quarta-feira, 17 de junho de 2009

Codex

Temos a grata satisfação de anunciar a estréia da

Codex - Revista discente de Estudos Clássicos,
dedicada a publciação de trabalhos de mestrandos e graduandos das áreas relacionadas aos Estudos Clássicos

http://www.letras. ufrj.br/proaera/ revistas

A Revista Codex, é uma revista eletrônica criada no sistema SEER (Ibict-CNPq) por discentes (mestrandos e graduandos) em Estudos Clássicos de várias instituições públicas.
A revista só aceita a submissão de textos de mestrandos e graduandos em Iniciação Científica.

Tais textos podem ser: artigos, traduções, boletins de pesquisa, nas áreas de Línguas e Literaturas Clássicas, História Antiga, Filosofia Antiga e Arqueologia.

Os textos devem ser cadastrados no site da Revista, no link: http://www.letras. ufrj.br/proaera/ revistas/ index.php/ codex/informatio n/authors

Atenciosamente,

Paulo Martins (USP) e Henrique Cairus (UFRJ), pela Comissão Editorial

sábado, 13 de junho de 2009

A crise na USP

Nos próximos dias, deixarei de publicar questões concernentes ao assunto específico desse Blog e passarei a veicular textos atinentes à crise institucional em que se vê enredada a Universidade de São Paulo.

Deixo claro, ainda, que minha posição é de apoio irrestrito ao diálogo democrático e de absoluto repúdio ao uso de força militar para que se dirimam questões internas da universidade, sejam elas trabalhistas, econômicas ou educacionais.

Nesse sentido, sinto-me contemplado pelas decisões da Assembléia dos professores de quarta-feira (10/06/2009) que propôs a seguinte manifestação:


DECLARAÇÃO DA ASSEMBLÉIA DA ADUSP DE 10/06/2009


A Universidade de São Paulo tem desrespeitado, há anos, no seu cotidiano e nas suas instâncias de decisão, o Artigo 206 da Constituição Federal que define o princípio da gestão democrática do ensino público. O desrespeito fica evidenciado pela ausência de diálogo sempre que deliberações de Conselhos de Departamentos, Congregações e do Conselho Universitário acontecem sem a devida participação de alunos, docentes e funcionários. Nos últimos meses testemunhamos algumas dessas deliberações que, no lugar do diálogo, impõem de maneira autoritária suas decisões, gerando conflitos e desgastes desnecessários entre as partes envolvidas: demissão política de um dirigente sindical, o ingresso da USP na Univesp, a reforma estatutária da carreira, as mudanças no exame vestibular, entre outras. As três últimas, aliás, foram tomadas sem razões acadêmicas que as sustentem.

A crise atual vivenciada pela USP, originada pela negociação de data-base, como vem acontecendo nas negociações dos últimos anos, a ausência de diálogo exacerbada pela ruptura por parte do Cruesp da continuidade da negociação, culminou com a solicitação, por parte da reitoria da USP, da presença da Polícia Militar, provocando a violenta repressão que vivenciamos na tarde de ontem no campus Butantã da USP.

Em função dessa sucessão de acontecimentos:

“Os professores da Universidade de São Paulo, reunidos em Assembléia no dia 10 de junho de 2009, em face dos graves acontecimentos envolvendo a ação violenta da Polícia Militar no campus Butantã, vêm a público exigir:

1. a renúncia imediata da professora Suely Vilela como reitora da Universidade de São Paulo;

2. a retirada imediata da Polícia Militar do campus;

3. que a nova administração adote uma medida firme para impedir que as chefias e direções assediem moralmente os funcionários que exercem o direito de greve, de modo a criar condições objetivas para que os funcionários possam suspender os piquetes;

4. que se inicie também imediatamente um processo estatuinte democrático.

São Paulo, 10 de junho de 2009.

A universidade não é caso de polícia

VLADIMIR SAFATLE

AS CENAS de batalha campal que vimos nesta semana na USP ficarão na memória daqueles que dedicam sua vida a essa instituição. Vários professores, como eu, que nunca participaram de movimento sindical, que nem sequer foram alguma vez a uma assembleia, veem com estarrecimento a disseminação da crença de que conflitos trabalhistas devem ser resolvidos apelando sistematicamente à polícia. Diz-se que a polícia era necessária para evitar piquetes e
degradações. No entanto, tudo o que ela conseguiu foi acirrar os ânimos e aumentar exponencialmente os dois.


