreira no cinema foi brilhante. Muitos acreditam que ele era extremamente perfeccionista, há boatos de que ele chegou a "enlouquecer" a atriz Shelley Duvall, fazendo-a regravar mais de 100 vezes a famosa cena do banheiro.

Produziu filmes como o polêmico Laranja Mecânica, o inovador 2001: Uma Odisséia no Espaço, o engraçado Dr. Fantástico e o assustador O Iluminado. É desse último que irei comentar agora.

Jack Torrance é um homem comum, desempregado e que precisa de sossego para escrever um livro. Para isso, consegue um emprego de zelador no Hotel Overlook, localizado longe da civilização. Vai morar lá com sua mulher Wendy e seu filho Danny, de 5 anos, durante uma temporada de seis meses. Sozinhos. Porém, o Overlook não é um hotel comum. O tempo esqueceu de enterrar velhos ódios, de cicatrizar velhas feridas. É uma chaga aberta de ressentimento e desejo de vingança. O Overlook é o que podemos chamar de uma sentença de morte.

Há um tempo atrás, um pai foi com sua mulher e suas filhas, gêmeas, para o hotel com o mesmo objetivo de Jack, ter sossego. Depois de alguns meses passados, ele enlouqueceu, matou as duas filhas e a mulher com um machado, cortando-as em pedaçinhos. Depois, suicidou-se no sombrio quarto 217, considerado assombrado.O mesmo acontece com Jack, que também enlouquece e tenta matar seu filho e sua mulher.



Muitas pessoas que não assistiram ao filme acham que o Iluminado é Jack, mas na verdade, o verdadeiro "Shining" é Danny, seu filho. O garoto é capaz de ouvir pensamentos. E pode tranportar-se no tempo e olhar o passado e o futuro. Maldição ou bênção? A resposta está guardada na imponência assustadora do hotel Overlook. Danny diz que dentro de sua boca há um menino chamado Johnny que fala coisas ao garoto sobre seu dom, obrigando-o a não contar a ninguém, nem mesmo seus pais. Logo no começo, o dono do hotel se revela ao menino, se intitulando Iluminado também.



Cheio de cenas antológicas, como a de Danny andando de triciclo nos sombrios corredores do hotel, a de Jack falando que "Johnny está aqui", isso mesmo, o mesmo citado acima, e o rio de sangue saindo do elevador do hotel. Além de ser um marco na história cinematográfica do terror, O Iluminado é constantemente "copiado" de alguns filmes sem o menor brilho, o mais atual é "O Filho de Chucky", comédia de humor negro. Outra cena memorável é também perturbante, na qual Wendy lê o que Jack escreveu durante o tempo que estiveram lá. SPOILER: não era uma história.



Jack Nicholson é Jack Torrance. Sua interpretação se encaixa perfeitamente no estado e na loucura de sua personagem. Pessoalmente, não considero a interpretação de Shelley Duvall boa como a de Nicholson. Até o menino Danny Lloyd, de 7 anos, consegue ter mais carisma do espectador que a atriz. Tendo um papel muito complicado, interpretando um garoto com sérios problemas psicológicos, a atuação de Lloyd impressiona. Pena que depois de um tempo, como vários outros atores mirins, Danny Lloyd caiu no ostracismo, não fazendo nenhum outro papel em filmes. Scatman Crothers, apesar de ter uma pequena ponta como o dono do hotel, faz um trabalho razoável.



Apesar da trilha sonora ser regular o que se destaca é o inquietante, até mesmo irritante zombido que é posto no filme quando Danny tem seus surtos e convulsões. A fotografia é regular e o manuseio da câmera é inovador. Tem algumas cena que sentimos ser o próprio Danny. A roupa dos personagens é simples e perfeita. O som é ótimo.

O filme é baseado no homônimo livro de Stephen King, "Shining", "O Iluminado", aqui no Brasil. King é o escritor com mais adaptações feitas na história do cinema. Dentre elas estão ótimos filmes como Um Sonho de Liberdade e À Espera de Um Milagre, ambos do diretor Frank Darabont. No Brasil é distribuído pela Editora Objetiva.

O Iluminado é um terror psicológico que inovou uma geração, devido aos seus recursos modernos para a época. A sinopse do site diz: "Considerado por muitos o mais fraco dos filmes de Kubrick."


Porém, considero um dos melhores terrores de todos os tempos e também um dos melhores do gênio.
Um pequeno trecho:

4 comentários:

Denis disse...

Olá, Paulo. Cinema, agora? Tá ótimo! rs

Kubrick foi impecável, fez tudo o que tantos tentam e falham miseravelmente, que é chegar ao mainstream (com Spartacus) mantendo o alto nível das produções, sem perder em relevância estética e originalidade. Sim, um perfeccionista. Pra escolher uma porta, centenas de portas foram pesquisadas, num arquivo fotográfico sobre portas que é se tornou um catálogo lindo de se ver, rs. Só um perfeccionista como Kubrick para filmar Barry Lyndon à luz de velas, o que é aquilo? E também pra enlouquecer a Shelley Duvall, de fato, que a gente só lembra depois por ter feito a Olívia Palito (ou não lembra?), de resto ela desapareceu e viveu ressentida até o final da carreira. Pelo making of d'O Iluminado dá pra sentir o quanto foi exigido dela, ele tirou o seu máximo e ela encaixa perfeitamente no papel. Tem seus méritos, o ruim foi não conseguir mostrá-los em trabalhos seguintes, por isso que adeptos de Kubrick atribuem ao gênio do diretor a boa performance da moça. Ah!, o Kubrick enlouqueceu o Stephen King tb, fosse no meio da noite ligando pra falar do filme, ou então com o final do filme, modificado em relação ao livro (aliás, o King se torna um ótimo escritor sob as lentes de Kubrick). E 2001 é um marco, o que ele fez em 68 foi incrível! Além de ter provocado a ira do Tarkovski e, por tabela, rs, ter nos legado o Solaris do russo, outro autor sensacional. Enfim, sótimo post, cinema é uma das minhas rotinas...

Qual será o próximo filme resenhado? :)

Paulo Martins disse...

Não, cinema, não! Esta é uma pequena crítica publicada no cineplayers.com, feita pelo meu filho mais velho de 12 anos. Note que seu nome contém o "Filho", isto é meu filho.

Denis disse...

ah, claro, claro, e tá bem explícito lá no começo, my bad

transmita a ele meu comentário e também a pergunta sobre qual a próxima; adoro falar de cinema! :)

Anônimo disse...

Esse foi um dos melhores livros que ja li, nao gosto muito do primeiro filme prefiro o segundo.
A historia é brilhante e muito rica em detalhes.