Vale a pena lembrar que, por mais que sejam práticas problemáticas que precisam certamente ser revistas, os piquetes estão longe de se configurarem como ações criminosas. A história das sociedades democráticas demonstra como eles foram, em muitos casos, peças necessárias de um processo de ampliação de direitos. Cabe a nós provar que esse tempo passou e que, devido à capacidade de diálogo, tais práticas não têm mais lugar.

No entanto, quando se tenta reduzir manifestantes que procuram melhorias em suas condições de trabalho a tresloucados patológicos que nada têm a dizer, que não têm nenhuma racionalidade em suas demandas, dificilmente alguma forma de diálogo conseguirá se impor.


Melhor seria começar explicando qual racionalidade justifica que a universidade mais importante do país, responsável por parte significativa da pesquisa nacional, tenha salários menores que os de uma universidade federal em qualquer Estado brasileiro.


Por outro lado, há algo incompreensível na crença de que a polícia possa ser chamada para mediar conflitos com alunos e funcionários públicos. Muitos acreditam que ligarão para o 190 e receberão uma espécie de "polícia inglesa" capaz de agir de maneira minimamente adequada diante de cidadãos que se manifestam.


Contudo, o que vimos até agora foi uma polícia que entrou pela primeira vez no campus armada com metralhadoras, quando a ação padrão deveria ser, nessas situações, agir desarmada. Quem tem uma metralhadora nas mãos imagina que porventura poderá usá-la. Mas contra quem? Contra nossos alunos? E quem decidirá o momento de usá-la? Como se isso não bastasse, uma polícia bem preparada não responde a provocações de gritos e latas com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha usadas na frente da Escola de Aplicação e de uma faculdade em que, normalmente, há crianças e adolescentes. O que aconteceria se uma bala de borracha atingisse uma criança, ampliando um pouco mais o enorme contingente de balas perdidas disparadas pela polícia?

Antes de ligar para a Polícia Militar, valeria a pena levar em conta seu despreparo manifesto em intervenções em conflitos sociais, histórico catastrófico mundialmente criticado por órgãos internacionais. Nenhum leitor terá dificuldade de se lembrar de situações de conflito social nas quais policiais que se sentiram acuados reagiram de maneira descontrolada, provocando tragédias.


Por fim, contrariamente a certa ideia que um anti-intelectualismo militante gosta de veicular nestes momentos, vários alunos alvos de balas de borracha são extremamente dedicados em seus cursos, participam sistematicamente de colóquios e programas de pesquisa, apresentam "papers" em congressos e podem ser constantemente encontrados em nossas bibliotecas.


Sendo certo que vêm de todas as faculdades de nossa universidade (e não apenas da área de humanas, como alguns querem fazer acreditar), é inaceitável tratá-los como delinquentes potenciais. Dentre os 2.000 estudantes que se manifestaram nesta semana estão alguns de nossos melhores alunos. Em vez de estigmatizá-los, talvez seja o caso de se perguntar contra o que eles se manifestam, já que, é sempre bom lembrar, antes da entrada da polícia, nem professores nem alunos estavam em greve. A greve restringia-se a funcionários.


Há um mês, em uma pequena cidade francesa, a polícia recebeu um chamado de possível furto. Em uma atuação "exemplar", ela estava em alguns minutos no local do crime. No entanto, o local era uma escola, o objeto furtado, uma bicicleta, e o possível ladrão, uma criança de dez anos. Sem pestanejar, a polícia retirou a criança da escola na frente de seus colegas, levou-a à delegacia, colheu seu depoimento e a fichou.


Possivelmente, foi contra esse modelo social baseado na incapacidade de resolver conflitos sem apelar à mais crassa brutalidade securitária que hoje nossos alunos se manifestam. Cabe a nós mostrar a eles que a história da USP é outra.


VLADIMIR SAFATLE, 36, é professor do Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo.

sábado, 16 de maio de 2009

Propércio 2,24A e 2,24b

'TV loqueris, cum sis iam noto fabula libro
et tua sit toto Cynthia lecta foro?'
cui non his verbis aspergat tempora sudor?
aut pudor ingenuus, aut reticendus amor
quod si tam facilis spiraret Cynthia nobis,
non ego nequitiae dicerer esse caput,
nec sic per totam infamis traducerer urbem,
urerer et quamvis, nomine verba darem.
quare ne tibi sit mirum me quaerere vilis:
parcius infamant: num tibi causa levis?

****

et modo pavonis caudae flabella superbae
et manibus dura frigus habere pila,
et cupit iratum talos me poscere eburnos,
quaeque nitent Sacra vilia dona Via.
a peream, si me ista movent dispendia, sed me
fallaci dominae iam pudet esse iocum!

2,24b

HOC erat in primis quod me gaudere iubebas?
tam te formosam non pudet esse levem?
una aut altera nox nondum est in amore peracta,
et dicor lecto iam gravis esse tuo.
me modo laudabas et carmina nostra legebas:
ille tuus pennas tam cito vertit amor?
contendat mecum ingenio, contendat et arte,
in primis una discat amare domo:
si libitum tibi erit, Lernaeas pugnet ad hydras
et tibi ab Hesperio mala dracone ferat,
taetra venena libens et naufragus ebibat undas,
et numquam pro te deneget esse miser:
(quos utinam in nobis, vita, experiare labores!)
iam tibi de timidis iste protervus erit,
qui nunc se in tumidum iactando venit honorem:
discidium vobis proximus annus erit.
at me non aetas mutabit tota Sibyllae,
non labor Alcidae, non niger ille dies.
tu mea compones et dices 'Ossa, Properti,
haec tua sunt? eheu tu mihi certus eras,
certus eras eheu, quamvis nec sanguine avito
nobilis et quamvis non ita dives eras.'
nil ego non patiar, numquam me iniuria mutat:
ferre ego formosam nullum onus esse puto.
credo ego non paucos ista periisse figura,
credo ego sed multos non habuisse fidem.
parvo dilexit spatio Minoida Theseus,
Phyllida Demophoon, hospes uterque malus.
iam tibi Iasonia nota est Medea carina
et modo servato sola relicta viro.
dura est quae multis simulatum fingit amorem,
et se plus uni si qua parare potest.
noli nobilibus, noli conferre beatis:
vix venit, extremo qui legat ossa die.
hi tibi nos erimus: sed tu potius precor ut me
demissis plangas pectora nuda comis.


“Tu ias falar, embora já sejas mito pelo noto livro -1
E tua Cíntia sejas lida por todo foro...”
A quem o suor não umedeceria as têmporas com estas palavras?
O homem livre ou o pudor ou amor deve dissimular,
Mas se Cíntia se mostrasse mais suscetível a mim, -5
Eu não seria chamado (ser) o cabeça da devassidão,
E assim não seria ridicularizado, eu infame, por toda urbe,
E embora me ardesse, enganaria com meu renome.
Por isso não tenhas admiração que eu procure os vis [amores]:



*_*_*_*_*_*_*_*_*_*



Infamam mais raramente: Pois te são boa causa? -10
E ela deseja somente leque da soberba cauda de pavão
E ter frio para as mãos com uma dura bola,
E deseja que eu peça, irado, dados de marfim,
E aqueles presentinhos que brilham na Via Sacra.
Ah! Que eu morra se estas despesas me irritam, mas ser -15
O brinquedinho da dona falaz já me envergonha!

2,24B

Era por isto principalmente que ordenavas que eu me alegrasse?
Não envergonha a ti ser tão bela, tão fútil?
Uma ou duas noites, de amor, ainda não foram percorridas
E já sou considerado ser insuportável no teu leito. -20
E somente me louvavas e lias meus poemas:
Aquele teu amor tão cedo deu assas?
Que ele rivalize comigo em engenho ou rivalize em arte,
Principalmente aprenda amar uma única casa:
Se te for aprazível que lute contra as hidras de Lerna -25
E trague as maçãs do dragão Hespério,
E, náufrago, beba ondas e, prazerosamente, venenos terríveis
E nunca, por ti, denegue ser infeliz:
(Oxalá, vida, esses trabalhos em mim experimentes!)
Este petulante já será considerado por ti entre covardes -30
Ele que agora chega jactando-se dessa honra inchada:
O próximo ano te será de separação.
Mas nem todo a era de Sibila, nem o lavor
De Alcides, nem aquele negro dia vai me mudar.
Tu recolherás os meus e dirás: “Esses são -35
os ossos de Propércio?” Ai! Tu me eras fiel
Fiel eras, ai! Embora não fosses nobre
de antigo sangue, embora nem rico fosses.
Tudo sofrerei, jamais me muda a injúria:
Eu julgo que não é um ônus suportar tal beleza. -40
Eu creio que muitos morreram por essa beleza,
Creio, mas muitos não foram fiéis.
Por pouco tempo, Teseu gostou da filha de Minos
E Demofonte, de Fílis, um e outro, maus hóspedes.
Agora Medéia é conhecida por ti na nau de Jasão -45
E, em seguida, foi abandonada só, tendo salvado o varão.
É má aquela que finge o amor dissimulado para muitos
E se uma [mulher] pode se preparar para mais de um [amante].
Não quero ser comparado aos nobres, tampouco aos ricos:
Dificilmente vem alguém que recolha os ossos no último dia. -50
Esse te serei: mas peço que tu possas me sê-lo,
Tendo soltado os cabelos, batas no teu peito nu.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Maio

Paulo Martins
DLCV /FFLCH/USP


Maio na USP é sempre igual. Certa vez, li o Prof. Gianotti dizer. Pela única vez, tomara, concordarei com ele. Maio é sempre igual. Realmente idêntico. Mas a semelhança é a negatividade. Nada muda para melhor em relação ao professor da USP. Tudo é sempre pior. Pior que a crueldade e essa já ganhara requintes inusitados e hoje sobeja contornos de tortura, transpõe os limites do razoável e da racionalidade. Tão estudada pelo filósofo uspiano.


Maio é mês de greve, é grave. Desesperam-se mães. Pais se incomodam. Maio é mês funcionário público improdutivo, incontrolável e incorrigível. É mês baderneiro, mês baixaria. É mês coisa horrível... Maio é mês reflexão inexorável do mês que sobra no salário. Isso sim é paradoxo. O resto é babaquice.

Maio é mês de fim do contrato do cheque-especial, do aluguel, do reajuste da pensão, da prestação da casa própria, da impossibilidade de sobrevivência digna e justa. Maio é mês de filhos que jamais estudarão onde os pais estudaram e/ou trabalham...na USP, a USP não foi feita para eles – já havia sido escrita a história por Armando Sales de Oliveira, pelos Mesquita e por outros que hoje são os verdadeiros herdeiros da Universidade. Maio é mês de noivas ou de viúvas? Encomendemos caixões ou véus?

Este Maio é ótimo, ao contrário dos outros. Este Maio é bom mês. Mês bom este Maio. Ganhamos nova carreira docente na USP. USP de carreira nova é tudo de bom! Carreira nova à escuridão da tarde triste é boa nova para o Maio de 09. Só para incautos, será? Serão? Carreira nova, nova Carreira discutida de terninho e gravata só pode ser coisa de carreirista ... É carreira, não é? Só pode ser ou é burrice mesmo...

“Calaremos os maioístas”. “Acabaremos com professores improdutivos”. “Vermes incontornáveis”. “Invariavelmente sindicalistas”. “Professores que não desejam ser avaliados: eghgh!” “Esses não servem, esses não são bons!” “Esses não são para a USP, esses são para universidades que atentem ao povão, para USP não!” “Precisam de patrão que lhes controle!” Que lhes ponha o jugo, o cabresto e lhes cale! “Ponha-lhes nos trilhos da seriedade e da produtividade mais que britânica ou franco-germânica!” “Maio é sempre igual”. Singular.

É Maio. Depois do Abril de Eliot...Para mim nem tão cruel assim...Muito pior que Abril é Maio. “Invenção de gente de esquerda” ... “ gentinha...”

Maio sempre igual chegou novamente. E só pioramos aqui na USP, mas seguramente não foi qualidade de ensino e de pesquisa. Certamente não foi o atendimento à comunidade em suas multifacetas foi o que piorou. Não foi o profissional empenhado que mudou, não foram os verdadeiros agentes do nome USP, próximo aos 75 anos, que mudaram...

Il capo mudou e como mudou... E como angariou adeptos às suas paisagens...Diria a bossa-nova: “Inútil paisagem...” Talvez dissessem mais, muito mais... Mas deixemos este Maio em paz!
Maio, o mais cruel dos meses, não germina...

Propércio 2,20

Por que choras mais gravemente que Briseida raptada?
Por que choras, ansiosa, mais tristemente que Andrômaca cativa?
Ou por que, por minha traição atormentas os deuses, tresloucada?
Ou por que te queixas que minha fidelidade assim morreu?
O rouxinol funesto não incomoda tanto -5
Com queixas noturnas entre folhagens atenienses,
Nem Niobe, soberba, chorando junto
A doze túmulos, flui desde o angustiado Sípilo.
Ainda que os braços com nós de bronze me enlacem
Ou teus membros estejam escondidos na morada das Dánae, -10
Eu mesmo por ti, minha vida, romperei cadeias de bronze
E atravessarei o palácio férreo das Dánae.
Acerca de ti, o que é dito a meus ouvidos é dito a ouvidos surdos.
Não duvides tu, nesse momento, de minha gravidade.
Pelos ossos de meu pai e pelos de minha mãe, juro-te. -15
Ah! Se eu minto que as cinzas de ambos me sejam graves!
Eu hei de ficar junto a ti até as últimas trevas, vida:
Uma fidelidade, um dia levará a nós dois.
Quanto a mim, se nem teu nome, nem tua beleza me
Mantivessem, poderia me ter docemente tua escravidão. -20
O curso da lua cheia já foi realizado sete vezes,
Quando todas encruzilhadas falam sobre mim e ti.
Enquanto isso algumas vezes a porta me foi suave,
Algumas vezes houve feitos abundantes de teu leito.
Noite alguma foi comprada por mim com valiosos -25
Presentes. Tudo que havia era grande graça de teu ânimo.
Quando muito te assediavam, tu apenas me assediaste:
Posso eu mesmo esquecer-me de seu sexo?
Então, Erínias trágicas, atacai-me e tu, Éaco, condena-me
Ao inferno em teu juízo. E minha pena seja vaguear -30
Entre as aves de Tício, e, então, eu gira as rochas de Sísifo!
Que tu não me procures com suplicantes bilhetes:
Minha última fidelidade é tal qual a primeira.
Esta é minha norma: como solitário amante,
Nem cedo desisto, tampouco começo com temor. -35

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Duas vezes Sófocles: Aias e Filoctetes

O Programa de Pós-Graduação em Letras Clássicas da Universidade de São Paulo convida a todos para Conferência seguida de debate com os Profs. Drs.

Fernando Brandão dos Santos (FCL-Ar/UNESP)
Flávio Ribeiro de Oliveira (IEL/UNICAMP).

Tradutores de Sófocles

Dia 13/05, quarta-feira, 10h00,

em sala a definir do Prédio de Letras USP.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Novo Relevo em Herculano

Ercolano, scoperto un nuovo rilievo marmoreoUn nuovo rilievo marmoreo con scene dionisiache è venuto alla luce a Ercolano il 18 febbraio scorso, durante i lavori di manutenzione ordinaria. Il rilievo è stato trovato in un lussuoso edificio residenziale dell'Insula nord-occidentale, solo in parte oggetto di campagne di scavo, ed era inserito a 2 metri di altezza dal pavimento, nel rivestimento in intonaco dipinto della parete est di una grande sala decorata nel cosiddetto IV stile. Dal 18 marzo al 13 aprile prossimo il rilievo sarà esposto al Museo Archeologico Nazionale di Napoli e sarà parte integrante della mostra "Ercolano-tre secoli di scoperte". Ecco le immagini del bassorilievo [17 marzo 2009]








Rilievo marmoreo con scene dionisiache proveniente da Ercolano, Insula nord-occidentale. Marmo, prima metà del I sec. d.C. Napoli, Museo Archeologico Nazionale. Foto di Giorgio Massimo © Soprintendenza Speciale per i Beni Archeologici di Napoli e Pompei

Matéria extraída de La Repubblica Napoli

domingo, 29 de março de 2009

Sófocles, Sófocles, Sófocles

Folha de São Paulo São Paulo, sábado, 28 de março de 2009

RODAPÉ LITERÁRIO



FÁBIO DE SOUZA ANDRADE*
COLUNISTA DA FOLHA



QUANDO SE fala em traduções, o leitor brasileiro tem cada vez menos do que se queixar.
O mercado do livro ainda comporta preguiça ou vigarice ocasional, como no caso recente da Nova Cultural, editora que alimentou a plágio descarado toda uma coleção, mas nada disso passa mais batido. Se não chegamos a rivalizar com tradutores onívoros, como os franceses ou os americanos, aos poucos deixamos de fazer feio, e os sinais de vitalidade na extensão e na qualidade do que se traduz vêm superando os vexaminosos.

Recém-publicadas, três versões diretas das tragédias que abriram ("Aias") e encerraram ("Filoctetes", duas vezes) a produção em vida de Sófocles (496-406 a.C.), mais prolífico dos dramaturgos gregos, provam a tese. Apesar de propósitos e poéticas próprias, têm em comum o apuro editorial (textos bilíngues, apresentação e notas pertinentes, bibliografia), o cuidado filológico nas traduções e a aposta no não óbvio. Preenchem lacunas (não se trata de mais um Édipo Rei em português) e colhem frutos, todas, de uma decisão acadêmica acertada dos classicistas brasileiros: a de investir na oferta de textos criteriosos dos clássicos em vernáculo.

Heróis sofocleanos típicos, indivíduos do excesso (da excelência, no combate, da inflexibilidade, no caráter), confrontados com as razões da coletividade, Filoctetes e Ajáx sofrem ambos os reveses da sorte, privados da fama que, entre os gregos, coroa a existência dos mortais e premia a vida justa e bela. Herdeiro do arco divino de Héracles, Filoctetes é traído pelos comandantes na campanha contra Tróia, Menelau e Agamemnon e o astucioso Odisseu à frente. Sofrendo de ferida incurável no pé, vê-se abandonado numa ilha deserta, privado do convívio civilizado. Quando um oráculo mostra que sua presença é indispensável para que caia o inimigo, é hora de ajustar contas com sua honra ofendida.

Aias, ou Ájax, por sua vez, o segundo em força entre os gregos, sente-se ultrajado por não ter seu valor reconhecido e não receber as armas de Aquiles, morto em combate. Desprezando ajuda divina, arquiteta um plano de reparação do agravo imaginário, mas recebe de Atena, por punição, a loucura. Cego de fúria, avança cruento sobre ovelhas indefesas, seguro de estar matando a traição os inimigos. Quando recobra a lucidez, enfrenta o desafio de buscar uma saída digna para a vergonha pública que mancha seu nome. Conflitos entre pragmatismo político, reverência religiosa, altivez autossuficiente e compaixão humana fazem o interesse dessas peças sempre atual. Ter a chance de redescobri-las por meio de textos cuidados, essa é a boa novidade.


*Professor do Departamento de Teoria Literária e Literatura
Comparada da FFLCH da USP.

*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*





Título: Filoctetes
Autor: Sófocles
Editora: 34
Tradutor: Trajano Vieira





Título: Filoctetes
Autor Sófocles
Editora Odysseus
Tradutor: Fernando Brandão dos Santos





Título: Aias (Ájax)
Autor: Sófocles
Editora: Iluminuras
Tradutor: Flávio Ribeiro de Oliveira

domingo, 22 de março de 2009

Uma Canção em Annie Hall de Woody Allen


Ontem revi Annie Hall (1977) de Woody Allen. Que filme! Que belo roteiro! Quão deliciosamente pessimista! Não é para menos que o filme foi premiado pela Academia de Hollywood em 4 categorias: Filme, Roteiro Original, Diretor e Atriz. Mas o principal é a simples lição: o amor sempre acaba! E tendo acabado o que nos resta é sempre a mesma nostalgia "dos velhos tempos".
Mas me esquecera, passados 32 anos, da bela canção e da bela interpretação de Diane Keaton para Seems like old times (1945) de Carmen Lombardo e John Jacob Loeb, ao mais puro ritmo/estilo Billy Holliday. Como diria um velho amigo: "lágrimas nos olhos". Eis a canção:




Seems Like Old Times
(Carmen Lombardo e John Jacob Loeb)

Remember all the things we did together.
All the fun we had on New Year's Eve,
How we danced til dawn,
Then darling you were gone,
Now it's almost too good to believe.

Seems like old times, having you to walk with,
Seems like old times, having you to talk with.
And it's still a thrill just to have my arms around you,
Still the thrill that it ws the day I found you,
Seems like old times, dinner dates and flowers,
Just like old times, staying up for hours,
Making dreams come true, doing things we used to do,
Seems like old times, being here with you.